Palestra de abertura da 5ª Semana Senac de Sustentabilidade

O tema desta edição é Descubra o seu Território – de dentro para fora e de fora para dentro.

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Cada palestrante compartilhou sua escolha profissional na área de sustentabilidade. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Com diferentes sons do meio ambiente, de águas, de bichos, barulho das folhas de árvores e de toda biodiversidade, a jornalista Zulmira de Souza, uma das principais jornalistas da área de sustentabilidade e idealizadora do programa Repórter Eco, da TV Cultura, leu um texto para as pessoas na palestra de abertura da 5ª edição do Semana Senac de Sustentabilidade respirarem com serenidade e refletirem sobre o tema da conversa Descubra o seu Território – de dentro para fora e de fora para dentro, na noite de ontem (01º de agosto), no Senac Lapa Faustolo, na região oeste de São Paulo.

A ideia desse tema foi influenciar o público sobre o ponto de vista da sustentabilidade dos territórios de ação, partindo cada do lema: Pensar global e agir local. A palestra de ontem foi o início de uma série de atividades que vai percorrer a programação de diversas unidades da Grande São Paulo e do interior para conhecerem o que já existe, descobrir ações interessantes a serem exploradas e desafios que precisam ser enfrentados.

Para inspirar as pessoas presentes e no hangout, José Bueno, criador do Instituto Harmonia e um dos fundadores da iniciativa Rios e Ruas; Claudia Mattos, professora da Escola Schumacher Brasil e chef do Espaço Zym; e Karla Schwarz, formada em designer de moda pelo Senac São Paulo e responsável pela marca sustentável de roupa infantil chamada Kili Kili, contaram suas trajetórias pessoais e profissionais.

Karla explicou que a sustentabilidade sempre esteve no DNA de sua família. Desde pequena conviveu com aquecimento solar, reciclagem e cisterna em sua casa. Ela optou pela moda infantil para desenvolver peças muito naturais e reaproveitáveis. “Sempre pensei numa peça de roupa para a criança montar naquele momento e o que ela precisa naquela fase”, disse. Através de imagens, a jovem apresentou etapas de elaboração de tingimento natural das suas peças, sem usar nada químico. “Minha preocupação é não causar nenhuma alergia para as crianças”, afirmou.

A jovem ainda comentou que a roupa sempre acompanha a criança para desenvolver os sentidos dela. “A nossa ideia é a roupa estar presente em suas modificações sem desrespeitar o tempo da criança nem da natureza”.

O arquiteto José Bueno justificou sua prática em aikido por desenvolver habilidades como paciência, tolerância e conseguir transformar situações difíceis em simples. Ele mostrou imagens de mapas de rios na cidade de São Paulo, contando sua história com a criação do projeto Rios e Ruas, que nasceu a partir de uma conversa informal com o educador Luiz Campos Júnior. A iniciativa reconhece as principais bacias hidrográficas de São Paulo e exploração in loco dos rios e riachos da cidade, soterrados ou não, por meio de oficinas prático-teóricas e vivências em expedições da nascente até a foz dos cursos d´água.
Acesse aqui para conhecer: http://www.mostrarioseruas.com.br/index.php

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“Meu grande sonho é ver os rios limpos”, afirmou José Bueno. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

“Os rios estão vivos”, ressaltou o arquiteto. José também mostrou fotos de enchentes, invasão das águas turvas em ruas e avenidas da capital paulista. Dessa forma, ele defende a recuperação das nascentes e levar esse tipo de informação para crianças e comunidades para desejarem rios limpos e seguros em seus bairros. “Nós desenvolvemos muitas ações e discussões a todos os envolvidos nesse interesse. Já fizemos mostras culturais, blocos de ruas em carnaval, corrido de rua, pedaladas e livro infantil sobre os rios. Até dia 24 de setembro estará no Sesc Pinheiros a exposição Rios Des.Cobertos – O Resgate das Águas da Cidade”.

A chef Claudia mostrou a imagem do Espaço Zym, um refúgio localizado no bairro da Lapa que reúne atividades de bem-estar com terapias holísticas (radiônica, massagem e ofurô), práticas de desenvolvimento da consciência (yoga e meditação) e um bistrô 100% vegetariano. Lá ela tem 250 espécies de plantas. “Brinco e falo que lá somos uma grande comunidade”, disse. Ela comentou que gosta de comer bem, por isso gosta e optou por trabalhar com as frutas nativas e produtos originados da biodiversidade brasileira.

“Hoje como cozinheira consigo conversar com meus clientes. Sempre me reconecto com essa energia, com essa essência”, afirmou Claudia. Ela também pontuou a importância do consumo de produtos locais, plantar os alimentos e comê-los. “Não gasto com remédios”.
Ela integra a Transition Towns e é líder do Slow Food Convívio São Paulo. A chef também compartilhou a importância sobre observar a origem, a história dos fornecedores e o modo de produção dos alimentos e a comercialização deles. Ela gosta de se reunir com seus alunos para aprender a cozinhar com prazer. Sua equipe distribuiu alecrim para o público sentir o cheiro e tocar nessa erva.

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O encontro despertou curiosidade em como desenvolver no trabalho uma postura mais sustentável. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Já Zuzu comentou sua história de vida e trajetória profissional em grandes veículos de comunicação. No início dos anos 1990, ela escreveu um projeto diferente chamado inicialmente de Gaia para televisão. A jornalista desejava elaborar pautas mais aprofundadas com temas mais reflexivos e conectado com o meio ambiente. Essa foi a origem do programa da TV Cultura, o Repórter Eco. “Toda matéria tem um propósito. Há 19 anos no Repórter Eco contei uma história por dia. Hoje ele continua no ar com uma equipe batalhadora, não estou mais lá já faz alguns anos”.

A jornalista compartilhou que desenvolveu os seguintes projetos: Ecoprático, um reality show da TV Cultura; é diretora da Planetária Soluções Sustentáveis e colaborou a outros projetos de comunicação e sustentabilidade. Seu objetivo é levar informação justa e simples para maior número de pessoas. “A comunicação sobre sustentabilidade precisa ser mais leve. Não é nos grandes encontros que vamos mudar o mundo. Essa mudança ocorre no dia a dia, porque envolve transformação de hábitos, como você se relaciona com as pessoas”.

Seu último projeto está relacionado com a alfabetização. Ela contou que sua mãe depois dos 82 anos aprendeu a ler e escrever e se tornou artista plástica. Em quatro anos, ela já fez 400 obras e sete exposições. “Temos que transformar tudo o que fazemos. Não podemos esquecer que não somos apenas profissionais e quando estamos juntos é muito mais forte”, ressaltou a comunicadora e mediadora da palestra.

Confira aqui a programação da 5ª edição Semana Senac de Sustentabilidade.
Exposição Rios des.cobertos: o resgate das águas da cidade, no Sesc Pinheiros, até 24/09.