Palestra aborda impacto social das empresas norte americanas na crise

Representantes de diferentes empresas norte-americanas falam das lições e previsões do impacto social no Festival ABCR 2020.

Foto de alguém segurando tablet com seguinte mensagem: Botão de ajuda e doação na tela do tablet e com frase em inglês Você pode ajudar - Doe.
Palestrantes citaram a empresa Ben&Jerry’s por ter conduzido bem o tema de doação de recursos e discussão sobre injustiça racial. (crédito da imagem: WrightStudio)

Quatro representantes de empresas norte-americanas compartilharam o que aprenderam, como se reorganizaram suas ações e o que preveem neste cenário ainda de pandemia na palestra da manhã do primeiro dia do Festival ABCR 2020, na última segunda-feira (29/06). Com o tema Lições e Previsões: Impacto Social das Empresas Norte Americanas no meio da Crise, a conversa teve mediação de David Hessekiel, presidente da Cause Marketing Forum; com os participantes: Dineen Boyle, gerente sênior da Responsabilidade Social Corporativa da Planet Fitness; Maggie Hureau, lidera a área de impacto social da Harry’s; Maureen Carlson, chefe de programas e diretora de marketing da Hospitais da Rede de Cura para Crianças; e Phillip Haid, cofundador e CEO da Public.

Nos dias 29 e 30 de junho, a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) promoveu a 12ª edição do Festival ABCR com o tema Ousar para Avançar. Foram mais de 150 palestrantes nacionais e internacionais para participar de 90 sessões paralelas, sete plenárias e três masterclasses. O formato foi totalmente digital. Esta edição celebra ainda 20 anos de trajetória da ABCR.

Maureen compartilhou que tem 93 parceiros e as conversas foram remarcadas rapidamente para o direcionamento dos recursos para quem está na linha de frente no combate do Covid-19 nos hospitais. Ela comentou que todos foram avisados digitalmente e escutados nesse processo e as empresas parceiras não sabiam como afetaria a parceria e a captação de recursos, mas aprovaram a mudança de direção dos recursos. “Nós fizemos declarações em massa para as empresas e os profissionais de saúde. Também abordaram o tema do racismo”.

O mediador questionou como ela foi impactada pela grande onda de marketing digital. A palestrante respondeu que atua com grandes marcas (Costco, WallMart, entre outros) e observou que muitos aceitaram redirecionar seus recursos para causas que contribuem com igualdade e justiça racial. “Não sabemos qual será o efeito a longo prazo para causas relacionadas com liberdade civil sem fins lucrativos”.

Maggie Hureau explicou primeiro a criação da área de impacto social na Harry’s e disse que foi fundamental ter uma equipe de comunicação maduro neste momento. Comentou que já tinham sistema de avaliação e produção de relatórios aos parceiros mensalmente para acompanharem o alcance de metas. Com o surgimento do Covid-19, a organização decidiu direcionar para ações de saúde mental e garantir o acesso a recursos. Deram sugestões sobre o que as pessoas poderiam fazer para amenizar a ansiedade. Conseguiram novos parceiros, que contribuíram na mobilização para doação de um milhão de dólares em um curto prazo. A palestrante chamou atenção aos mais impactados para o coronavírus em Nova York (EUA): negros. “Temos uma crise escancarada a longo prazo e queremos apoiar o povo negro. Ficar em silêncio neste momento é ser cúmplice. Por isso decidimos doar 500 mil dólares a organizações da comunidade negra e nos próximos meses vamos escolher parceiros específicos para ajudar”.

Dineen Boyle fez uma contextualização das causas sociais da Planet Fitness e financiamento de projetos de aprendizagem para crianças e adolescentes. Explicou como foi o processo de adaptação das ações para enfrentamento durante o Covid-19, já que as academias foram fechadas para conter a contaminação do novo vírus. Dessa forma, a empresa apoiou funcionários e clientes e desenvolveu programa de treinos diários e gratuitos a todos transmitidos em suas redes sociais. Fizeram um dia de doação de pizza para quem estivesse na linha de frente nos hospitais, aumentaram o valor de 40 bolsas de geração de renda a jovens com um compromisso de doação de 200 mil dólares por ano. Também comunicou que o racismo não tem espaço dentro das unidades da rede da empresa e doação de 100 mil dólares para apoio a projetos de inclusão de jovens de baixa renda. “Vimos que, na crise do coronavírus e nas discussões de injustiça racial, podemos focar na segurança alimentar e bem estar emocional especialmente a jovens”.

Phillip Haid, de Toronto (Canadá), falou como um representante de uma empresa de impacto social em que trabalha com várias marcas. Ele analisa que as empresas reagiram diferentes e está sendo fascinante. No primeiro momento, todos mergulharam de cabeça para direcionarem seus recursos e atender necessidades básicas. Já na segunda onda, ele acredita que será direcionada para a saúde mental. Johnson & Johnson, por exemplo, observou importância da assistência médica e levantou recursos nessa área, além de valorização de profissionais como enfermeiros, médicos e técnicos da área da saúde. Neste momento, ele observa as empresas com campanhas de resiliência na pandemia. Muitas delas olham no geral e veem como sua empresa pode apoiar neste cenário. “Muitos fizeram compromissos de doações focadas na justiça social e isso impulsiona mais empresas a doarem mais. Eles acreditam ser difícil conduzirem investimento de forma autêntica para justiça racial”.

Quando questionados sobre conselhos e dicas de perspectivas nesse movimento e sua relação com negócios, cada palestrante fala de sua visão neste segmento num momento específico como esse. Dinnen enfatizou a busca pelo ponto de conexão com ONGs que atuam com o tema da empresa para engajar público e apoiá-lo.

Por outro lado, Maggie enfatiza ter dentro da empresa uma pessoa ao lado de ONGS para gerenciar a relação e coordenar ações alinhadas com debate da sociedade com diferentes ideias e perspectivas. Já Phillip sugere avaliar a mudança que a empresa deseja e avaliar os envolvidos nesse processo. Os parceiros são fundamentais nisso, por isso defende o diálogo e mostrar que impacto ocorre a longo prazo.

Maureen afirma que o parceiro não é somente um beneficiário, ele cobra resultados: “Toda empresa sem fins lucrativos busca resultados. São resultados na comunidade baseado no dinheiro que você gasta. Como usa teu dinheiro?”

Acesse aqui: https://festivalabcr.org.br/