Os desafios da gestão das organizações sociais

Fórum do Terceiro Setor reuniu duas organizações diferentes para exemplificar dificuldades diárias em seus projetos.

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Marilda e Toninho compartilharam suas experiências de ferramentas de gestão em suas organizações. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Ferramentas de gestão, sistemas de captação de recursos, administração de pessoas e até planejamento estratégico. Tudo isso faz parte de tarefas ainda difíceis no dia a dia de gestores de organizações. Esses assuntos foram debatidos na palestra Fórum do Terceiro Setor: Desafios da Gestão nas Organizações Sociais, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (23/08) no Senac Itaquera na zona leste de São Paulo.

Para falar dessas questões ainda árduas, participaram: Marilda dos Santos Lima, supervisora pedagógica do Centro Social Nossa do Bom Parto, e Antonio de Souza Neto, síndico e administrador da Galeria do Rock. Sergio de Oliveira e Silva, gerente do Senac Itaquera, comentou a participação do Senac São Paulo na área social e na formação de organizações sociais. Ele se recordou de um programa chamado Formatos Brasil 500 em que capacitaram 500 lideranças sociais sobre diferentes temas relacionados com o segmento. “Certa vez escutei disso de uma dessas lideranças nesse programa: ‘Não quero perpetuar minha organização. Eu trabalho com minha causa. Meu objetivo é acabar com minha ONG, porque assim mostraria que não tem necessidade dela existir’. Dessa forma, vemos que a questão central é a intencionalidade. Como essas organizações podem usar essas ferramentas sem perder sua essência?”

Marilda foi a primeira a falar e já destacou a importância para a gestão humanizada. Ressaltou que a organização em que ela atua valoriza o olhar para as pessoas. “Tudo começa pela educação popular, que a academia chama de educação não formal. Já a área da psicologia chama de psicologia social. Lembram-se do Mobral, o primeiro movimento para combater o analfabetismo. Agora já estamos avançados no debate da tecnologia e inovação digital, mas ainda há pessoas que não sabem ler nem escrever”, comentou.

A pedagoga ressaltou que um dos principais desafios é atuar com humanização, gestão e mística. Ela disse que as organizações precisam observar suas habilidades e competências para coordenar e liderar pessoas. Equilibrar a gestão pessoal, com gestão de casos e gestão institucional. Compartilhou com o público as várias dimensões que a organização atua. “Lá nós temos desafios para pensar atividades e acolhimento para pessoas de zero a 100 anos”, disse.

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Marilda ressaltou na gestão humanizada nos projetos da entidade. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Para o público conseguir visualizar, a supervisora pedagógica da Bom Parto mostrou a importância do gestor em identificar os pilares para ter uma boa gestão e os empecilhos do dia a dia. Há ainda uma tensão entre gestão e espiritualidade, já que envolve conflitos de interesses e diferentes realidades. Para isso, a organização investe no cultivo da espiritualidade na gestão: construir a unidade interior, postura no trato com as pessoas, caminho espiritual e instituição espiritualizada. Mostrou ainda os diferentes projetos que ela desenvolve: centro de acolhida para a população de rua desde os anos 1980, acolhimento institucional de famílias e acompanhamento de idosos. Também atendem jovens pelo Programa Aprendiz. “Nós investimos e desenvolvemos o olhar para ser cada vez mais humano e fraterno para transformar essa realidade”.

Antonio é conhecido como Toninho da Galeria. Ele começou sua fala mostrando um vídeo sobre a 1ª corrida de drones, conhecido como Drone Racing SP no ano passado. Há seis meses o espaço recebeu diversas startups e organizações de tecnologia para criarem ideias e contou com a presença do prefeito de Amsterdã. “No início a galeria era um espaço abandonado. Ninguém acreditada no seu potencial. Hoje são 400 empresas lá, algumas com várias filiais em shoppings”.

O síndico ressaltou que o espaço foi tema na novela Tempos Modernos, da Globo. Isso contribuiu ainda mais para visibilidade. Foi criado ainda uma associação dos vendedores da Galeria do Rock. “Quando nós pegamos o espaço, era totalmente abandonado, com esgoto a céu aberto. Estava realmente em estado de abandono. Por isso pessoas do senso comum nem entravam e o rock também sempre foi excluído”.

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Representantes de organizações, assistentes sociais, pedagogos e outros profissionais integraram o público. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

A partir de 1994, Toninho ingressou em organizações de valorização do centro de São Paulo. Também criaram o Instituto Cultural Galeria do Rock em 2004. “Há dois anos estamos expandindo para a área externo para inovar e trazer uma nova proposta e acolhendo uma parcela da sociedade diversa, que foram entrando e gerando negócios para o local”.

Ele ainda comentou que nunca focaram na arrecadação de verbas, mas em acolher essas pessoas e potencializar o espaço mostrando toda a criatividade de produtos e negócios. Também ressaltou ao público que a galeria consegue atender bem todo tipo de público, sem conflito, e isso chama atenção das pessoas. “Já recebemos a visita de CEO da Nike, de Luís Carlos Tijon, da Joven Pan, que irá apresentar sua banda de rock na semana do Agrorock, e até temos horta orgânica e células fotovoltaicas”.

O Instituto é mantido por verbas do próprio comerciante e da venda de publicidade do espaço investido na organização do espaço.