Organização da zona sul contribui com atividades de reforço escolar e recreativas

Organização possui dois espaços para atender crianças de bairros da zona sul de São Paulo, além de sistema de tecnologia para contribuir com processo de captação de recursos.

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Educadores e crianças atendidas na comedoria do Centro de Convivência José de Mococa. (crédito da imagem: Piti Reali)

Do lado de fora de um sobrado grande com paredes altas e grades, dá para escutar as crianças jogando futebol. Por dentro, o espaço é repleto de salas de aula, de leitura e outros tipos de atividades recreativas e a copa bem ampla que ajuda a alimentar crianças no café da manhã, almoço e café da tarde. Atende cerca de 95 crianças de bairros da zona sul de São Paulo, como Parque Bristol, Jardim Botucatu, Sacomã, Vila Mercês e Jardim Santa Luzia. Esse espaço é o Centro de Convivência Infantil José de Mococa, mantido pelo Instituto Créditos do Bem e Instituto Beneficente José de Mococa.

O espaço é conhecido por atividades de reforço escolar no contraturno tanto na unidade mais antiga que já possui 18 anos no Parque Bristol. Também oferece atividades de reciclagem e de incentivo à leitura. As crianças que ficam no período da manhã recebem café e almoço e da tarde recebem almoço e lanche da tarde. Para as famílias com baixa renda, a organização ainda destina cestas básicas a 12 famílias, sendo que cada um desses grupos integra de cinco a nove pessoas.

Essa unidade mais nova possui três professoras, que atendem 20 crianças por período, de cinco a 13 anos de idade. Os pais dessas crianças chegam pela fama do trabalho no bairro. As entidades recebem dinheiro de empresário da área de tecnologia e doação de alimentos e outros produtos de organizações da sociedade civil. Ainda possui consultório odontológico para casos clínicos, o dentista será voluntário, mas ainda falta material dentário para iniciar o atendimento.

O trabalho da organização é reconhecido pelos pais das crianças, já que a maioria trabalha fora e não teria como acompanhar os filhos no contraturno escolar. Daiane Boldignon é uma das mães que possui três filhos, Victor, Larissa e Isabela, na entidade. Atualmente hoje ela trabalha como ajudante de limpeza em uma empresa e uma amiga dela indicou o trabalho da organização que estava ajudando com a filha dela nas atividades escolares. “Há três anos os três estão lá. Minha filha tinha muita dificuldade de matemática, as professoras ajudam muito a esclarecer dúvidas na lição de casa da escola. Eu trabalho de segunda a sábado e fica muito corrido. Eles todos melhoraram muito na questão da disciplina e dividir os brinquedos e as coisas deles também no dia a dia”.

Angélica Cavalcante dos Santos, 10 anos, contou que está há cinco anos na organização e toma café e almoça todos os dias. Gosta do espaço, porque sempre aprende coisas novas, como dobradura e tricô. “Fez até uma bolsinha para mim toda colorida. Minha irmã também passou pela organização”.

Sua amiga Nicoly Crepaldi de Assis Ramos, 10 anos, também frequenta o espaço todas as manhãs. Adora estudar, brincar e comer. Sua brincadeira predileta é mamãe e filhinha e os filmes são: Policial em Apuros e Pocahontas. Está terminando de ler o livro High School Musical, além dos gibis da Turma da Mônica. Ela tem seis irmãos e somente dois estão na organização também. Ainda falou que sua professora da escola reforçou a importância da leitura: “Quanto mais você lê, mais você vai aprendendo”.

As professoras do espaço compartilham que muitas crianças chegam e vão embora sozinhas. São criadas pelas tias e avós maternas. Angélica Sousa Santos, empregada doméstica, 60 anos, leva todos os dias os netos Angélica Cavalcante, cinco anos, e Artur Cesar, três anos. Sua filha e seu genro trabalham o dia todo e saem cedo de casa. “Se não tivesse a organização com quem íamos deixar? Muitas crianças ficam na rua, porque os pais trabalham o dia todo. Acho muito bom o trabalho deles. Eles cuidam das atividades para as crianças e da alimentação. No fim de ano, ainda fazem uma apresentação com as crianças”.

Vânia Pinheiro de Mello, formada em Magistério e pedagoga, é uma das professoras da turma de crianças com idade de cinco, seis e sete anos. Está na organização há oito anos. Atualmente está cursando pós-graduação em Letramento e Alfabetização na Universidade Cruzeiro do Sul. Ela nota que as crianças sentem muita dificuldade na escrita e eles chegam bem indisciplinados. “As famílias não participam da vida escolar dos filhos em geral. Eles sempre dão desculpas para não virem para reuniões. Quando chegam aqui, se confrontam com regras e horários para muitas atividades”.

Camila Oliveira Silva, pedagoga e formada em Magistério, está na organização há 17 anos e cuida de uma turma com crianças de 10 a 13 anos. Ela comentou que chegam muitas crianças que não sabem ler e com dificuldades em contas básicas de Matemática.

“Cada dia é um desafio. As crianças estão agressivas e tentamos sempre trabalhar de um jeito que envolva todos”, afirma Vânia, que já passou por creches, escolas estaduais públicas e as privadas. As professoras ressaltam que sentem falta de espaços mais educativos, recreativos e com jogos para complementar as atividades no dia a dia.

Créditos do Bem

Carlos Bracco, responsável pelo projeto, entrou para estruturar a parte de captação de recursos e toda documentação em dezembro de 2018. Compartilhou que conseguiram recentemente a doação de 150 quilos de arroz pelo Movimento Comunitário Estrela Nova da zona sul de São Paulo.

A organização pretende disponibilizar uma tecnologia social para todas as entidades assistenciais interessadas em adotar, por isso foi criada o Instituto Crédito do Bem. Pretende oferecer o modelo sustentável para mais doadores ficarem engajados no projetos e mais crianças atendidas. Esse modelo consiste em conectar doadores e patrocinadores sociais para entidades filantrópicas e assistenciais. A plataforma criada chama-se S-microFunding, que permite a captação de pequenos recursos financeiros; a coleta, o transporte e distribuição de pequenas doações (alimentos, roupas, utensílios e eletrodomésticos); e a organização e agendamento de doações de atividades profissionais voluntárias.

O S-microFunding (Social Micro Fundaing Platform) compreende um conjunto de softwares e serviços agregados construídos a partir de uma plataforma tecnológica do país usadas por grandes bancos, instituições financeiras e empresas de destaque. Os principais módulos são: S-payments, S-Donatives e S-ClickSolidário.

O economista ainda esclarece que pretende conectar os pais dos alunos para ações de microcrédito. Ele fez uma atividade inicial de aulas sobre empreendedorismo para ajudar essas famílias a montarem seus planos de negócios e a ONG, em contrapartida, ofereceria o sistema de tecnologia na forma de pagamento pelos serviços que pretendem comercializar na comunidade. Por exemplo, uma família ficou bem interessada pela máquina de pagamento, já que eles vendiam yakissoba no bairro.

“Queremos estender esse serviço para as organizações usarem nosso sistema, desenvolvido pelo Grupo Check, e elas pagariam a taxa de custo das transações ”, afirma o diretor administrativo.

Conheça aqui o trabalho do Instituto Créditos do Bem e a atuação do Centro de Convivência Infantil José Mococa: http://www.creditosdobem.org.br