Organização calcula e apresenta o trabalho do cuidado

Relatório da Oxfam Brasil apresenta várias desigualdades com esse tipo de trabalho, que recai em grande parte nas mulheres e meninas.

Ilustração sobre o trabalho doméstico é essencialmente feminino e o desenho da esquerda é tipo um medidor em uma ponta uma mulher e na outra homem - dos cerca de 67 milhões de trabalhadores domésticos no mundo, 80% são mulheres. Do lado direito, desenho com várias mulheres sobre 14,5% das mulheres que estão no trabalho doméstico contra somente 1% dos homens.
O 1% mais rico do mundo detém mais que o dobro da riqueza de 6,9 bilhões de pessoas. (crédito da imagem: divulgação)

Lançado às vésperas do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), o relatório Tempo de Cuidar – O trabalho de cuidado mal remunerado e não pago e a crise global da desigualdade traz dados alarmantes sobre a desigualdade na sociedade mundial: em 2019, os bilionários do mundo, que somam apenas 2.153 indivíduos, detinham mais riqueza do que 4,6 bilhões de pessoas. O valor monetário global desse tipo de trabalho prestado por mulheres a partir da faixa etária de 15 anos é de US$ 10,8 trilhões por ano – três vezes maior do que o estimado para todo o setor de tecnologia do mundo.

É importante esclarecer que esse tipo de trabalho inclui cuidar de crianças, idosos e pessoas com doenças e deficiências físicas e mentais, além de trabalho doméstico: cozinhar, limpar, lavar, consertar coisas e buscar água e lenha.

Os 22 homens mais ricos do mundo detêm mais riqueza do que todas as mulheres que vivem na África. Uma pessoa que tivesse poupado US$ 10 mil por dia desde que as pirâmides começaram a ser construídas no Egito teria hoje apenas um quinto da soma da fortuna média dos cinco bilionários mais ricos do mundo. O 1% mais rico do mundo detém mais que o dobro da riqueza de 6,9 bilhões de pessoas.

A organização ainda calcula que uma tributação adicional de 0,5% sobre a riqueza do 1% mais rico nos próximos 10 anos equivale aos investimentos necessários para se criar 117 milhões de empregos em diversos setores, como o de educação, saúde e assistência a idosos e eliminar déficits na prestação de cuidados.

Oxfam ainda mostra que o trabalho não remunerado de mulheres vem agregando pelo menos US$ 10,8 trilhões por ano em valor à economia, cifra três vezes mais alta que a estimada para o setor de tecnologia.

A desigualdade econômica também se baseia na desigualdade de gênero e a maioria das pessoas situadas na base da pirâmide econômica são mulheres. A probabilidade de mulheres e meninas estarem em empregos mal remunerados e precários é maior e são elas que assumem a maior parte do trabalho de cuidado não remunerado e mal pago.

Em geral, o trabalho de cuidado não remunerado e mal pago é desproporcionalmente assumido por mulheres e meninas em situação de pobreza, especialmente por aquelas que pertencem a grupos que, além da discriminação de gênero, sofrem preconceito em decorrência de sua raça, etnia, nacionalidade, sexualidade e casta. As mulheres são responsáveis por mais de três quartos do cuidado não remunerado e compõem dois terços da força de trabalho envolvida em atividades de cuidado remuneradas.

Até 2025, 2,4 bilhões de pessoas no mundo poderão viver em áreas sem água suficiente em decorrência das mudanças climáticas. Muitas mulheres e meninas serão forçadas a caminhar distâncias cada vez maiores para encontrar água. Até 2030, estima-se que haverá um número adicional que: 100 milhões de idosos e 100 milhões de crianças de seis a 14 anos que necessitarão de cuidados em todo o mundo.

O estudo ainda apresenta seis recomendações sobre os direitos de cuidadores entre trabalhadoras de cuidado não ou mal remunerados e a elite rica, quem mais lucrou com esse trabalho, que são: 1) investir em sistemas nacionais de prestação de cuidados para solucionar a questão da responsabilidade desproporcional pelo trabalho de cuidado realizado por mulheres e meninas; 2) acabar com a riqueza extrema para erradicar a pobreza extrema; 3) legislar para proteger os direitos de todas cuidadoras e garantir salários dignos; 4) garantir que cuidadoras tenham influência em processos decisórios; 5) desafiar normas prejudiciais e crenças sexistas; e 6) valorizar o cuidado em políticas e práticas empresariais.

Acesse aqui o estudo: https://bit.ly/3b0bz48