O que os jovens brasileiros querem da escola?

0
651

17434671_1368967759790611_4044177265132597109_oPara responder essa pergunta, a abertura de um dos principais eventos de educação e inovação, Transformar 2017 – A Educação em Evolução, teve cinco jovens de idades e regiões diferentes para falaram suas relações com as escolas, o que gostavam e o que acreditavam que poderia melhorar. Foram eles: Derivaldo, 19 anos, de Goiânia (GO); Ana Clara, 14 anos, de Curitiba (PR); Débora, 18 anos, de Cascavel (CE); Ceci, 16 anos, de São Paulo (SP); e Arthur, do Carrão dos Carajás (PA). Todos estudam ou já passaram pelo sistema público de ensino, exceto Ceci que veio de instituição privada.

Numa roda de conversa, eles falaram o que participavam em suas escolas e como pensavam que poderiam contribuir para a educação, pontuaram dados importantes de pesquisas da área. Eles ressaltaram trechos dos estudos Nossa Escola em (Re)Construção, um levantamento com 132 mil jovens de 13 a 21 anos de todo Brasil, sobre o que eles pensavam da escola e como gostariam que ela fosse. Outra foi o Manifesto Voz do Jovem, resultado do movimento Mapa da Educação brasileira que foi criado por jovens para fazer com que todos tenham acesso a um ensino de qualidade. O Manifesto busca responder o que os alunos esperam e pensam sobre educação, quais são suas principais motivações e o que os afasta das salas de aula, qual a relevância de sua participação nos conteúdos, entre outros itens. Foram consultados 11.519 respondentes com idade entre 9 e 24 anos, incluindo alunos do ensino fundamental até o superior, de escolas públicas e privadas. Essa pesquisa foi separada em cinco campos: dificuldades, participação da família, benefícios da educação, ferramentas de aprendizado e melhorias para a educação.

17799382_1383447621675958_2954367783544708246_nArtur começou falando sobre a falta de professores em sua escola e em um período ele ajudou até a limpar os banheiros. “Minha escola estava sem assistência geral. Ela se parece com uma prisão. Sem vida, tudo cinza e as salas bem lotadas”. Já a estudante de Curitiba também reforçou o comentário de desconforto do ambiente, porque as cadeiras são duras. “O espaço é muito importante. O ambiente e estética ajudam muito. Nós passamos o período da aula inteiro desconfortável e fica difícil de aprender assim”, afirmou.

A jovem cearense falou que as salas de sua escola faltavam ventilação. As salas não tinham ventilador. “Por outro lado, tivemos a renovação da biblioteca e isso foi muito bom”.

A paulistana que participa do coletivo Eu não sou uma gracinha comentou que as cores e o ambiente contam muito no processo de aprendizagem. Falou ainda sobre um projeto de filosofia com estudantes do terceiro ano que faziam e espalhavam cartazes com frases bonitas e inspiradoras. Trouxe ainda o dado de que a pesquisaNossa Escola comprovou que 32% dos estudantes querem ambientes e móveis variados. A metade dos jovens consideram o prédio e a estrutura de suas escolas inadequadas. “O simples não deixa de ser inovador”, afirmou.

A cearense ainda comentou que a diretora de sua escola abriu espaço a jovens criarem seus próprios projetos. Os alunos tinham autonomia para criarem seus projetos e desenvolverem ao espaço da escola. “Na minha escola não tinha tanta tecnologia, mas gostávamos muito das rodas de conversa e dos projetos. Era muito bom para aprender”.

A jovem do interior do Ceará ainda defendeu que é preciso quebrar os muros da escola, para interagir mais com a comunidade. Ela elogiou as aulas de campo, porque costumam ser boas oportunidades para conhecer quem está ao redor. Ela ainda se recordou que de cada quatro em 10 jovens querem aprender com a comunidade, segundo a pesquisa Nossa Escola.

Débora ainda compartilhou nesse painel de abertura que em sua escola tem uma academia e a comunidade da região frequenta. Essa interação possibilitou ela conhecer mais as pessoas de sua comunidade e ter desenvolvido um projeto interessante e ter sido finalista no concurso Criativos na Escola.

Um incômodo geral é a pressão para a preparação ao vestibular. Todos concordaram que a escola, no ensino médio, é bem voltada para os vestibulares, especialmente as avaliações. Eles querem uma educação libertadora. O jovem de Goiânia resumiu: “Parece que querem colocar o cabresto em nós e o foco é todo no vestibular”.

Também questionaram o propósito da escola, para quê ela serve, para quem e como. A jovem do Paraná comentou que as ocupações foram bem interessantes pelo processo de aprendizagem, formato diferenciado das aulas e até os professores. Já a Ceci, de São Paulo, chamou atenção que 72% dos jovens dizem que não participam das decisões da escola, segundo a pesquisa Nossa Escola. Para ela, é muito importante a atuação dos coletivos, dos grêmios para os jovens se organizarem e serem acolhidos nesses espaços.

A necessidade de aproximação entre aluno e professor; valorização dos professores (salários e formação); estrutura tecnológica foram outros pontos comentados. Todos concordaram que as mudanças não precisam ser tão complexas e urgentes. E, por último, os jovens se posicionaram contra a reforma do ensino médio e pontuaram que gostariam de terem sido consultados. “A tendência é superlotar as turmas. Na minha escola já não tem aonde colocar mais gente. Outra proposta dentro da reforma é privilegiar algumas disciplinas e cortas outras. Eu quero é todas”, afirmaram Cecília e Ana Clara. No final da roda de conversa, Anna Penido, diretora executiva do Instituto Inspirare, disse ao final: “É importante conhecermos diferentes realidades”.

Serviço:

Site do evento: http://transformareducacao.org.br/


Data de publicação: 06/04/2017