O propósito das empresas foi o tema central da abertura do Sustainable Brands Rio 2016 no Rio de Janeiro

14825A plenária de abertura do Sustainable Brands Rio 2016 contou com diversidade de atores que atuam na área de sustentabilidade em diferentes cenários. O foco central foi a importância do propósito das organizações. O evento ocorreu nos dias 21 e 22 no Armazém da Utopia, no Cais do Porto, no centro do Rio de Janeiro.

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KoAnn, fundadora e CEO da Sustainable Life Media e da Sustainable Brands, contextualizou o evento

KoAnn Skzynirz, fundadora e CEO da Sustainable Life Media e da Sustainable Brands, falou sobre a importância da otimização de recursos nas organizações sociais para resolver problemas ambientais e paradigmas. “Se pensar em modificar como oportunidade de inovação e se pudéssemos alavancar as marcas e conseguir negócios e se nos tornássemos os heróis do século XXI. Isso há 10 anos já eram reflexões quando começamos, éramos 225 pessoas em Nova Orleans. Hoje temos vários exemplos de marcas grandes atuantes. O Sustainable Brands já percorreu seis continentes, mais de um milhão de inovadores em mais de 10 cidades, englobando Barcelona, Cape Town, San Diego, etc. já passaram 10 mil pessoas e o único objetivo é cocriação de soluções de problemas”, explicou.

A CEO da Sustainable Brands também lembrou que o evento é uma oportunidade de reunir diferentes líderes para se reconectar com a natureza e o mundo que queremos, atuar de forma coerente.

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Chris Coulter, co-CEO da GlobeScan, comentou sobre insights de pesquisa de consumo global

Chris Coulter, co-CEO da Globe Scan, especialista em relações internacionais e consultor na reputação, marca e sustentabilidade, focou sua apresentação em insights de pesquisa de consumo global voltadas para propósito. “Fornecer conteúdos e propósitos entendemos como um negócio e isso tem múltiplos desafios: repensar o que fazemos, como recriar o longo prazo e que nos empodere”.

Ele mostrou um mapa em que apresenta a situação de confiança do Brasil em 2015. “É algo muito complicado. Neste último ano, houve um pequeno aumento e isso é algo complicado por envolver três temas: credibilidade e competência, humano, propositivo e finalidade”. O palestrante ainda esclareceu que quando o tema é propósito nas empresas isso envolve desde a criação de valores relacionados a causas ambientais até o que e como faz isso.

Ele ainda comentou que há um estudo com 25 países para entender como está esse público. O primeiro insight era voltado para as oportunidades, suas intenções e apoiar as causas dos negócios. 65% querem apoiar e 63% são shareholders (acionistas). “Eles vêm como as empresas podem ser mais lucrativas e entender intuitivamente esse processo”.

E a pergunta: O que impulsiona a confiança? Segundo o especialista, foram levantados 18 atributos, como isso é feito de forma eficaz. A força matriz aqui é a confiança. “Temos que estar na defensiva, o desempenho, os consumidores pró-ativos”. Os propósitos que dirigem são estão relacionados com a cultura corporativa.

Já o outro insight envolve as principais empresas reconhecidas pelo público, como: Google, Wall Mart, Toyota, Apple, entre outras. 55% das pessoas não conseguem mencionar empresas sem propósito. Elas ainda são fortes de negócios e podem ser mais eficazes se engajar consumidor com a causa da sustentabilidade. Essa comunicação envolve grandes discussões corporativas. O propósito dá chance de fazer e construir desafios para garantir seu impacto positivo.

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Claude Ouimet, vice-presidente sênior da Interface, ressaltou a importância da mudança de valores

Claude Ouimet, vice-presidente sênior e gerente geral da Interface, no Canadá e na América Latina, iniciou sua fala mostrando o livro Confissões de um extremista industrial, de Ray Anderson. “Se começarem a planejar, podem sonhar e levar outras pessoas, inclusive os mais jovens que querem ser inspirados”. Ele comentou que homens e mulheres de negócios têm crenças e elas impactam. Também apresentou o ciclo dessas ações, que envolve: crenças, pensamentos, sentimentos para ações. “Não existe nenhum plano de negócios que podemos ignorar nossos produtos. Nossos últimos 40 anos, importante observar como vivemos e pensamos de forma diferente”.

O representante da Interface também mostrou o vídeo Net Effect, em que mostra as soluções para a rede de pesca, pensar de forma diferente e não só como matéria-prima. Ele ainda questionou que é importante pensar em 2020/2030 o que gostaria de tornar, a maior parte com objetivos e programas. “Entra uma nova forma de pensar, quando há uma missão e não sabiam o que fazer. É necessário coragem para mudar as crenças que não se encaixam mais com o futuro”, refletiu o palestrante que também ressaltou a necessidade de parar de pensar em partes e focar no todo.

Outra questão foi qual a essência da sua empresa. “Queremos ser a parte da solução, de pensar, do agir e do sentir, engajar emocionalmente e muitas coisas que importam e não estão na planilha. Outra reflexão é como interligar esses atores diversos de forma igualitária.

Na prática: mudança de cultura

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Luis Gouveia, chefe de gabinete da presidência da EDP Brasil, compartilhou processo de criação de nova cultura

Luis Gouveia, chefe de gabinete da presidência da EDP Brasil, focou sua apresentação no processo de construção da nova cultura EDP. Ele comentou que é uma empresa com estrutura tradicional do setor da energia, presente em 13 países e um dos principais players de energia renovável do mundo. “Atuamos em um setor tradicional e difícil pensar fora da caixa. Qualquer coisa que fazemos tem impacto”, afirmou.

Para o processo de mudança de cultura, o engenheiro de produção disse que foi importante considerar a autoestima do setor elétrico, quebrar paradigmas, resgate para propósito da organização e monitoramento dele. Para isso, foi necessário um processo caórdico, como classificou o palestrante, porque envolveu o clamor, caos, ordem e controle. “A natureza está entre a ordem e o caos. E como a cocriação trouxe rupturas para a vida, os clientes, inovação, partilha, respeito, ética, responsabilidade, coerência, justiça, foco com soluções e compartilhamento”.

Todo esse trabalho foi feito pela diretoria, núcleo, colaboradores e multiplicadores e grupos de trabalho. Diferentes profissionais interagiram no WhatsApp para falar o que achavam da empresa. “Saíamos de um modelo comando-controle para envolver as pessoas”, observou. A partir daí, foi possível identificar os principais problemas com um grupo de multiplicadores, em que era integrada por 210 voluntários, um movimento em rede formado por técnicos que treinaram seus gestores e chefes. Outra ação interessante após esse movimento foi a elaboração de metas com propósito. Isso considerou não somente interesses de acionistas, mas o bem-estar dos fornecedores, da comunidade e do meio ambiente.

Universidade dos saberes

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Designer Marcelo explicou a importância dos saberes de povos para desenvolvimento local

O designer Marcelo Rosenbaum falou sobre os princípios e os desafios do design essencial baseado na riqueza cultural do Brasil. Começou sua apresentação com uma carta de Pero Vaz Caminha, na época do descobrimento do país. Ele comentou sobre o afastamento da natureza e aspectos culturais do país. Também ressaltou que o design não é somente um objeto, um estilo, mas a forma de se relacionar e a necessidade do ser humano, desconstruir o objeto e o movimento de descolonizar o olhar – o que a gente e o outro precisa. Ele também ressaltou a importância de incluir o ser humano na cadeia produtiva a partir da sua vocação. Considerou ainda: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do local, a falta de oportunidades, a necessidade de capacitação e desenvolvimento de unidades produtivas. A partir desses itens, sua equipe analisou as “universidades de saberes”, espaços com muita riqueza cultural, em que incluem as relações humanas, a ancestralidade e a natureza. “Você vai trocar experiências, devolver suas unidades produtivas, o dinheiro é resultado e envolve a comunidade local, além de levantar da onde vem essa raiz, o que existia lá na alma desse povo”, explicou.

Com essa visão, nasceu o projeto A Gente Transforma, um movimento que usa o design para expor a alma brasileira através de investigação uma imersão de todos os grupos olhando para um propósito, que inclui a escuta. Isso envolve o coexistir, o peregrinar e o investigar. Ele compartilhou com o público a viagem para Várzea Queimada (PI), com um dos piores IDHs e água apenas uma vez por semana, que possui a folha de Carnaíba e borracha de pneu para confeccionar chinelos imitando Havaianas. Ele foi uma equipe de estudantes de arquitetura e designers e permacultores.

Na comunidade de Várzia, Marcelo comentou que cada um tinha uma ansiedade e acreditava na importância dos rituais, aquilo não é falado, em que possibilita abundância e possibilidades, tempo de escuta. “Em cada encontro, agradecíamos. O artesanato é uma desculpa para o encontro com a comunidade”. Após o trabalho com essa população, houve a organização de uma Associação dos Artesões de Várzea Queimada como patrimônio brasileiro e uma associação de moradores que trabalha com turismo.

O designer também explicou que o processo de criação das peças, além de envolver muito a comunidade e seus artefatos do dia a dia, também tem relação com mudança de crença sobre a confecção desses produtos, que dependem da natureza e estimula o design com as pessoas da região.


Serviço:

Site: http://events.sustainablebrands.com/sb16rio/

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Crédito das imagens: Divulgação
Data original de publicação: 28/06/2016