O poder da colaboração

Diferentes pessoas se reúnem para apresentar seu trabalho que contribuem para qualidade de vida, justiça social e defesa de direitos.

O auditório do Campus São Paulo estava cheio na tarde de quarta passada (06/12) para mais uma edição do Poder da Colaboração, um movimento idealizado por Izabella Ceccato para mostrar iniciativas da nova economia alinhadas com sustentabilidade. A apresentadora explicou a dinâmica do evento e convidou a todos para respirarem fundo e compartilhar com a pessoa ao lado um momento interessante que havia passado este ano. A atividade ajudou a todos ingressarem ao ambiente do evento com cinco rápidas apresentações.

A iniciativa possui os seguintes objetivos: desmitificar a sustentabilidade e mostrar como ela está inserida em todos os cantos e acontecendo em todas as ações, disseminar o conceito e a prática da economia colaborativa, mostrar a trajetória de economia colaborativa e as novas formas de contribuir, trazer referências nacionais e locais para contar suas experiências e refletir sobre os desafios atuais, criar coletivamente novas formas de fazer negócios e resolver problemas socioambientais e gerar conexões e colaborações para fortalecer o poder individual e coletivo.

O poder da colaboração
Fernando Conte explica cada etapa do projeto Guerreiros Sem Armas. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Fernando Conte, publicitário e responsável pelo programa Guerreiros Sem Armas (GSA) do Instituto Elos, foi o primeiro a falar e apresentar rapidamente seu trabalho no projeto GSA. Ele foi um dos 60 selecionados em uma das edições e já possuía experiência na área de terceiro setor. Aprendeu muitas coisas, principalmente na capacidade de realização e no fortalecimento das próximas edições.

Instituto Elos existe há 20 anos e é voltado para os programas de desenvolvimento humano e comunitário. “Acreditamos nas comunidades e na interdependência. No projeto Guerreiros Sem Armas (GSA), trabalhamos em duas frentes: um para jovens e outra para comunidades”, esclareceu. O publicitário ainda explicou que o GSA é um curso internacional de um ano de duração em que reúne 60 jovens de diferentes países para aprenderem uma forma inovadora de atuarem em projetos sociais. Hoje já são 519 jovens que passaram pela capacitação, de 49 países, em 10 edições e 1.557 locais impactados.

Além do vídeo institucional sobre a iniciativa dos GSA, ele apresentou imagens sobre as formações e o passo a passo do jogo colaborativo em que os participantes colocam a mão na massa para transformar o mundo. Esse jogo oferece jogos cooperativos, danças circulares, world café, comunicação não violenta, open space e pedagogia indígena.

Depois dessa formação, esses jovens retornam para suas casas e o Instituto oferece um programa de acompanhamento on-line em que apoia os projetos dos participantes. Já com a comunidade, a organização escolhe uma comunidade, preparação, imersão para depois seguirem para as iniciativas comunitárias. Já a trajetória dos participantes do GSA é a aprovação do processo seletivo, depois o jogo da abundância, a imersão, e, por último, o caminho da expansão.

Sabores na cozinha

O poder da colaboração
Mirna falou da sua trajetória profissional em diferentes cidades do país. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

A segunda participante foi Mirna Gomes, chef de cozinha, massoterapeuta e ex-participante do programa Master Chef. A jovem contou rapidamente pelos locais por onde morou e trabalhou, como região amazônica, Porto de Galinhas, Fernando de Noronha até morar aqui em São Paulo. Compartilhou com o público seu novo negócio chamado Bioma, que está desenvolvendo com mais dois amigos. Esse empreendimento pretende cozinhar, educar, ter cuidado com o meio ambiente e promover a cultura brasileira através da cozinha, valorização da mulher e representatividade no resgate às raízes.

Ela contou que iniciou a faculdade com 32 anos de idade e ela aprendeu muita coisa e pretende passar o que aprendeu sobre cozinhar e valorizar os ingredientes que temos em nosso torno. Para ela, a gastronomia é a forma da sociedade se apresentar ao outro e conhecer como a sociedade consegue se construir.

“Eu tenho influência africana e portuguesa”, afirmou a jovem. A pernambucana ainda comentou que prepara receitas brasileiras com repertório bem variado. “Se a gente dividir, estudar a cozinha de cada local, aprendemos muitas coisas”. A jovem ainda contou sobre sua infância e disse que procura valorizar a mão de obra feminina e reduzir o espaço de status entre homens e mulheres. “Queremos ser um coletivo de cozinha afetiva, limpa e justa”.

Maturidade

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Eduardo apresentou diferentes projetos do grupos de profissionais com acima de 60 anos. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Eduardo Meyer e Ary Filler, dois integrantes do 60+negócios, explicaram a proposta de trabalho do grupo formado por pessoas mais velhas e ainda interessadas em contribuir com o mercado de trabalho. Trata-se de um grupo de pessoas, com ideias, interessadas em trabalhos cooperativos e implementação de projetos. Eles se conheceram em uma ação de uma empresa de telecomunicações para ajudar a resolver três grandes problemas e em um mês conseguiram criar um programa que atendesse o que a organização pedia. “Eles viram que o velhinho também pensa e juntamos força. Decidimos continuar nos reunindo para pensar em outros projetos”.

Hoje esse grupo possui vários projetos com distintos parceiros: MasterJobs, Lab60, Unibes, Sesc, Club 50+, USP, ESPM, rádio e outros. A dupla defende que o grupo quer desmitificar a ideia de idoso não produtivo. “Queremos ser protagonistas de um novo tempo. A pior coisa é ficar sozinho”, afirmou Eduardo e defendeu que trabalho é o melhor remédio físico e financeiro.

A dupla ainda falou da célula de experiência sênior, em que eles oferecem experiências de vidas e flexibilidade e estão com três projetos em andamento com: fábrica de vassoura, escola e academia de ginástica.

Eles falaram dos benefícios da maturidade de idade e vida profissional do grupo, que nos projetos conseguem ter uma boa escuta e elaboram bons questionamentos. Defendem uma relação de trabalho colaborativo atrás de justa remuneração e pontuam as seguintes premissas: protagonismo, inclusivo, colaboração, dinamismo, presencial, experiências, prazer, humor e continuidade. A figura que representa os integrantes desse grupo é Dom Quixote. “Nós somos vocês amanhã”.

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Eles afirmaram que o trabalho é o melhor remédio nessa fase da vida. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Base – Sociedade Colaborativa

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A jovem publicitária explica o trabalho com nano empreendedores. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

“Sempre gostei e tive vontade de ajudar os outros nos projetos. Com o passar do tempo, sentia falta de uma ação a longo prazo”, afirmou Caroline Buddmeyer. A jovem publicitária contou sobre sua primeira participação no Base – Sociedade Colaborativa, em que todos os participantes tinham uma intenção de realmente abraçar essas causas e fazer até hoje de um jeito apaixonado. A Base é uma organização em que potencializa pessoas e ideias para melhorar o mundo.

A jovem explicou com mais detalhes o projeto Abacaxi, destinado para nano empreendimentos em que contribui com ideias para o espaço, material para mão-de-obra e outras necessidades. Ela compartilhou a história com o bazar Mont Petit, localizado no Capão Redondo, de Vanessa Vieira Yahia Berrouiguet. Criado em 2015, o brechó ajuda no sustento de sua família. O grupo da Base ajudou na organização do espaço, sugestões administrativas e contribuíram até num evento de moda com modelos da comunidade.

Músico sustentável

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Música mostra maleta com circuito eletrônico. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Fábio Miranda, músico e coordenador da Favela da Paz, contou sobre os sistemas de energia sustentáveis que se dedica já algum tempo. Ele se propôs a construir a maior quantidade de sistemas de energias. Ele se vê como um músico funcional e trabalha com outras áreas. Faz parte do grupo Poesia Samba Soul, com integrantes do Jardim Ângela e Jardim Nakamura.

Criada em 2009, ele explicou que a organização possui diversas iniciativas. “Nosso propósito é lutar por mudanças e incentivar projetos para se tornar uma periferia sustentável”. Ele contou ao público que seu contato com energia sustentável foi com uma viagem com seu trabalho de música o levou para uma ecovila em Portugal. Lá observou a diversidade de ações para ser mais sustentável e viu a possibilidade de implantar algumas coisas que aprendeu em sua comunidade. Em 2013, teve contato com um dos grandes especialistas em biodigestor num evento de cidades sustentáveis.

A partir daí ele buscou conhecimento para produção desse tipo de energia por meio do lixo orgânico. Mostrou em um dos slides o ciclo para isso: sistema solar, captação de água de chuva, biogás, biofertilizante, sistema biopônia e produção. “Sempre sou desafiado o tempo todo para ser melhor. É mais fácil reclamar da escuridão, do que criar uma vila sustentável”.

O músico ainda contou sobre a criação de um mapa eletrônico dentro de uma maleta, em que apresenta em diversos espaços educativos para crianças e adolescentes. Também oferece oficinas de construção de lanterna solar nas escolas, curso Seja sustentável, Seja funcional e oficinas sobre o sistema solar, hortas nas escolas, organizar grupos de jovens voluntários e atividades de permacultura.

Magic Minas

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Os treinos ocorrem de segundas na Praça Rotary, às 20h, quartas no Parque da Aclimação, às 19h, e sextas no Mané Garrincha, às 20h. (Crédito Susana Sarmiento)

Andrea Nunes, integrante do Magic Minas, um grupo aberto de mulheres de diferentes idades que se reúnem para se divertir jogando basquete na cidade de São Paulo, gerando empoderamento feminino e acesso ao esporte coletivo. A jovem joga basquete desde os 13 anos e contou como o grupo se criou.

O nome do grupo é uma homenagem à jogadora Magic Paula. Em janeiro deste ano, houve contratação de uma técnica para organizar os treinos e dar fundamentação técnica. A partir daí houve busca por uma quadra em boas condições, pública ou particular com custo acessível, foram mais de 50 quadras pesquisada, visitadas ou contatadas de clubes, escolas, universidades e em espaços públicos em São Paulo. Em abril/maio, houve uma chamada no grupo do Facebook Garotas no Poder e mais de 80 mulheres interessadas em formas o time, e ao mesmo tempo a quadra que estavam usando entrou em reforma.

Em junho deste ano, o grupo usou quadra pública do BNH no bairro da Vila Mariana, mesmo escura e quase sem pintura. Depois de umas semanas, o aro foi quebrado. Depois o grupo chegou na quadra da Praça Rotary localizada na Vila Buarque. É uma quadra pública com tamanho oficial e localização central, mas com iluminação ruim e necessidade de revitalização. Em julho de 2017, conseguiram usar a quadra duas vezes. Na terceira vez, apesar do acordo previamente combinado com os garotos que jogavam futebol para liberarem às 20h30, eles não saíram, as meninas foram intimidadas e tiveram que ir embora sem treinar.

Para conseguirem a quadra novamente, elas decidiram mobilizar pelas redes sociais com a criação de um evento no Facebook marcado para o dia 10 de julho, segunda-feira, às 20h30, chamado #AQuadraTambémÉdasMinas! Conseguiram apoio de diversos canais ligados ao basquete e ao empoderamento feminino e até da própria jogadora Magic Paula. A famosa jogadora foi ao evento junto com mais de 100 mulheres.

Após essa repercussão, Andrea apresentou os resultados do grupo: o grupo aumentou de tamanho e hoje são mais de 100 mulheres envolvidas, dessas 40 treinam com regularidade; sensibilizaram a Secretaria do Esporte e Lazer e conquistaram duas quadras públicas para os treinos e contribuíram com o planejamento estratégico da cidade; participaram de uma homenagem a fotógrafa norte-americana Kate T. Parker e seu livro Strong is the New Pretty, na Revista Glamour; o Sesc Consolação organizou um campeonato de basquete 3X3 na Praça Rotary apenas paras jogadoras do Magic Minas com mesa de árbitros, música e medalhas; e a ONU Mulheres reservou duas vagas para o Magic Minas participarem do treinamento Uma Vitória Leva a Outra.

Por último, Andrea falou da parceria com a Nike. Em troca da participação da celebração dos 35 anos de um modelo de tênis da empresa e da campanha de empoderamento feminino the Force is Female, junto com Mel Duarte, Tássia Reis, Marina Santa Helena e Lellêzinha, as jogadoras do grupo articularam: doação de bolas de basquete e uniformes, realização de oficina para customização de pares dos tênis, e leilão dos 35 tênis customizados pelas mulheres do grupo e artistas convidados. Essa verba arrecadada com leilão irá contribuir com a reforma e a revitalização completa da quadra da Praça Rotary em dezembro, beneficiando todos os usuários desse espaço e comunidade local.

Últimos pitches

No final das apresentações, foram sorteadas três apresentações até três minutos do público. A primeira a falar foi Ilana, integrante do 60+negócios, antropóloga e psicanalista, que explicou sobre sua participação no levantamento de informações importantes sobre bem-estar, beleza, sexualidade e relacionamentos. Ela está organizando a página de Facebook chamada Mundo 60+, que pretende introduzir o sentido de envelhecimento para o mundo de hoje. “Queremos mostrar o envelhecimento como um processo de finitude de forma mais positiva para fortalecer nosso legado e contribuir para viver todos juntos”.

Já a jovem Giselle falou de seu negócio chamado Pura Cafeína. A jornalista ingressou ao inverso do café em 2011 e se apaixonou por esse segmento. “Exportamos e ficamos aqui apenas com 30% do café especial”. Ela montou seu negócio para comercializar o café especial de forma mais saudável. É uma nano empresa e possui hoje cerca de 11 mil seguidores, clientes em todo país e os valores dos saches variam de 20 a 40 reais.

Vinicius foi o último a apresentar seu jogo FreshBiz, que cria um ambiente corporativo e é tabuleiro para quatro pessoas. “Ele é o oposto do banco imobiliário. Ele retira o lado competitivo e coloca a relação ganha-ganha”, enfatizou o jovem. A ideia é incluir métodos criativos de soluções de problemas, colaboração e protagonismo, os participantes ganham habilidades e aprendizados que ajudam a atingir seus objetivos no dia a dia.