O Começo da Vida traz em diferentes vozes a importância do cuidado aos bebês

14746-1O gerir, o nascer, o desabrochar… o começo de tudo na vida de um ser. Esse é um foco central do filme O começo da vida, em cartaz desde 5 de maio nos cinemas das principais cidades e nos locais sem sala podem assistir na plataforma Videocamp. O filme foca a importância da primeiríssima infância, fase conhecida entre zero e três anos de idade, e mostra que os bebês se desenvolvem não somente a partir de seu DNA, mas da combinação entre sua carga genética e as relações com aqueles que os rodeiam.

O documentário foi realizado por Estela Renner, que já tem em sua trajetória a produção de Criança a Alma do Negócio e Muito Além do Peso. É uma produção da Maria Farinha Filmes e organizado pela Fundação Bernard Van Leer, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Instituto Alana e o Unicef.

Para mostrar a diversidade cultural sobre esse tema, a diretora do filme entrevistou diversos especialistas e visitou famílias em vários países, etnias e classes sociais distintas nos seguintes países: Brasil, Canadá, Índia, China, Quênia, Itália, Argentina, Estados Unidos e França. Famílias como a de Gisele Bündchen e de Phula, uma menina indiana que cuida sozinha dos irmãos em uma comunidade em meio a obras em construção; mostrando como os cuidados e as relações nesse período são fundamentais para o desenvolvimento do indivíduo e têm impacto em todos os anos posteriores.

14748Segundo a diretora, havia inúmeras possibilidades de como contar essa história. “Cada escolha foi uma reflexão e em cada entrevista já pensava qual fala iria usar”, afirmou. Foram seis meses aproximadamente de pesquisa, elaboração do roteiro e dos personagens das áreas selecionadas, os pontos em comum e divergentes. “Criamos um filme para ficar”, disse.

Estela comentou que foram escolhidas personagens de diferentes países, palestrantes renomados e indicados pelas organizações consultadas e do segmento. Outra preocupação foi que a fala deles fosse com conhecimentos aplicáveis universalmente, conselhos que poderiam ser aplicáveis em qualquer local e família.

Vera Iaconelli, psicanalista e diretora do Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal Gerar – Brasil, foi uma das entrevistadas nessa produção. A especialista recorda que até pouco tempo atrás havia poucas produções sobre as competências do bebê. “Há coisas muito interessantes para explicar e sensibilizar sobre os cuidados com os bebês e os meios de divulgação de massa contribuem muito nessa disseminação”, afirma. Ela também ressalta que o filme também traz o debate sobre quem cuida do bebê e de quem é responsável por ele.

“Primeiro temos que valorizar cada pai e mãe, cada cuidador, que possui um estilo próprio”, diz Vera. A mestre e doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo comenta que é importante não criar protocolos e manuais aos cuidadores do bebê, já que cada pessoa possui comportamentos próprios. Ela explica que o cuidado também precisa ser afetivo, não somente ficar focado no aspecto físico da criança. “A pessoa que cuida necessita ter condições de estabelecer laços afetivos com o bebê e também precisa de suporte”. Dessa forma, ela defende o cuidado aos pais e mães dos bebês e políticas públicas de saúde.

Vera é coordenadora do do Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal Gerar – Brasil, um espaço em que se realiza curso de formação, desenvolve pesquisa em psicologia perinatal e clínica social para gestantes e mães de bebês. Ela ainda observa que está aumentando o número de avôs no curso de formação e pontua a importância dos pais também irem mais nesses espaços. “Quando falamos em perinatalidade, algumas pessoas acham que eles (os pais) não têm nada a ver. Estamos quebrando esse tabu e mostrando essa importância. É uma mudança de mentalidade”.

Na opinião da diretora, o filme tem uma conclusão bem clara aos pais e a família das crianças que é a importância da presença. “O que realmente a criança precisa é de afeto, das relações, do vínculo e da presença. E não custa caro, nossa palavra e o brincar, o nosso estar faz bem para ela. A gente precisa dar condições aos cuidadores de poderem cuidarem de seus filhos. Em alguns casos, esses cuidadores são os avôs”.

Quando questionada sobre o impacto do filme, Estela confessou que ficou marcada pela defesa da liberdade, do tempo da criança e do subjetivo. “A gente nasce muito grande, sem contorno e vai vivendo e as pessoas vão dando seus pitacos e vamos acolhendo, alterando nossas narrativas que nos pertencem. As palavras dão contorno para a biografia dessa criança. A ideia também desse filme é tentar criar ambientes livres e colocar o brincar num lugar importante na vida delas, falar de amizade. “Se isso for feito de forma equilibrada na primeira infância, ela irá carregar isso para a vida toda. Dificilmente ela irá aceitar um regime opressor, porque já está dentro dela o ser livre. Quando falo de sistema repressor, também quero incluir o marido, namorado, trabalho, entre outras situações e pessoas opressoras”.

Repercussão

Estela Renner ainda revela que está surpresa de ver a diversidade de pessoas que estão assistindo o filme e entendendo a mensagem que é voltada a todos – pais, empresários, avôs, comunidade, gestores públicos. Ainda traz debates sobre temas importantes, como questão de gênero, o cuidado e a presença com a criança, afetividade, licença maternidade e paternidade, a escolha do parto mais adequado e seguro para cada mulher, entre outros assuntos.

A psicanalista também revela que recebe mensagens quase todos os dias de pais e mães. Para ela, o filme traz uma reflexão ao espectador que não cai na culpa e sim desperta curiosidade. “Cumpre a função de estimular a pessoa a sair da casa dela para assistir duas horas de filme. Acho que foi uma escolha bem acertada a do tom do filme, afetivo, para atingir a todos”.

Expectativas

Estela quer que o público se aproprie do filme e que se sinta parte dele. “Muitas pessoas têm dividido isso comigo. Alguns comentaram que irão aumentar a licença maternidade e paternidade em sua empresa. Outros falam de suas ações para as mães dentro das suas organizações”. Ou seja, o filme está inspirando para ações práticas do dia a dia.

Acesso mundial

O filme é dublado em seis idiomas (inglês, português, espanhol, francês, árabe e chinês) e legendado em 21 (inglês, português, espanhol, francês, alemão, italiano, árabe, finlandês, norueguês, sueco, português europeu, dinamarquês, holandês, castelhano, japonês, duas versões em chinês, coreano, russo, turco e indonésio). Também estará acessível em Libras (Língua Brasileira de Sinais), closed caption (ou legenda fechada) e audiodescrição, no aplicativo MovieReading – disponível para smartphones e tablets.
Nas cidades fora do circuito em que o filme estiver em cartaz, inclusive no exterior, O Começo da Vida será disponibilizado gratuitamente no Videocamp. Por meio da plataforma on-line, os interessados podem organizar uma exibição pública em suas casas, escolas, praças, entre outros locais.

Até 11 de junho, o documentário será exibido nas unidades da Grande São Paulo e do interior do Senac. Confira aqui na notícia do Portal Senac para verificar a programação em cada local.


Serviço:

O Começo da Vida
Estreia: 05 de maio
Duração: 97 minutos
Espaço Itaú de Cinemas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Salvador);
Cinespaço (Florianópolis, João Pessoa, Santos);
Cinearte (Juiz de Fora, Belo Horizonte);
Cinemark (Manaus, Natal, Campo Grande, Aracajú, Palmas, Vitória, Goiânia, Cuiabá, Boa Vista, Recife).


Crédito das imagens: Divulgação
Data original da publicação: 01/06/2016