National Geographic e C&A lançam documentário sobre o cultivo do algodão orgânico e da moda sustentável

14720“Queremos tecer relações com toda a cadeia. Esse mesmo conceito acompanha momentos críticos da vida. O tecido sempre está envolvido na história de tudo. Os rituais de passagem, por exemplo, são sempre envolvidos com tecidos. A maioria está baseada no algodão”, ressaltou Paulo Correa, CEO da C&A no Brasil no evento de lançamento do documentário Por Amor à Moda (For the Love of Fashion), produzido pela National Geographic, em que aborda a cadeia produtiva do algodão orgânico e seus impactos na sociedade, na manhã de ontem no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.

Com 45 minutos, a produção mostra e explica numa linguagem acessível o cultivo do algodão orgânico e o impacto dos produtos que chegam até os consumidores. Com previsão de estreia aqui no Brasil dia 25 de maio, às 17h15 no canal pago da National Geographic, o documentário possui como apresentadora Alexandra Costeau, conhecida mundialmente pelo seu trabalho sobre água e questões de sustentabilidade, e ressalta a importância da mudança de paradigma na cadeia de produção da matéria-prima.

Foram entrevistados diferentes especialistas, de estilistas, a fazendeiros, produtores orgânicos e não orgânicos, defensores de algodão orgânico e até representantes de organizações da sociedade civil organizada. Percorreu Índia, Estados Unidos e Alemanha para apresentar os resultados do uso de métodos de produção mais sustentáveis. Os campos de cultivo de algodão em Madhya Pradesh, na Índia, também foram apresentados e a Alexandra mostrou a produção de algodão e prática de agricultores locais. A qualidade de vida melhorou após mudarem os métodos de produção, em que substituíram o cultivo pelo método tradicional por tecnologias mais sustentáveis. Também entrevistou especialistas em sustentabilidade da C&A para entender a necessidade de migrar o cultivo orgânico e para o fluxo internacional.

Segundo o documentário, os principais países que produzem algodão são: Estados Unidos, China e Índia. Alguns dados alarmantes são que 2,4% das terras de cultivo no mundo estão voltadas para a plantação de algodão. Esse cultivo consome 24% do total de inseticidas e 11% dos pesticidas vendidos no mundo inteiro. Porém a produção de algodão orgânico representa menos de 1% da colheita anual mundial, sendo que esse tipo de produção possui benefícios econômicos e ambientais.

Debate

Para discutir o tema, após a exibição da produção, ocorreu um debate com os seguintes especialistas: Paulo Correa, presidente da C&A Brasil; Jeffrey Hogue, diretor global de sustentabilidade da C&A; Fabio Aquino de Albuquerque, pesquisador da Embrapa Algodão; Andrea Aragon, consultora de agronegócios e precursora do BCI no Brasil; e professor doutor Lucílio Alves, mestre e doutor em economia aplicada (Esalq/USP) e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Paulo já contextualizou pontuando que o Brasil é o quinto produtor de algodão no mundo e o terceiro maior exportador. Ele ressaltou a importância de encontrar soluções corretas para contribuir com o aumento de consciência e vontade do processo de fazer ‘detox’. Para ele, após assistir o documentário, dá vontade de fazer uma limpeza das roupas que você possui.

Já o pesquisador da Embrapa lembrou que é um caminho para quem está a margem da alta tecnologia do cultivo de algodão. Andrea opinou que é uma cadeia complexa e existem grandes oportunidades para o mercado. Lucílio falou que quem determina é sempre o consumidor.

O diretor global de sustentabilidade da C&A compartilhou que a empresa comemora 175 anos de trajetória e aqui no Brasil 40 anos. “Temos valores fortes. É uma empresa dirigida pela mesma família em sua sexta geração. E o algodão é um dos principais produtos da cadeia associados a fibras, faz todo sentido para reduzir o impacto.
Paulo contou que a produção de roupas orgânicas na C&A aqui do Brasil não começou tão animadora e houve uma evolução disso nos últimos anos. Hoje quase 60% das roupas de recém-nascidos são com algodão sustentável.

Andrea explicou sobre o movimento Algodão Brasileiro Responsável e a rede internacional chamada BCI com multistakeholders. “A diferença básica é que o algodão sustentável é mais inclusivo, aceita várias formas de penetração, uso racional da água e do solo, mão de obra responsável”, afirmou. Também disse que hoje um produtor pode optar por ser integrante da BCI e licenciado e reconhecido pelo mundo.

Lucílio lembrou que há ainda uma barreira para a produção de algodão sustentável. É importante garantir comprador para o produto.

Para Paulo, é necessário ter certificações na área para promover esse tipo de produção e aumentar mais produtores nessa área.

O diretor global de sustentabilidade da C&A comentou que foi feito uma pesquisa com o mercado de varejo para valorizar a cadeia e usar fontes de algodão orgânico. “Qualquer pessoa não entendeu como chegar no mercado de varejo de sustentabilidade e uma de suas ferramentas é que 72% querem tomar a decisão certa. Embora não saibam exatamente como querem fazer isso e acho que pode poderá focar para que o consumidor entenda a importância desse tipo de cultivo”, contextualizou.

Educar o consumidor foi outro tópico comentado. Isso é um item bem importante para ele considerar não somente o valor do produto, mas a forma como foi feito, a qualidade envolvida e o processo desse tipo de produção. “É uma história que vai crescendo e hoje começa a aparecer com uma curva exponencial”, ressaltou.

Andrea defendeu que para expandir esse tipo de produção estão envolvidos vários tipos de fatores e um deles é a conscientização das pessoas na cadeia do mundo fashion do consumo. “Outro problema é o preço em relação ao algodão orgânico, porque transferência de tecnologia é bem mais complexa”, afirmou.

Jeffrey pontuou que para mudar esse cenário as marcas precisam ser arriscar, liderar para as pessoas entrarem nisso. “O consumidor precisa escolher”, disse. Também ressaltou dar suporte a pequenos fazendeiros para estimular o cultivo de algodão orgânico. Também comentou sobre a economia circular e ainda ninguém sabe como chegar lá. Há 10 anos produzíamos um milhão de trajes de roupa e atingimos atualmente 138 milhões, uma curva exponencial”.


Imagens: Divulgação
Data original de publicação: 19/05/2016