Mulheres trans em Araçatuba recebem noite de beleza e ensaio fotográfico

Alunos do curso Educador Social, Fotógrafo e Maquiador, do Senac Araçatuba, se unem para ação de beleza e fotografia com público trans da cidade.

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As modelos auxiliaram na montagem da exposição na biblioteca da unidade. (crédito da imagem: Edna Aparecida de Almeida Dias)

Inclusão social, respeito, empoderamento, histórias de vida e possibilidades de transformação foram os motivos que estimularam os estudantes do Senac Araçatuba dos cursos livres de Educador Social, Fotógrafo e Maquiador, do Senac Araçatuba, para realizar um projeto integrador, trabalho final de conclusão da formação, com uma noite de beleza e ensaio fotográfico com as mulheres trans da cidade. O objetivo principal foi dar importância para esse público e torná-las protagonistas.

Esses estudantes realizaram uma exposição dessas fotos na biblioteca da unidade. Durante a pesquisa, as equipes notaram a pluralidade de vivências, identidades, formas de ser e estar no mundo das pessoas trans e travestis entrevistadas. A pergunta central do desenvolvimento desse levantamento foi: O que mulheres trans, em estado de prostituição tem a nos dizer?

De acordo com docente de desenvolvimento social, Edna Aparecida de Almeida Dias, os alunos do Educador Social foram orientados sobre a busca de parcerias para o desenvolvimento do projeto, dentro e fora da organização. Após essa orientação, um deles já tinha feito o curso de Fotógrafo do Senac e compartilhou a ação com seu grupo do projeto integrador. Em seguida, os próprios alunos se organizaram para o contato com um dos docentes desse curso. Depois dessa conversa com esse profissional, os alunos organizaram uma roda de conversa com essa turma e resultou na parceria com o curso Maquiador, que topou logo integrar essa ação. “Depois que as três turmas já estavam integradas, realizaram vários encontros para que o projeto acontecesse da forma mais assertiva possível. As turmas trabalharam bem próximas das meninas para que todo o processo e resultado fosse apresentado de forma sensível e inclusiva”, conta Edna.

Após as reflexões em sala de aula, os principais temas estudados foram: vulnerabilidade e risco social, democracia, participação social, autonomia, discriminação, preconceito, grupos sociais e a importância do olhar do educador. “O grupo do Educador Social escolheu aprofundar e estudar mais sobre transexualidade, transgeneridade, travestis, movimento LGBTQI+ e a invisibilidade social”, explica a docente.

Os estudantes também observaram a violência vivenciada por essa população e um distanciamento simbólico que o agressor impõe à vítima para que não seja vista como um semelhante, alguém próximo. Por isso, a ideia da exposição fotográfica foi para torná-las visíveis em Araçatuba e em situação de prostituição para romper alguns paradigmas e preconceitos.

A turma de Educador Social ficou voltado para a tarefa em campo com as visitas técnicas no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e nas ruas. Os estudantes aprofundaram as pesquisas em livros, internet e a ONG Associação Gênero, Diversidade, Direitos e Afetividade (ONG Agendda) para conhecerem a realidade desse público na cidade e no país.

Quando os estudantes conseguiram três mulheres protagonistas para o projeto, eles providenciaram roupas, sapatos, acessórios para as fotos e lanches durante a atividade.

A docente comenta que essas turmas tiveram o cuidado em mostrar o que essas mulheres veem sobre seus sonhos, seus afetos e como vivem e resistem no dia a dia. “Este projeto trouxe uma reflexão muito interessante e rica para os alunos e os funcionários da unidade. Um olhar de inclusão nos proporciona um movimento de conhecimento e luta pelos direitos, desenvolvendo e concretizando as potencialidades de todos os envolvidos”, enfatiza Edna e ainda revela que alguns integrantes do grupo começaram a participar da ONG Agendda.

A estudante do curso de Fotógrafo Maria Fernanda Dias Fernandes contribuiu na organização e na comunicação entre os grupos, ensaio fotográfico, logístico e produção dos preparativos para as fotos do projeto. A jovem conseguiu implementar as técnicas, os estudos e as pesquisas fundamentais para um bom desenvolvimento fotográfico. Ela destaca o trabalho em equipe, a dinâmica entre todos os envolvidos e o resultado final com a parceria e a dedicação das protagonistas como essenciais para o resultado positivo dessa ação. “Não conhecia a realidade delas, nem tinha ideia do quanto são guerreiras e enfrentam as adversidades e seguem suas vidas. Cada uma com sua história e vivência. O projeto foi muito significativo a todos”, compartilha a estudante.

Confira as falas abaixo das protagonistas do projeto:

“Não sei, acho que é uma escolha da gente mesmo. E outra, pra a gente que trabalha na rua, se a gente for trans, a gente não vai ganhar dinheiro. Entendeu por que não né?” (Ariadne, 27)

 

“Foi, foi muito claro. Sabe aquela brincadeira pera – uva – maçã – salada mista? Tinha uma menina que queria me beijar e eu falei não! Eu não gostei daquilo! Eu queria beijar o menino! E a menina lá. Eu desconjurei, eu chorava! Aí foi onde que todo mundo começou a perceber que eu era mona. Mas eu não tive problemas”. (Rayalla Bonatto, 25)

 

“Eu me vejo uma pessoa estruturada na vida. Eu quero ter o meu cantinho, meu salão para me manter, meu parceiro e adotar crianças”. (Knanda França, 23)

 

*O conteúdo contou com colaboração da equipe de comunicação local do Senac Araçatuba.