Mulheres produzem vassouras de PET

Coletivo de mulheres em Carapicuíba produzem vassouras, varais e utensílios domésticos a partir de garrafas PET recicladas.

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O grupo é formado por oito mulheres que vivem em Carapicuíba. (Crédito da imagem: JRG Comunicação)

Oito mulheres de diferentes idades se reúnem de segunda a sexta-feira para preparar quatro tipos diferentes de vassouras feitas a partir de garrafa PET reciclada. Elas vivem em Carapicuíba (SP), tem entre 18 e 81 anos de idade, cada uma com sua realidade aprende uma nova atividade de geração de renda e contribui para reduzir o impacto no meio ambiente. Desde novembro do ano passado, o grupo faz esse tipo de produção no Centro de Economia Solidária de Carapicuíba.

Essa é uma das ações da Nova Limpet, que integra um dos projetos da Associação São Cosme e Damião. A Fundação Alphaville oferece a incubação desse projeto e doou todo o maquinário necessário. A Prefeitura de Carapicuíba, por meio da Secretaria de Trabalho, cedeu uma parte do espaço do Centro de Economia Solidária.

Além do Nova Limpet, a Associação é liderada pela presidenta Iraildes Pereira Rosa, que há dois anos organiza cestas básicas para distribuir nas comunidades de baixa renda e desenvolve um projeto de cozinha comunitária há 40 anos. “Queremos conquistar mais mercado e aumentar nossa produção com as vassouras”, reflete Elisangela Aparecida da Silva, coordenadora de produção da Nova Limpet.

São produzidas 300 vassouras por mês. Há 18 semanas as mulheres estão recebendo uma consultoria de um coaching para ajudá-las na estruturação do projeto. Zana Oliveira, diretora de projetos da Associação, é uma das integrantes do grupo e contou que estão aprendendo nessa capacitação como se comportar no momento da venda, como manter a equipe integrada e até como construir um planejamento.

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Mulheres participaram de todas as etapas, da lavagem de garrafas até montagem final das vassouras.(Crédito da imagem: JRG Comunicação)

As vassouras são comercializadas no varejo por 10 reais e a oito no atacado. Os benefícios desses produtos são: dura três vezes mais do que a vassoura comum, contribui ao meio ambiente por reduzir a quantidade de PET eliminada no meio ambiente, e essa produção está mudando a vida dessas mulheres que passavam por situações de violência em suas famílias. Para confeccionar uma vassoura, são necessárias até 12 garrafas de dois litros de PET. “As jovens estão saindo do tráfico e nossa formação aqui contribui no processo de seu empoderamento como mulheres empreendedoras”, comentou Zana.

De novembro até agora foram produzidas mais de duas mil vassouras. Em geral os clientes são empresas de limpeza e as próprias donas de casa. O grupo também produz varais e estão estudando a produção de outros utensílios de decoração para residências. As mulheres estão organizando oficinas para ensinar a fabricar vassouras e outros itens de artesanato.

Zana e Elisangela explicam que todas as mulheres passam por todas as etapas de produção e tem aulas teóricas de economia solidária até para entender a estrutura do coletivo. “Este projeto está encabeçado com a matriz africana e nossa Associação também possui o mesmo tipo de origem, por isso, tem um olhar diferenciado e estimula projetos feito por e para mulheres negras”.

Zana cursou o ensino técnico em gestão de qualidade e administrativo na Escola Senai de São Paulo. Também concluiu gestão política na Bahia e recentemente prestou ENEM para ingressar em outro curso superior. Já Elisangela concluiu ensino técnico em segurança do trabalho e segurança patrimonial.

Como se faz?

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Além da produção das vassouras, elas aprendem conceitos de economia solidária e estrutura de planejamento de projetos.(Crédito da imagem: JRG Comunicação)

Primeiro elas buscam as sacolas de garrafas PET uma vez por semana. Em cada uma das sacolas cabem de 350 a 400 garrafas. Depois elas lavam e já separam as que serão utilizadas. As ressecadas são eliminadas, porque não são boas para a produção. Em seguida, as separadas são recortadas as partes que não servem para a produção dos fios.

A próxima etapa é o corte dos fios nas máquinas. Dependendo do tipo de vassoura, é um tipo de fio. Elas possuem três tipos de máquinas para fio fino, grosso e de gari. Após essa tarefa, os fios cortados são destinados ao forno. A primeira queimada leva uns 20 minutos, e a segunda queimada cerca de cinco minutos. Do forno são direcionadas para a caixa d’água para passarem por choque térmico.

Depois dessa etapa, os fios são cortados na navalha. Elas limpam os fios e preparam maços de aproximadamente 10 cm de espessura. A união de vários maços forma uma vassoura normal. Por último passam pela máquina de cat plug.

Portanto, toda a produção é artesanal. As máquinas só ajudam na produção dos fios, no corte deles e a prender os maços. Por dia são feitas de 50 até 80 vassouras, depende do tipo das vassouras. As mais complexas são as de gari e no máximo conseguem produzir 20 delas.

Acesse o site da Fundação Alphaville: http://fundacaoalphaville.org.br/