Mulheres Digitais está em segundo ano e traz iniciativas que fortalecem o empoderamento feminino

14492No último sábado no auditório da Faculdade Cásper Líbero, dia 12 de março, foi palco para iniciativas lideradas por adolescentes, jovens e mulheres adultas com ações empreendedoras no ambiente digital, seja para defender a tecnologia como ferramenta para inovação, o movimento empreendedor, defender a igualdade de direitos de afrodescendentes, cibercultura e feminismo, produção de conteúdo feito e para mulheres, entre outros. Tudo isso marcou a segunda edição do Mulheres Digitais, com o objetivo de estimular mais mulheres e homens a participarem de mais mudanças dentro e fora do ambiente digital.

Com o título Por que fiz? Porque posso!, adolescentes e jovens que participaram do Techovation Brasil compartilharam suas experiências, aprendizados e dificuldades. A diretora executiva da iniciativa Cristianne Poppi e a embaixadora regional da baixada santista Nathalia Goes contaram como funciona a ação, como se dá o convite a estudantes e como pode contribuir para o desenvolvimento delas. Uma das jovens desenvolveu um aplicativo para contribuir com a crise hídrica, que contribui para reduzir o consumo de água e oferece dicas e tutoriais. Já outra dupla desenvolveu de doação de brinquedos a organizações sociais, chamado Toy Joy. “Antes de participar desse programa, pensava que sabia fazer, mas não me sentia capaz de realizar de fato”, contou Camila, 16 anos, estudante de curso técnico de informática.

As jovens compartilharam ainda suas principais dificuldades: escrever e concluir o plano de negócios de suas propostas e apresentar aos potenciais financiadores. Também impactam suas famílias, Camila revelou que o fato de estudar tecnologia deixou sua família curiosa e duas primas escolheram e estão cursando graduação em ciências da computação. Para elas, a programação é difícil, mas a possibilidade de construírem juntas seus projetos e contarem com suporte das profissionais da área de tecnologia do programa fica mais fácil, uma responsabilidade compartilhada. Para conhecer, acesse o site: http://www.technovationchallenge.org/brasil

“Muitas possibilidades no mundo digital, menos restritivas”, enfatizou Isabela Caper, especialista em branding pela Fundação Getúlio Vargas e MBA em ciências do consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, em sua palestra sobre Estratégias femininas revolucionando empresas tradicionais. A gerente de refrescos e doces na Ajinomoto do Brasil ressaltou a importância de respeitar as escolhas do consumidor, já que por muito tempo várias empresas sempre falaram o que ele precisava comprar. Citou o livro Show do Eu – A intimidade como espetáculo, de Paula Sibilia, em que fala do processo das pessoas se colocarem no lugar de celebridades.

14494Para exemplificar sua fala, ela citou dois casos: campanha de 25 anos da Sazón, em que usaram os próprios cidadãos como celebridades com uma gincana de culinária e os vencedores ganharam uma viagem para a Ilha de Caras. Também foi criado um aplicativo para as pessoas contarem suas histórias com o tempero. Foram mais de três milhões de pessoas falando sobre isso e como se relacionavam com esse produto em suas casas. Outro foi sobreo refresco FIT a campanha A melhor escolha é a sua. Conseguiram mais de 820 mil visualizações e 1,5 milhões de pessoas falando sobre uma marca quase desconhecida. “As pessoas estão falando delas, e as marcas se colocam genuinamente no lugar das pessoas”.

Com o tema Feminismo, Ciberciltura e os Corpos, a professora da Cásper Líbero Bianca Santana falou sobre a importância de dialogar sobre o aborto: “É preciso levar essa mulher para conversar com profissionais, ao invés de julgarem, acolherem e compreenderem a sua situação”. Ela apresentou a ilustração sobre as leis de aborto pelo mundo: Na América Latina, só é legalizado sem restrições nos seguintes países: Uruguai, Guiana, Guiana Francesa, Porto Rico e Cuba. Clique aqui para conhecer: http://worldabortionlaws.com/map/

A professora ainda trouxe algumas visões dos teóricos Weitz e Manuel Castells. O primeiro fala sobre as mulheres definirem estratégias de resistência, que atualmente são articuladas em rede, como “Ações desafiantes às ideologias que embasam a subordinação. Essas mudanças ocorrem com o decorrer do tempo”. Já Castells fala sobre como as práticas contribuem para remodelaram as relações com o impacto das novas tecnologias, até da limitação espacial. Também citou a pesquisadora de blogs e cultura digital Raquel Recuero, que foca sobre a ampliação da capacidade de conexão e a intensificação desses movimentos.

Para exemplificar, ela citou campanhas e grupos no Facebook, como mulheres que defendem o parto humanizado e compartilham suas experiências. “Elas mostram como foi com elas. Não é só dor, mas um momento de empoderamento da mulher”, comentou a professora que já fez três partos humanizados. Também falou das hashtags #chegadefiufiu, #ñmereçoserestuprada, #primeiroassédio e #agoraéquesãoelas que contribuíram para meninas, jovens e mulheres adultas falarem de episódios de violência que vivenciaram. Também citou alguns blogs que defendem direitos femininos, como de Ginecologia Natural, SempreViva Organização Feminista e Blogueiras Negras. “Juntas podemos criar estratégias de resistência”, defendeu Bianca.

Com o título Elas por Elas, Manu Barem e Clarice Passos, do BuzzFeed Brasil, apresentaram conteúdos que já desenvolveram a mulheres com debates nas redes sociais, mostrando outras formas de se comunicar e como está se transformando o feminismo. Elas falaram que as mulheres aparecem em editoriais diferentes formas, como: tema central de portais relacionais a nostalgia, feminismo, lifestyle e IDs. Conteúdos que trazem como jovem escapa de cantadas fazendo caretas até o quiz para saber se é feminista ou não. “Nessa pergunta, optamos na pergunta: você acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres?”, questionou.

Toda mulher tem um plano. Com essa proposta a jornalista Viviane Duarte criou o Plano Feminino, uma plataforma com conteúdo sobre empoderamento feminino e de workshops para contribuir com as histórias de meninas de periferias. Também citou os dados da pesquisa Por Ser Menina no Brasil – Crescendo entre Direitos e Violências, da Plan, em que mostra que 81,4% das meninas arrumam sua própria casa, enquanto 11,6% dos meninos arrumam sua própria cama, 76,8% delas lavam a louça e entre os meninos este número cai para 12,5%. Para contribuir com a orientação das meninas, a iniciativa pretende auxiliar essas meninas e jovens a desenharem suas ideias, seus planos para realizá-los. Serão oferecidas palestras sobre empatia, autoestima, empreendedorismo, liderança e educação financeira. São 20 mulheres que farão voluntariamente esses workshops. Também está aberta a novos voluntários.

Para fechar o evento, o último painel foi voltado sobre Mulheres Negras Digitais – Um debate nada velado. A ideia era falar do papel da mulher afrodescendente dentro da comunicação e no mercado. Miss Moura, publicitária e especialista em mídias digitais, atua como digital planner da Heads Propaganda e foi eleita em 2013 como uma das 25 negras mais influentes da internet pelo portal Blogueiras Negras. Primeiro ela contextualizou primeiro como eram e por quanto eram comercializados negros quando tinham de 15 a 25 anos. “Será que o negro saiu dessa situação? Entendo que essa transição foi bem difícil. Sua raça e origem foram produtos”, ressaltou. Ela sugeriu o documentário Cores e Botas, e outro em que crianças foram questionadas na Cidade do México sobre qual boneco era bonito e o feio (clique aqui). Também citou o Mapa da Violência em que traz o aumento do homicídio de mulheres negras para 54% e reduziu entre as brancas para 9,8%. No estudo da Heads Uma análise da representatividade na publicidade feminina mostrou que 25% dos protagonistas são homens, enquanto 16% mulheres e 95% brancos. Já no estudo A presença dos negros nas agências de publicidade 0,74%¨dos cargos de alta direção estão com negros, dos 893 perfis do Linkedin 3,5% são afrodescentes, de 1000 funcionários de agências de publicidade menos de 35 são negros. Para mostrar os avanços sociais, a palestrante mostrou vídeos da MC Sofia e da Beyoncé. “As coisas estão mudando e ganhando mais voz e espaço para diferentes ações”.


Serviço:

Site do evento: http://eventomulheresdigitais.com.br/


Imagens: Divulgação
Data original de publicação: 15/03/2016