Moradigna: reforma casas e constrói sonhos

Negócio social contribui na melhoria da qualidade de vida de classes populares na zona leste de São Paulo e bairros do Rio de Janeiro.

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O negócio social atende casas da zona leste de São Paulo, Itaquaquecetuba, Guarulhos e agora no Rio de Janeiro. (crédito da imagem: divulgação)

“Vai muito além das paredes, do chão, do teto de como nós fazemos as reformas. Entregamos dignidade para as pessoas viverem dentro de suas próprias casas”, revela o jovem empreendedor Matheus Cardoso, idealizador e responsável pelo negócio social chamado Moradigna voltado para reformas em residências insalubres nas periferias de São Paulo.

Recentemente o jovem foi capa de uma conhecida revista de negócios como um dos 30 empreendedores mais importantes do Brasil na lista chamada Under 30. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, também fez Pós-Graduação em Negócios Sociais e Mestrado em Políticas Públicas. No Senac São Paulo, desde a metade do Ensino Médio até a metade da universidade, fez vários cursos. “A Engenharia Civil foi muito importante, mas na prática não é voltada para a população que atendemos. Então, fazer cursos no Senac com os professores que estão no mercado que trabalham na cultura de trazer o aluno para esse universo, com certeza foi crucial para fazer o que a gente faz hoje”.

Em 2017, a empresa foi uma das vencedoras das 10 do Prêmio Incluir, criado pelo Sebrae e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) por identificar e estimular negócios sociais no Brasil na categoria Juventude de Impacto.

Criada em 2015, o Moradigna foi desenvolvido durante a faculdade de Matheus, espaço em que descobriu a área de empreendedorismo. “Quando conheci esse conceito eu vi uma oportunidade de criar um negócio para resolver um problema que tinha há muito tempo”, conta e os primeiros clientes foram as pessoas de seu bairro. A partir dessa fase, Matheus participou do programa de aceleração da Yunus Social Business. O negócio cresceu e atualmente atende de Tatuapé a Guaianases, alguns bairros de Guarulhos até Itaquaquecetuba. O objetivo é atender toda São Paulo e Brasil. No próximo ano outras cidades vão receber filiais da empresa. “Infelizmente esse é um problema de 40 milhões de brasileiros: um a cada cinco pessoas de nosso país sofrem com esse problema”.

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A mão de obra utilizada na empresa é formada por pessoas da própria comunidade. (crédito da imagem: divulgalção)

Com uma história de infância marcada pelas enchentes no Jardim Pantanal, região na zona leste de São Paulo, a primeira obra de Matheus foi o quintal da casa de sua mãe. Ele ajudou a organizar o espaço para ajudá-la a alugar vagas de garagem e conseguir uma renda extra. “Não foi programado, mas foi nosso cartão de visitas. Muitos virão como foi rápido, com eficiência e sem desperdício de material. Não era o Moradigna, mas as reformas do filho da Dona Lice. Ainda assim sou conhecido lá no Jardim Pantanal”. A partir daí nascia uma empresa destinada a pequenas reformas a baixo custo e com pagamento parcelado.

Matheus compartilha que, em geral, é o banheiro o cômodo mais solicitado. “É uma parte da casa cara para finalizar, porque envolve revestimento, parte elétrica e hidráulica, além do esgoto. Como ele é pequeno, as pessoas ignoram no planejamento e deixam de lado por falta de recursos mesmo”, sinaliza.

As casas atendidas, em geral, são das classes C, D e E. Cada trabalho custa em média R$ 6,5 mil que podem ser pagos em até 12 vezes. Além da mão de obra, o Moradigna oferece todo o material de construção. Para contar com ajuda no pagamento de reformas, o negócio ainda conta com parceiros, que são empresas de cimento, tintas e impermeabilizantes e outros produtos, por exemplo.

Os pilares do negócio são as questões centrais para uma reforma: material de qualidade, mão de obra e gestão. “Nós fornecemos os melhores materiais. A mão de obra são pessoas da região. Isso faz com que a comunidade ganhe e o dinheiro gire na comunidade. E esses profissionais também passam por cursos”, revela.

Já foram 500 reformas feitas e duas mil pessoas impactadas. Um caso que o jovem sempre se recorda é uma moradora que sua filha estava com pneumonia. “Ela ia tanto no hospital que nem a encontrávamos na casa dela durante a reforma. Após dois meses de finalizada e entregue a obra, ela foi nos agradecer e confirmar que a filha dela não tinha mais pneumonia. A bebê poderia ter o melhor tratamento, mas enquanto ela tivesse dormindo num quarto úmido continuaria doente”.

Ana Claudia Bispo dos Santos, 37 anos, dona do lar, moradora do Jardim Helena, bairro da zona leste de São Paulo, foi uma das clientes do Moradigna. Conheceu o trabalho da empresa pelo Serviço de Assistência Social à Família (SASF). Fez o cadastro e demorou um ano para equipe da empresa entrar em contato, mas quando entrou a reforma foi bem rápida, somente cinco dias. O cômodo da casa reformado foi a cozinha.

“Não tinha cerâmica no chão nem azulejo na parede. Porta velha e o chão de cimento ainda. Tinha que rebocar tudo, a parede e o teto. Eles rebocaram e deram pia nova com gabinete, até colocaram porta nova”, conta.

A cliente não pagou nada e ficou como ela tanto sonhava. “Posso limpar do jeito que eu quero agora, receber visitas sem me preocupar”, respondeu animada a moradora que desejava a reforma há quatro anos, mas não tinha dinheiro. E mais: a convivência familiar melhorou muito.

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