Monge indiano fala da natureza da mente, a importância de se distancia dos pensamentos e aceitar as mudanças para se sentir melhor no dia a dia

Young man is looking at the sunrise

“Atingiremos a felicidade, quando tomarmos consciência de que tudo é mutável”, afirmou o monge indiano Swami Nitya Chaitanya, líder espiritual e presidente internacional do Jnana Mandiram. Ele está no Brasil desde semana passada. Na quinta à tarde, ministrou uma palestra intitulada Qual a natureza da mente? na sede da Associação Palas Athena em São Paulo.

Swami atua no Ashram Kuti desde 1969, em que oferece um eremitério, biblioteca, uma escola para crianças de baixa renda e um núcleo para publicação das obras do Swami Tilak, com quem percorreu vários países. Seu papel é preservar e disseminar a história de vida e dos ensinamentos de seu mestre Babaji e de Swami Tilak.
A proposta do encontro foi falar da origem do pensamento, do movimento da mente e como isso impacta no indivíduo, além de dar dicas de como desconectar o corpo da flutuação dos pensamentos.

Ele comentou que o hinduísmo não praga que tenha um “criador” dessa religião e a verdade não é fundada por uma pessoa. “Ela sempre existiu”, afirmou.

O palestrante contou a história de uma figura sagrada e como ela falava sobre o espaço entre um pensamento e outro. Swami ainda ressaltou que somos criados para pensar muito e a busca pela meditação coincide justamente por prestar atenção nos espaços entre os pensamentos. Outra dica importante que ele deu foi que todas as coisas são mutáveis.

Outro ponto importante que ele ressaltou foi que o pensamento é diferente do pensador. Há uma diferença entre aquele que vê e o outro. “No momento em que você observa a mente, ela desaparece. Pense em quem você é, seus pais e sua família. A flutuação da mente é como as ondas do mar. Tudo vem da água. Todos nós buscamos a felicidade. Pensamos sobre como atingí-la. Onde você quer que eu esteja a mente está pensando e como dissociar? O que é a memória? Ela está relacionada com a ação. Você faz uma ação e imprimi uma memória”.

O monge indiano sugeriu ainda que a felicidade vem quando está distante da mente. Se não está conseguindo distanciá-los, falou de focar nos pensamentos positivos. “Quando você não tem mente, não tem pensamento. É plenitude, a presença de tudo. Tão sutil como gotas no oceano”, comentou.

Swami falou que o ser humano sempre está atrás da felicidade, porém fazer isso com a mente tão ativa dificilmente vai conseguir. Ele exemplificou que os cinco sentidos (paladar, olfato, audição, visão e tato) estão muito conectados com a mente. “Todos eles são sensores, sem a mente não são nada”.

O monge ainda deu a dica para não confundir o individualismo. Cada ação pense que não é você quem faz aquilo. Observar como seu organismo funciona e ele ainda disse: “As coisas acontecerão em sua vida. A saída é você se reconhecer. A mente é norma e forma. Os mantras significam justamente aniquilar a mente e eles ajudam a separar as palavras”, pontuou.

Em sua opinião, todo ser humano tem o direito de se experimentar na meditação, bem tranquila e espontânea. “Não necessita ter identificação do ser. Entrega-se ao infinito e isso já causa uma mudança significativa”, disse. Também aconselhou aos participantes da conversa que tentem se interiorizar apenas por cinco segundos no começo e aos poucos vai aumentando esse tempo. “Quando nos distanciamos dos pensamentos, ficamos mais perto do self. Nós gostamos muito da pessoa, quem está por trás da mente. Pessoas boas e más, todas, têm o direito de autoconhecimento e integração”, concluiu.


Data de publicação: 20/02/2017
Crédito do texto: Susana Sarmiento