Moda sustentável foi tema da palestra do segundo dia do Seminário Economia Verde e Criativa do Green Nation, no Rio de Janeiro

12427A moda sustentável defende a tradição alinhada com inovação e reuso de materiais respeitando um movimento mais consciente com o consumo e o impacto ao meio ambiente, além de considerar as realidades dos atores da sua cadeia produtiva. Essa visão foi defendida pelas palestrantes com diferentes atuações nesse segmento na palestra Moda Sustentável, do Seminário Economia Verde e Criativa, organizado pelo Green Nation, realizado na terça-feira (9 de setembro), no Museu da República, no Catete, no Rio de Janeiro.

Os palestrantes foram: Chiara Gadaleta, Stephannie Oliveira, Petruska Canet, Márcia Ganem, com mediação de Nadine Gonzalez e Andrea Fasanello.
As sócias-fundadoras da AWANA Brasil, Petruska e Stephannie, explicaram a origem da iniciativa. Petruska contou que conheceu a técnica baseada na cultura maia de produção de bolsas numa viagem para Guiana Francesa. Ela tem formação em engenharia florestal e paisagismo. Quando voltou para Espanha, ela testou essa ideia de criar acessórios com essa técnica e o menor impacto possível. Ela fez alguns modelos e uma presenteou para Stephannie, que questionou a possibilidade de produção em grande escala. Cada bolsa demora cinco dias para ficar pronta.

O primeiro passo foi conseguir papel, selecionar e que fosse plastificado de forma cuidadosa para durabilidade do produto. A partir daí, é feito tiras para costurá-la seguindo a técnica maia. Todas são exclusivas, já que são feitas manualmente. Os forros são elaborados a partir de tecido eliminados por fábricas têxtis. As etiquetas são da mesma fonte de papel. “A única energia que usamos é das mãos das artesãs”, sinalizou Petruska.

12428Segundo Stephannie, essa iniciativa lida com duas problemáticas: desperdício de papel e geração de renda para essas mulheres. Há quase um ano foram capacitadas 20 mulheres do Jardim Gramacho. Todos sábados elas recebem o material para confeccionarem as bolsas. Cada uma é responsável por uma parte da produção. Começaram com baixo valor e hoje já conseguiram dobrar o salário. “Há uma relação transparente com as artesãs. Elas sabem quanto de bolsas são comercializadas. A grande lição é ver a possibilidade de levar trabalho para a comunidade e impactar a vida dessas pessoas”. Atualmente são vendidas e encomendadas em uma página no Facebook: https://www.facebook.com/awanabrasil. “Luxo, pra mim, é impactar a vida dessas mulheres e que elas possam sonhar, sem estarem fadadas ao destino”, afirmou.

Já a pesquisadora Márcia explicou suas pesquisas sobre as técnicas tradicionais de manufatura em comunidades tradicionais e a fibra de poliamida. Para isso, criou uma metodologia de gestão, chamada design diálogo nas tradições artesanais. Ela é mestre em gestão social pelo CIAGS, designer de moda, diretora da Casa de Castro Alves e presidente do Instituto de Design e Inovação.

De acordo com a pesquisadora, o design dialógico é uma ação colaborativa na qual são empreendidas soluções de produtos, processos e serviços, conduzidas essencialmente pelo reconhecimento e potencialização das identidades. Para exemplificar, ela explicou o trabalho feito com a comunidade de Saubara, que contou até com a construção de um espaço cultural. Lá são 80 mulheres que trabalham com artesanato local e potenciais para a economia criativa.

“Todos ganham com esse processo, dissemina a produção, o gerenciamento de conexão, fortalecimento das matrizes identitárias, florescimento local, política de responsabilidade social de empresas, e ainda propõe novas práticas de negócios sustentáveis”, defendeu Márcia.

Já Chiara, idealizadora do movimento EcoEra, comentou que sempre pensou em reciclar tecidos, não desperdiçar e não exceder no consumo. Quando fechou sua empresa de bijuterias e joias, refletiu sobre o lixo gerado e o impacto das grandes empresas. A partir daí iniciou uma pesquisa sobre isso e descobriu que no centro de São Paulo são despejados 50 mil toneladas de sucata têxtil. Há seis anos ela atua com sustentabilidade.

A consultora ressaltou que a moda sustentável não é só moda ecológica, mas sim aquela cultural, social e econômica. Também citou a importância de considerar o ciclo de produção de roupas, incluindo a realidade dos atores envolvidos nesse processo.

A palestrante comentou ainda que no Brasil não há muitas ações de downcycling, que seria uma forma de reajustar e dar novas alternativas a produtos descartados. Para finalizar, também mostrou um trecho do vídeo sobre sua experiência de viagem nos oito biomas brasileiros, em que consultou artesões locais.

Organizado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e o Sebrae, o Green Nation é um evento gratuito que ocorrerá até 14 de setembro, com diversas atividades, de competições de futebol, passando por oficinas, ecostore, atividades socioculturais para crianças, mostra de filmes, exposições, instalações interativas que permitem ao público experimentar a sustentabilidade na prática. No Seminários de Economia Verde e Criativa, serão mais de 20 especialistas nacionais e internacionais e sete eixos temáticos.

Serviço:

Confira aqui toda programação: www.greennation.com.br
http://www.ecoera.com.br/
https://www.facebook.com/awanabrasil