Marcelo Monello, coordenador da Comissão CRC Social do CRC-SP, explica a importância do contador no dia a dia das organizações e o Programa de Voluntariado da Classe Contabil

entre-interna-marcelomonello A transparência das organizações é cada vez mais urgente na prestação de contas, tanto para aumentar sua credibilidade na sociedade quanto para uma gestão eficaz em seus projetos. Para ajudar a entender o papel do contador dentro das organizações, Marcelo Monello, conselheiro do CRC SP, sócio-diretor do Escritório Contábil Dom Bosco- Monello Contadores, especialista em contabilidade para entidades do terceiro setor, conversou com o Setor3 sobre os tipos de serviços que esse profissional pode colaborar dentro das entidades e como funciona o banco de voluntários desses profissionais no Estado de São Paulo, o Programa de Voluntariado da Classe Contabil (PVCC).

Marcelo é membro do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP) e coordena a Comissão CRC Social do CRC SP, além de atuar como coordenador do Fórum Municipal de Entidades Beneficentes de Assistência Social de São Paulo (Febas). Confira abaixo a entrevista:

Portal Setor3 – Qual a importância das organizações terem um contador em sua organização?

Marcelo Monello – É importante as entidades terem a prática da transparência nas informações da gestão. O profissional contábil é fundamental não só para transmitir a efetiva transparência nas demonstrações contábeis, mas atua também na própria gestão da entidade para fortalecê-la. As pessoas pensam muito na ponta do trabalho, somente o atendimento, e esquecem da parte administrativa, que é tão importante para que ocorra o atendimento social. Se você possui uma boa administração, reflete em um bom serviço. Toda e qualquer análise feita nas entidades é avaliada, além dos indicadores sociais, o aspecto econômico e financeiro. Com esse tipo de análise, é possível mostrar o quanto se investe nesse segmento, mensurando a eficiência e eficácia das organizações no desenvolvimento dos projetos.

Portal Setor3- Muitas organizações ainda possuem dificuldades em transformar ações em números? Como esse profissional pode colaborar nesse aspecto?

MM- O terceiro setor ainda é muito marcado pela informalidade. A sociedade pede a percepção do profissionalismo da gestão com um contador qualificado, para oferecer garantias da execução das finalidades estatutárias; prestação de serviço, da execução orçamentária nos projetos subvencionados; imunidade tributária; além de manter a boa relação com administração pública. Ele tem que assegurar as informações. Também é importante ter este profissional especializado nos assuntos do terceiro setor.

entre-interna-homeprogramacrcPortal Setor3- Um profissional desta área interessado em atuar em organizações do terceiro setor. Que tipo de formação você sugere?

MM- Hoje a demanda pede o conhecimento técnico, que encontra-se no ensino superior em contabilidade. Depois seria interessante contar com uma especialização em matérias tributárias e complementando com outras informações, como por exemplo sociologia, entre outros temas. Por exemplo, tenho formação em contabilidade, engenharia e já fui presidente do Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo (2006-08). Cada setor possui uma linguagem própria necessária para oferecer divulgação, para conhecer toda a operação das entidades. Acredito que seja interessante buscar entidades com cursos conhecidos no terceiro setor, complementando o Bacharelado em Ciências Contábeis. Temos algumas universidades com especializações em sustentabilidade, governança e gestão do terceiro setor, além de cursos, seminários e palestras, por exemplo. O CRC SP possui uma grade de cursos e seminários específicos para o setor.

Portal Setor3- Você avalia que é fundamental esse processo de transparência? Hoje qual dificuldade da organização oferece isso organizado? De que forma impacta em outros tipos de trabalhos?

MM- O profissional comprova o desenvolvimento institucional em qualquer atividade tem que se apresentar em peças contábeis, por normas técnicas. Para isso, é importante ter profissional especializado para atender as entidades. Por outro lado, as entidades precisam ter a percepção dessa necessidade, não simplesmente o aspecto burocrático, mas de gestão. Apesar de ser uma organização da sociedade civil, o objetivo é público. Não há dono, apesar de possuir diretores, presidentes, a resposta da entidade é sempre para sociedade em geral. E isso precisa ser por meio da transparência.

entre-interna-voluntariadocrcPortal Setor3- Que outros tipos de serviços o profissional de contabilidade pode ajudar no dia a dia da organização?

MM- Não são apenas atividades de escrituração. Temos auditoria interna, externa, perícia, porque vamos supor que precisa comprovar a gratuidade das entidades filantrópicas. Também pode colaborar no assessoramento, planejamento e até nos projetos. Na controladoria da própria entidade e até na gestão, há muita coisa para fazer. Eu, por exemplo, trabalho também na busca de títulos e certificações das entidades. Tudo depende da estrutura de cada organização e demanda situações. Há projetos que são subsidiados e necessitam de auditoria específica. Você tem auditoria não só contábil, mas de projetos, qualitativas e quantitativas que ultrapassam a escrituração contábil. No assessoramento das assembleias de prestação de contas e conselhos curadores.

Portal Setor3- Vocês possuem um banco de voluntários. Como funciona?

MM- O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo por sua Comissão de Projetos Sociais, a CRC-SP Social vinculados ao Programa de Voluntariado da Classe Contábil (PVCC), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), promove a sensibilização dos profissionais a desenvolverem a prática voluntária e cidadã. Já, na época de lançamento do Estatuto da Criança e do Adolescente, o CRC SP desenvolveu a Campanha Uma Ação que Vale Um Milhão, para orientar os investidores sociais a utilizarem do recurso da destinação do imposto de renda aos projetos sociais de sua região.

entre-interna-cartilhacrcHá mais de quatro anos o Conselho Federal de Contabilidade criou um programa de voluntariado da nossa classe. A ideia é estimular a prática voluntária, não necessariamente o trabalho na área contábil. Organizamos um banco de dados para que as entidades do terceiro setor com necessidades possam contar com o apoio desses profissionais.

Atualmente são 980 contadores cadastrados. O profissional com situação regular no CRC-SP é indicado na região em que ele se dispôs a tais práticas voluntárias, como: gestão eficiente da merenda escolar, assistência a organizações civil, mobilização social para doações Funcriança, Rede Nacional de Cidadania Fiscal, ações localizadas de voluntariado em políticas sociais e comunitárias, prestação de contas do terceiro setor, controle social e orçamento familiar, ações de sustentabilidade ambiental. Ele se inscreve nos projetos, em qual região atende e o Conselho registra essas informações. A ideia é viabilizar para a entidade do terceiro setor as pessoas disponíveis ao trabalho voluntário. Hoje temos 140 mil contadores cadastrados e 22 mil empresas contábeis no Estado de São Paulo.

Serviço:

Interessados em conhecer essa banco de voluntários podem acessar aqui.