Maioria dos cidadãos está ciente do impacto das mudanças climáticas e acredita que o governo brasileiro poderia fazer mais ações

ultnot-interna-mudancasclimaticas95% dos cidadãos acham que as mudanças climáticas já estão afetando o Brasil, 84% dos brasileiros afirmaram que o governo não faz nada ou faz muito pouco para enfrentar o problema e mais de 80% acham que essas ações podem trazer benefícios para a economia do país. Essas foram algumas das respostas da pesquisa Mudanças climáticas – população – O que pensa o brasileiro, realizado pelo Datafolha e encomendado pelo Observatório do Clima e pelo Greenpeace Brasil, lançado no início da semana passada.

A pesquisa ouviu 2.100 pessoas em todas as regiões do país. O objetivo da publicação é medir o conhecimento e a preocupação da população brasileira sobre as mudanças climáticas e o grau de informação em interesse sobre a microgeração de energia. O estudo usou metodologia quantitativa, por meio de entrevistas pessoais e individuais em pontos de fluxo populacional distribuídos nas áreas pesquisadas; com uma população com 16 anos ou mais de todas as classes econômicas; entre 11 e 13 de março deste ano. Foram consultadas pessoas das regiões metropolitanas e cidades do interior de diferentes portes e todas as regiões do Brasil: 15% do Norte/Centro-Oeste, 28% Nordeste, 43% Sudeste e 15% Sul.

O público consultado foi composto por: 48% homens e 52% mulheres. A ideia média girou em torno de 40 anos. O grau de escolaridade foi: 43% ensino fundamental, 42% médio e 15% superior. Já na renda familiar mensal, os participantes recebem: 42% até dois salários mínimos, 25% de dois a três salários mínimos e 16% de três a cinco salários mínimos. As classes sociais são marcadas por: 47% da C, 28% da D/E e 25% da A/B. Entre as ocupações, se destacaram: população economicamente ativa (69%), assalariado registrado (27%), assalariado sem registro (7%), funcionário público (5%), entre outros.

A maioria respondeu que as mudanças climáticas já estão afetando o Brasil (95%). Para nove em cada dez entrevistados, as crises da água e energia têm relação direta com o tema, sendo que para 74% há muita relação entre a falta de água e luz e as mudanças climáticas. 86% acreditam que as ações apresentadas para a redução do desmatamento trariam mais benefícios do que prejuízos para a economia.

Os consultados responderam que as soluções apontadas estão a redução do desmatamento, melhorias no transporte coletivo e investimentos em energias renováveis. Entre as principais vantagens, estão a redução nas despesas com eletricidade (82%), a redução dos impactos de secas prolongadas (77%), a segurança e confiabilidade dessa fonte (70%) e o fato de que se trata de uma alternativa às hidrelétricas (69%). Os moradores das regiões Sudeste e Nordeste foram os que demonstraram maior entusiasmo com o tema.

A pesquisa também consultou a população sobre o conhecimento em sistema de microgeração de energia solar: 74% disseram que já ouviram falar, 40% responderam que teriam muito interesse em instalar e 21% teriam um pouco de interesse em instalar. Já na disposição financeira para colocar um sistema de microgeração de energia solar em casa: 62% estariam dispostos a instalar esse sistema em casa. E se houvesse uma linha de crédito com juros baixos e a possibilidade de vender o excesso de energia gerado para a rede elétrica: 71% estariam mais dispostos, enquanto 29% não estariam.
“A consciência sobre mudanças climáticas vem crescendo de forma significativa. Neste ano temos um movimento de decisões importantes para cobrar compromisso que irá assumir. É importante ter um termômetro da sociedade sobre essas questões para enfrentar essa situação. Aqui temos os cidadãos falando, não são especialistas nem pessoas que atuam no segmento. É importante o governo tomar decisões considerando a fala da população”, ressaltou Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.

O doutor em biologia tropical e recursos naturais também chamou atenção para o conhecimento da população sobre os sistemas de microgeração de energia solar. “Muitas ao mesmo tempo não optam por energia solar, porque não consideram viável economicamente, porque demora muitos anos para receber o retorno do seu investimento. Se tiver incentivo como políticas para que a população instale esses instrumentos em suas casas, pode ser um bom negócio”.

Os entrevistados também responderam sobre as causas das mudanças climáticas, em que as mais apontadas foram: desmatamento (95%), queima de petróleo (93%), atividades industriais (92%), queima de carvão mineral (90%) e tratamento de lixo (87%).

O secretário-executivo do Observatório do Clima também comentou sobre a gravidade do desmatamento da Amazônia e do Cerrado: 12 km² de florestar por ano em média nos últimos anos. “Estamos nos rankings dos países que mais destroem as florestas”, disse. Dessa forma, o país está mais vulnerável e o pesquisador sugere a necessidade de uma leitura apropriada do grau de ações que forem implementadas e o conjunto de ações desenvolvidas até agora, que não foram suficientes para respostas emergenciais. “O Brasil pode fazer mais. Até agora o Brasil não tem um plano nacional de adaptação. Seria um conjunto de políticas importantes para planos de investimentos de desenvolvimento, de tecnologia, de infraestrutura e a agricultura, por exemplo”, defendeu.
Para Carlos, um dos dados importantes foi que os brasileiros estão atentos com as mudanças climáticas e a energia solar. “Esses resultados levam o governo a considerar o aumento do diálogo com a sociedade para que o Brasil coloque na mesa de negociação as propostas de redução, como conciliar o desenvolvimento com as mudanças climáticas. É bem importante que o governo perceba que o cidadão se preocupa com esses temas, considerá-los nas estratégias e que estão demandando ações e respostas por parte do poder público”.

Serviço:

Confira aqui versão resumida da pesquisa: https://goo.gl/fMPojc