Magic Paula abriu 8ª edição do Festival ABCR

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Na primeira parte de sua fala, Paula contou sua vida de esportista e suas conquistas

Em sua oitava edição, o Festival ABCR promoveu um encontro de três dias de formações em palestras, masterclasses, workshops e debates. O encontro é voltado para discutir a captação de recursos para organizações da sociedade civil. Foram três dias de evento, de 04 a 06 de maio no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo. Para inspirar, a ex-jogadora de basquete Paula compartilhou sua vida profissional e pessoal após vitórias nas quadras.

Participaram deste encontro profissionais da área de captação e mobilização de recursos de organizações da sociedade civil; gestores de associações e fundações; acadêmicos, estudantes, pesquisadores e demais interessados em compreender a situação atual e as tendências desse segmento.

Paula Gonçalves é conhecida como Magic Paula, uma das principais atletas do basquete brasileiro. Foram 22 anos como atleta. Da cidade de Osvaldo Cruz (SP), Paula contou que o gosto por esse esporte começou bem cedo e com muita insistência conseguiu treinar com sua irmã mais velha aos 10 anos de idade. Com 12 anos foi morar fora de casa para treinar e jogar em seu primeiro time profissional. Aos 14 anos, de Assis, interior de São Paulo, foi para Jundiaí.

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Compartilhou desafios e obstáculos

Ela foi uma das atletas que mais jogou em disputas mundiais pelo Brasil. Representou a seleção brasileira em inúmeras partidas e passou por dois jogos olímpicos. Em 2000 decidiu largar as quadras com 38 anos. Veja aqui matéria sobre sua última partida: https://goo.gl/3QXdAn

Ela já concluído ensino superior em educação física, mas se questionou o que poderia estudar e se dedicar nos próximos anos. E como seria sua vida após a dedicação esportiva? Ela focou na gestão esportiva. Fez cursos em empreendedorismo social, gestão esportiva e de projetos sociais, responsabilidade social e outros temas. Foi diretora por 10 anos do Centro Olímpico. Também passou pela Secretaria Nacional de Alta Rendimento. Foi uma das cofundadoras do Atletas pelo Brasil e integrante da Rede Esporte pela Mudança Social. Atualmente é comentarista da ESPN e fundadora e diretora executiva do Instituto Passe Mágica, que desenvolve projetos com foco no esporte para o desenvolvimento humano e atua na área do esporte e educacional.

Suas grandes inspirações foram Gol de Letra e Instituto Ayrton Senna, criadas por esportistas e conhecidas no terceiro setor. Ela queria contribuir com a área social e retribuir o que ganhou por meio do esporte e o que aprendeu com ele, como autonomia, assumir desafios, regras, disciplina e conviver com as nuances de perder e ganhar.

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O assistente social do Instituto Passe Mágica fala da organização

Paula compartilhou suas dificuldades em como convidar seus parceiros para a organização social. “Alguns dizem que quando você é famoso teria facilidade, isso não é verdade”, contou. Sua organização foi criada em Piracicaba e possui dois núcleos lá. “Começamos com muitas organizações sem muito planejamento, sem saber muito”, comentou. Em 2007, entrou um assistente social na organização e organizar as propostas e pensar o esporte de forma diferenciada, baseada nos quatro pilares da Unesco: aprender a conviver, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser. “Toda metodologia voltada para esses pilares, aprender a bater a bola e ainda trabalhar com três nichos: articulação e mobilização, elaboração e gestão de projetos, e produção de conhecimentos”.

Atualmente o Passe Mágica atua em São Paulo, Diadema, São Bernardo do Campo e Piracicaba. Na capital paulista, são sete núcleos atendidos. São três projetos em execução, 840 crianças atendidas nesses espaços e 13 eventos em 2015.

E como captar recursos? A primeira captação foi por meio de campanha publicitária. Nos primeiros anos foi baseada em contatos pessoais de Paula e executivos interessados por basquete. Em 2007 foi direcionada pela Lei de Incentivo ao Esporte. Com a expansão do número de beneficiários pelos projetos, teve que ter mudança na prestação de contas.

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Paula falou também da captação de recursos

Os efeitos colaterais, indicados por Paula, foram: atribuição de empresas com foco apenas na visibilidade, falta de desenvolvimento de outros canais de captação, especialização no uso da lei, excesso de burocracia para manter uma ONG, necessidade de recursos para estruturas a área de captação (depois caminhou sozinha) e insegurança no mundo corporativo e redução das despesas. “Há um problema sério com as leis de incentivo, porque é um processo demorado. Se falta a assinatura de uma pessoa, a proposta fica paralisada”.

Paula comentou que no fim de ano nas reuniões de equipe se questiona se devem continuar ou não e como devem fazer para a sustentabilidade financeira. “A insegurança é muito grande ainda. Ter uma equipe envolvida é muito importante, porque quando estou titubeando, vejo o olhar deles e fui apenas um meio para tornar isso real. O dia a dia é com eles e a causa com que trabalhamos”, compartilhou.

No fim de sua apresentação, ela mostrou o vídeo Projetado para Mover. Paula defendeu o trabalho da organização por contribuir com a saúde das crianças e disse: “Temos constituído um trabalho sério de continuidade e sempre vão ter pessoas como nós”.


Serviço:

Acesse o site do evento: http://festivalabcr.org.br/


Foto: Divulgação
Data original da publicação: 09/05/2016