Longa metragem dá voz a jovens para retratar o ensino médio da rede pública de ensino

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Crédito da imagem: Divulgação/Maria Farinha Filmes

Na última semana, dos dias 25 a 28 de maio, aconteceu o festival gratuito Ciranda de Filmes. O circuito, exibido no Espaço Itaú de Cinema, teve como uma das atrações na tarde do primeiro dia o longa metragem Nunca Me Sonharam, produzido pela Maria Farinha Filmes, a primeira produtora de conteúdo do Brasil a ganhar o selo Empresa B, de organizações que usam o poder dos negócios para criar soluções para problemas sociais e ambientais no mundo.

Os desafios do presente, as expectativas para o futuro e os sonhos de quem vive a realidade do ensino médio nas escolas públicas do Brasil: Nunca Me Sonharam traz em 90 minutos, que foram divididos em 4 blocos, um panorama desse cenário. O documentário ouviu secundaristas, educadores, pesquisadores e gestores educacionais, para entender o perfil dos alunos que frequentam o ensino público e os que deixaram de estudar.

O nome do documentário é uma frase dita por Felipe Lima, aluno secundarista do terceiro colegial no interior do Ceará, durante uma das entrevistas que compõem o roteiro. “Ninguém nunca me sonhou médico, engenheiro… Nunca me sonharam”, pontua ele em sua fala.

Em parceria com o Instituto Unibanco, que já tem iniciativas voltadas a escolas do Estado, o filme foi construído durante dois anos e teve direção de Cacau Rhoden. “Com esse trabalho, nosso principal objetivo é fazer com que as pessoas exercitem a escuta e debater esse assunto. É importante transcender os muros da escola”, ele revelou.

O filme ressaltou também a importância do sistema de cotas raciais utilizado no Brasil hoje em dia como política de inclusão.

Crédito da imagem: Maria Farinha Filmes/Divulgação

Ao fim da sessão, todos os membros envolvidos no processo de produção do filme participaram de uma roda de perguntas feitas pelo público. Durante uma hora, a plateia pôde interagir, tirar dúvidas e fazer comentários.

Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, que em 2017 completa 35 anos, iniciou a mesa. “Fizemos um trabalho de campo aprofundado para entender as escolas e suas particularidades. Felizmente, o Cacau conseguiu unir tudo isso em um trabalho incrível”, disse. Comentou, também, sobre a falta de políticas públicas voltadas aos jovens. “O Governo, no geral, esquece de sonhar com a juventude. Deixa de lado o fato de que são o futuro do país”. Para ele, o que falta no sistema educacional é diálogo entre docentes e estudantes. “O que precisa na escola é ouvir. Nós falamos muito, criticamos demais. Os jovens têm muito a nos ensinar”, disse.

“Vocês acreditam que ainda é possível sonhar, mesmo em tempos tão difíceis quanto hoje”, foi o questionamento que abriu e pautou todo o debate. A resposta de todos os participantes: sim. “Não só é possível, mas é fundamental”, destacou Cacau.

Taiane, aluna de uma escola estadual no Rio de Janeiro que também faz parte do elenco, revelou que seu maior sonho é ser professora e, depois, presidente do Brasil. “Mais interessante que sonhar, é motivar alguém a fazê-lo também. Eles são a única coisa que nos unem com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo”. O colega Felipe completou a fala: “Em um país com muita desigualdade é necessário sonhar. Os professores vendem e
formam os sonhos e a vida só faz sentido a partir desse momento”.

José Souza, que é coordenador da instituição de ensino em região periférica do Rio, revela que o bairro é um dos mais vulneráveis do Estado, com altos índices de violência. “Em 12 anos de trabalho, conseguimos reduzir o índice de evasão escolar de 40% para zero. É muito gratificante ver a aprovação de quase 90% dos alunos em vestibulares. Eu faço isso pelos alunos e suas famílias, não só por mim”. De acordo com ele, o segredo para chegar a esses resultados é a colaboração.

“A educação muda pessoas, e pessoas mudam o mundo”, finalizou Cacau. O filme está disponível na plataforma on-line Videocamp, que possibilita a organização de exibições gratuitas em qualquer lugar do Brasil.

Para mais informações sobre o documentário, acesse: https://goo.gl/YWydDV


Crédito do texto: Gabriela Lira Bertolo