Logística Reserva – mudanças nas empresas e impactos na sociedade

Do conceito até legislação no dia a dia, docentes do Senac São Paulo esclarecem esse conceito previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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Os professores explicaram o conceito e depois citaram exemplos de práticas ao público (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é um assunto cada vez mais debatido nas empresas e profissionais da área de meio ambiente e de sustentabilidade. Esse movimento está relacionado diretamente com uma das obrigações aprovadas na Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei nº 12.305 de 2010, conectado com a logística reversa.

A legislação coloca a logística reversa como um instrumento de desenvolvimento econômico e social conhecido por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

Na semana conhecida por comemorar o Dia do Meio Ambiente (05 de junho), o Senac Jabaquara promoveu a palestra Logística Reversa – mudanças nas empresas e impactos na sociedade, em que reuniu estudantes, profissionais de diferentes áreas e pessoas interessadas pelo tema.

Os palestrantes explicaram esse conceito, o cenário, os aspectos ambientais, legais e operacionais da logística reversa empresarial, os desafios nesse movimento e os possíveis benefícios para sociedade em geral. Participaram: Talita Maria de Oliveira, tecnóloga ambiental, especialista em gestão ambiental e práticas de sustentabilidade, pós-graduada em Gestão de Projetos e Formação de Auditor Líder, e docente em cursos na área de meio ambiente da unidade; e Rodrigo Cezar Mantovanelli, mestrando em Administração e pós-graduado em Gestão de Negócios, docente de Logística e Gestão de Negócios no Senac e de Gestão Estratégica de Operações na pós-graduação da Unip e trabalhou na gerência em indústria multinacional, líder de mercado mundial, com mais de onze anos de experiência.

Primeiro eles mostraram vários logos de diferentes empresas e questionaram o ponto em comum delas: os negócios sustentáveis. Eles explicaram e contextualizaram que os recursos ambientas estão cada vez mais escassos para a criação de produtos e serviços feitos pelas empresas e o descarte de materiais e produtos também é ponto de preocupação. E deixaram uma pergunta: O que o ocorre se o ciclo aumenta sua velocidade?

Os fatores que afetam o ambiente competitivo dos negócios levantados pelos palestrantes foram: dimensão econômica (crescimento do PIB, inflação, variações cambiais, taxa de juros); dimensão social (educação, costumes, crenças e cultura); dimensão consumidor (seus desejos, necessidades, valores); dimensão tecnológico (novos equipamentos, processos e materiais); dimensão legal (legislação em vigor e sistema judiciário); dimensão meio ambiente (consciência ambiental e leis de proteção); dimensão política (tipo de governo, política governamental para os diversos setores, projetos governamentais). Já os concorrentes podem ser: lançar novos produtos e serviços; diferenciar seus produtos e serviços atuais; desenvolver ações promocionais; lanças campanhas publicitárias e aumentar a participação no mercado por aquisições.

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A palestra envolveu contexto social da PNRS, assuntos e atores envolvidos nesse processo e questões legais. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Talita e Rodrigo mostraram ainda os paradigmas do desenvolvimento e da logística, envolvendo: lucro, recursos naturais e os indivíduos. Dessa forma, eles ressaltaram para um consumo responsável e consciente, como recursos hídricos, combate ao desperdício, poluição do solo e da água e a forte dependência de fontes de energia não renováveis.

Os palestrantes reforçaram o conceito de sustentabilidade com equilíbrio de viabilidade econômica, cuidado com o meio ambiente e com as pessoas. Já os fatores que fazem as empresas buscarem a sustentabilidade citados foram: ONGs, sociedade, legislação, consumidor, acionistas e as premissas do triple bottow line (conceito relacionado com sustentabilidade, em que envolve o meio ambiente, o social e o econômico).

O público questionou sobre as ações de marketing verde e as etapas para logística reversa mais consistentes. Rodrigo citou empresas que já fazem projetos de logística reversa antes mesmo de ser uma obrigação. “Agora muitas empresas estão entendendo que isso é bem importante mesmo”. Já a professora Talita chamou atenção para o público que a sustentabilidade é um caminho, ela ainda não existe. “Muitas vezes você compra uma coisa sem precisar, ou nem descarte o lixo corretamente. Se você for avaliar mesmo essas empresas vai ver falhas. Isso está mudando”.

Rodrigo ainda defende que esse movimento também envolve uma mudança cultural de todos os atores da cadeia, legislações ambientais e o novo consumidor. Ele citou o caso do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), destinado a empresas que atuam com projetos de responsabilidade social e investe nessa área. “O valor dessa empresa cresce de 20 a 30%”.

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Rodrigo mostra exemplos das empresas Puma e Comfort e da Universidade de Artes de Londres, Sang Min Yu e Wong Sang Lee. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Em sua avaliação, o docente de logística disse que a empresa sustentável precisa ter suas boas práticas. “Agora a pressão está vindo de dentro. As empresas precisam atender alguns requisitos em seus fluxos internos. Temos os relatórios de Global Reporting Initiate (GRI)”. É importante esclarecer que é um modelo de relatório que contribui os gestores a verificarem seus resultados em suas práticas sustentáveis, indicadores para mensurar impactos sociais e ambientais de suas operações.

“Cada vez mais está mudando a mentalidade das empresas, o ciclo de vida do produto e nessa responsabilidade estendida”, afirma Talita. A especialista em gestão ambiental esclarece ainda que a análise do ciclo de vida é caro, porque envolve a avaliação da estação até o descarte do produto. Por conta disse, ela compartilhou que as empresas do mesmo segmento estão se unindo para pensarem soluções e fluxos de produção mais sustentáveis.

Rodrigo mostrou casos da empresa de tênis Puma, que desenvolveu uma embalagem diferenciada aos consumidores usarem como sacola, já a Comfort, marca de amaciantes, estimula o produto concentrado, entre outros exemplos. “As empresas vão forçar o mercado”.

Produção de resíduos crescente; esgotabilidade dos recursos naturais; destinação final imprópria de rejeitos e separação entre mercado e preservação ambiental são os principais desafios atuais. Talita e Rodrigo ainda comentaram que Secretaria do Meio Ambiente e a Cetesb estão buscando parcerias com entidades da sociedade civil e do setor privado, especialmente com conceitos da economia circular, em que propõe uma transformação dos fluxos de matéria e energia em ciclos fechados, por meio do retorno dos resíduos para reuso, reciclagem ou outras formas de reaproveitamento.