Livro propõe discussão sobre sentidos territoriais e políticas sociais da cidade de São Paulo

10636No ano de debate e discussões sobre o novo plano diretor da cidade de São Paulo, o livro São Paulo: sentidos territoriais e políticas sociais se propõe a pensar o espaço urbano de modo a questionar a dinâmica socioterritorial vivida pela maior metrópole do País. Organizado por Aldaíza Sposati e Dirce Koga, assistentes sociais e pesquisadoras, a publicação da Editora Senac São Paulo é votada para estudantes e profissionais da área de arquitetura, engenharia, gestão pública, assistência social e todos os interessados no urbanismo da cidade de São Paulo sob as perspectivas socioterritoriais.

Com ensaios elaborados por especialistas, o livro procura retratar a complexidade e diversidade da cidade de São Paulo, abordando questões como os desafios para a gestão pública, a redução das desigualdades sociais, a escassez de territórios habitáveis, a especulação imobiliária e a tensão entre área social e territorial.

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O livro propõe uma reflexão sobre o espaço urbano de modo a questionar a dinâmica socioterritorial da metrópole

Aldaíza coordena o Centro de Estudos das Desigualdades Socioterritoriais e foi secretária Municipal da Prefeitura de São Paulo, onde ocupou a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (1989-1990) e a Secretaria Municipal de Assistência Social (2001-2004), além de ter sido vereadora em três mandatos (1993-2004) e ter presidido a Comissão de Políticas Urbanas e Metropolitanas. Já Dirce Koga coordena o Programa de Mestrado em Políticas Sociais da Universidade Cruzeiro do Sul e o Núcleo de Estudos e Pesquisas Cidades e Territórios, além de ter atuado nas seguintes áreas: inclusão e exclusão social, políticas públicas, território e desigualdade.

Diante de uma cidade com cerca de 12 milhões de habitantes, segundo os dados identificados pelo Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os 1.530 quilômetros quadrados de área do território paulistano parecem se tornar cada vez mais insuficientes. A cidade cresceu e se institucionalizou em 96 distritos, atendidos por 31 subprefeituras. Seguindo essa dinâmica, a verticalização, que antes era um privilégio das classes mais ricas, passou a ser a maneira mais viável de morar na cidade. Os velhos sobrados foram substituídos por edifícios que transformam a aparência dos bairros de classe média.

No primeiro capítulo, Dinâmica e Governo Intraurbano, Aldaíza Sposati relaciona o crescimento populacional da cidade e o fenômeno da verticalização com o avanço da multiplicidade dos modos de vida na cidade. “O pior nesse quadro é a sensação, cada vez mais intensa, de que falta autoridade pública capaz de universalizar a dignidade do viver em São Paulo”, aponta a publicação. As dificuldades para padronizar a qualidade dos serviços oferecidos pelo espaço urbano pode ser observada com o sistema de coleta seletiva de lixo, que devido ao tamanho da cidade é impedido de funcionar plenamente em todas as regiões da mesma forma. Como consequência, algumas localidades acabam tendo acesso reduzido a esses serviços.

O livro questiona “como assegurar vida ou padrões de segurança de vida se não sabemos dizer coletivamente o que são padrões de vida dignos em uma cidade?”. As desigualdades sociais passam a se evidenciar cada vez mais na São Paulo que precisa demolir para reerguer e desapropriar para abrir ruas. Pegando como gancho a discussão iniciada, no segundo capítulo da obra, Novas e Velhas Dinâmicas Territoriais, Dirce Koga faz uma reflexão sobre os cenários persistentes das desigualdades sociais presentes na realidade brasileira e na sua dinâmica de cidades.

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São Paulo conta com cerca de 12 milhões de habitantes

O Brasil possui grande discrepância quanto à distribuição demográfica das cidades. Os municípios considerados metrópoles, com acima de 900 mil habitantes, concentram 55% da população brasileira, embora façam parte de apenas 5% dos municípios. Diante dessas diferenças, as políticas sociais se apresentam como grandes desafios. Apenas os municípios com acima de 20 mil habitantes são obrigados a elaborar um plano diretor urbanístico. Por essas e outras questões, a medição de indicadores é limitada em unidades territoriais com baixa densidade demográfica. Porém, o outro lado das desigualdades apontadas em cidades brasileiras pode ser observados nas regiões metropolitanas. São Paulo, com a maior população do País é atendida por 31 subprefeituras e nenhum conselho de representantes. “São Paulo apesar de manter o maior orçamento municipal do país, tem como contraponto a menor proporcionalidade de representatividade”, destaca o artigo.

Tomando as unidades administrativas da cidade e suas diversidades, o livro introduz a discussão sobre o centro de São Paulo e seus novos comportamento instigantes. Para adentrar ao assunto, foram convidados os estudiosos de política urbana habitacional Kazuo Nakano e Luiz Kohara, que apresentam O repovoamento das áreas centrais de São Paulo. Na última década a região começou registrar um aumento no número de moradores, que antes tinha se distanciado da região formas precárias e habitação. O repovoamento da região do centro histórico passou a se justificar pelo reconhecimento da concentração de empregos nessa região. A questão passou a entrar na agenda de debates do nova plano diretor da cidade. Os moradores de cortiços, movimentos sociais de luta por moradia e a classe média representam vozes que mostram ainda existir vida no centro histórico da cidade.

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O livro procura retratar a complexidade e diversidade da cidade de São Paulo

Para capturar essas vozes presentes na cidade, o quarto capítulo percorre Entre Tipologias Territoriais e Trajetórias Sociais. Dirce Koga debate as mudanças nas políticas públicas brasileiras e a desigualdade social manifesta no cotidiano da população. A autora aborda os descompassos da vida paulistana, da diferença entre a cidade legal e a cidade real, os prédios da Avenida Giovanni Gronchi e a favela de Paraisópolis.

Para encerrar a reflexão sobre a cidade, no capítulo São Paulo: entre sentidos territoriais e políticas sociais, a obra traça linhas para pensar sobre a cidade. Aldaíza e Dirce apontam a ineficiência da legislação em reconhecer as particularidades da gestão de municípios com maior porte. Como pontos de discussão, levantam a isonomia da administração exercida pelas subprefeituras e chamam a atenção para diretrizes que poderiam ser adotadas pela cidade para promover a descentralização da gestão municipal.

Serviço:

Título: São Paulo – sentidos territoriais e políticas sociais
Organizadoras: Aldaíza Sposati, Dirce Koga
Editora: Senac São Paulo
Páginas: 380


Crédito do texto: Marina Lopes
Data de publicação: 30/10/2013