Livro oferece dicas a projetos sociais

Autora do livro Projetos Sociais em Pauta conversa com o Portal Setor3 sobre os impactos da pandemia a projetos e como os brasileiros estão vendo a atuação desses atores sociais.

Ilustração de um bonecos segurando linha histórica com pontos em relevos. No canto inferior direito Logo do Senac São Paulo.
No livro, a autora indica quatro características essenciais: liderança, capacidade de delegar e formar equipe, trabalho em rede e criatividade. (crédito da imagem: divulgação)

Rosana Kisil, autora do livro Projetos Socias em Pauta – Um Roteiro de Construção Coletiva, da Editora Senac São Paulo, conversa com a equipe do Portal Setor3. A publicação serve como um guia sobre o assunto. Mestre e especialista em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e engenheira agrônoma pela Esalq – USP, atua profissionalmente em consultorias estratégicas e como gerente executiva de sustentabilidade, compliance e comunicação corporativa. Também é autora dos livros Manual de Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil e A Molécula da Sustentabilidade nas ONGs: um modelo aplicado às organizações sem fins lucrativos, além de ter escrito artigos, capítulos e adaptações de textos relacionados ao terceiro setor. Confira abaixo a entrevista:

Portal Setor3 – Qual a importância da publicação em tempos de pandemia para a área de gestão de projetos sociais? Quais as principais contribuições?
Rosana Kisil- Um livro sobre projetos é sempre útil, em qualquer tempo, pois ideias e necessidades não param de surgir; mas, nesta época de pandemia, o que faz este pequeno livro ser especialmente interessante é que ele trata de projetos sociais à luz da Sustentabilidade. Muitas ações que surgiram em função dessa crise sanitária e econômica podem se consolidar no futuro como projetos e soluções interessantes, já que nasceram do impulso de criatividade e urgência que são próprios de situações disruptivas. Um grupo espontâneo que se forma e atua numa ideia pode estar inventando uma novidade sem mesmo perceber. A disrupção favorece novidades, algo novo para um tempo novo.

Portal Setor3 – Quais são dicas essenciais na elaboração de propostas para os editais/chamadas atuais?
RK- O novo cenário fez emergir correntes de solidariedade. Mas, a pergunta da filantropia é: quais dessas iniciativas propostas podem atravessar o período atual e gerar benefícios contínuos para o futuro?
Então, devemos nos lembrar de algumas palavras chave que se encontram na motivação dos investidores/doadores: geração de renda – envolve o empreendedorismo, os negócios de impacto social, os negócios sociais e as iniciativas que alavancam o trabalho e renda familiar; inovação coletiva – articula diferentes atores na produção de novas cadeias produtivas de resultados e amplia a capacidade coletiva de atuar e compreender o mundo atual, a situação exata dos tempos que estamos vivendo; confiabilidade – envolve a transparência e a credibilidade de organizações e pessoas envolvidas, pois não há mais tempo a perder e ninguém quer perder tempo com problemas que podem ser evitados com a confiança entre pessoas e organizações. Incorporando dessas dicas, as chances de um projeto ser selecionado em editais aumentam fortemente.

Portal Setor3 – Em pesquisa recente sobre o impacto da pandemia nas OSCS, mostra que cerca de 74% tiveram redução de recursos este ano. Quais ações práticas do dia a dia as OSCs precisam focar no processo de mobilização de recursos?
RK- A prática da transparência. Há uma tendência de resgate de credibilidade das OSCs. Se houve um período triste em que as OSCs e a filantropia em geral ficaram desacreditadas, hoje e antes mesmo da pandemia ela já vinha se recuperando. O Relatório Brazil Giving Report 2020, que monitora a percepção da cultura de doações (CAF Global Alliance – IDIS), mostra um resgate tímido de 7% em relação ao ano anterior. Agora, a tendência é que essa percepção fique ainda mais receptiva, já que a atuação dessas organizações foi forte.
A prática da responsividade. As OSCs que atuam diretamente na pobreza, fome, trabalho, saúde, meio ambiente respondem aos anseios de toda a sociedade. Conseguem mobilizar recursos mais rapidamente – trabalho voluntário, tempo, dinheiro, talentos. É hora de focar nas causas que mais assolam a população e ser responsivo a elas. Essa capacidade de ser responsivo ao que mais preocupa as pessoas atrai mais capital humano e financeiro.
A prática da simplicidade calorosa. É hora de facilitar. Facilitar ao doador, mas sem ser frio e distante numa plataforma de doação. Facilitar não só o ato de doar, mas, o ganho espiritual que a mobilização de recursos gera. Encarar a relação com o doador/investidor como uma relação humana – significa ver o outro com simplicidade, aproveitar momentos de contato no mundo virtual para educar, explicar, perguntar, dialogar com os parceiros. Menos correria no tempo das coisas e mais contato verdadeiro entre os interessados. Isso ajuda a fidelizar os recursos mobilizados.

Portal Setor3 – Além da crise sanitária, o país vive uma gestão complexa para organizações de sociedade civil que defendem pautas essenciais na redução das desigualdades. Quais perspectivas você enxerga de políticas públicas para a área social?
RK- Não enxergo. Estou procurando enxergar, mas, ainda não enxergo. Vivemos numa fase difícil para as árvores, para as pessoas, para os bichos, para os rios, para os oceanos, para o ar. Precisamos de uma revolução espiritual, uma renovação no sentido da vida e uma nova significação para o dinheiro e o poder.

Portal Setor3 – Em sua análise, os brasileiros estão conhecendo mais o trabalho das OSCs e sua atuação no dia a dia para redução de impactos das desigualdades sociais?
RK- Os brasileiros estão perdidos na política mal feita. Não acho que estão conhecendo mais o trabalho das OSCs, mas, sim, sendo obrigados a ver as OSCs trabalhando. O potencial resultado disso é que vão respeitá-las mais, num futuro próximo. Já começou. Mas, isso não é fruto do conhecimento, acho que a ignorância sobre OSCs permanece, é fruto da visibilidade. Cabe às OSCs darem um passo agora e aproveitarem para “educar” os brasileiros nesse assunto.
Por exemplo, as OSCs que defendem a causa do meio ambiente. Todas atônitas sobre os desmandos do governo federal, mas, não se ouve delas uma voz coletiva. Elas podem dar um passo a mais do que estão dando, podem fortalecer a opinião pública, poderiam atuar coletivamente e integradas entre si, mas, ainda não vimos isso acontecer.
E podemos ir, de causa em causa, analisando como as OSCs poderiam ser mais inovadoras e integradas entre si, aumentando a potência de sua voz.

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