Livro BiodiverCidade traz discussão sobre Unidades de Conservação

_MG_1749O mundo não pertence só aos seres humanos, mas a todos os seres vivos que o habitam. Sendo assim, é importante refletir sobre qual o papel das áreas protegidas dento de várias cidades do Brasil. Como elas afetam a vida da população? Pensando em responder essa e outras perguntas, Érika Guimarães e Angela Pellin, em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPE, escreveram o livro “BiodiverCidade – desafios e oportunidades na gestão de áreas protegidas urbanas”. A editora responsável pela publicação é a Matrix.

Sobre as autoras

Erika Guimarães é formada em biologia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, com mestrado em ciências, botânica e biologia vegetal, pela Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenadora de áreas protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Angela Pellin também é bióloga. Formou-se pela Universidade Federal do Paraná, fez sua especialização em biologia da conservação e, por fim, é doutora em ciências da engenharia ambiental pela Universidade de São Paulo. Hoje em dia, Angela é pesquisadora do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e docente no curso de mestrado da ESCAS – Escola de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

A obra

O livro possuí 199 páginas e está dividido entre a análise de quatro Unidades de Conservação (UCs). O objetivo do mesmo é trazer à tona alguns debates especialmente pensados para promover uma reflexão sobre o papel das áreas protegidas dentro das metrópoles e sobre a necessidade de preservarmos esses espaços. São apresentados e discutidos alguns de seus valores ambientais, socioeconômicos, culturais, estéticos e educacionais e os problemas mais frequentes.

As UCs são fator importante no equilíbrio entre natureza e cidade. Elas são responsáveis por nos garantir qualidade de vida com a geração e qualidade da água, por exemplo, além de fertilidade dos solos, equilíbrio climático e qualidade do ar. Sem contar, é claro, da proteção de áreas de relevante beleza. Os benefícios são muitos. Também vale destacar que essas áreas guardam uma biodiversidade pouco conhecida e com os avanços da ciência poderemos até mesmo encontrar a cura para muitas doenças ou outras matérias-primas que poderão ser utilizadas em nosso dia a dia.

As quatro UCs estudadas no livro foram propositalmente escolhidas e todas elas têm um fator em comum: estão situadas dentro de grandes capitais brasileiras e isso as torna realmente importantes. O Parque Estadual da Pedra Branca, por exemplo, é considerado o maior do Brasil e um dos maiores do mundo, quando se refere a parques urbanos.

O fato delas estarem inseridas em um contexto urbano de crescimento contínuo faz com que haja um sentido de urgência acerca das mesmas e, ao mesmo tempo, aponta para a necessidade de percorrer novos caminhos na busca da solução destes problemas que se encontram em torno das UCs brasileiras, bem como pensar sobre as novas nuances que são adicionadas em razão do contexto dessas áreas.

Alguns municípios e suas prefeituras, com o passar do tempo, ficaram mais atentos com a manutenção e preservação dessas áreas, apesar de ainda não ser prioridade. São Paulo e Rio de Janeiro são exemplo dessa mudança.

As autoras citam que o conceito de áreas protegidas deve incorporar também as reservas legais, âmbito de preservação permanente, além de terras indígenas e quilombolas. Perguntamos para Angela sobre os direitos dessas populações e, se nos últimos anos houve algum tipo de avanço ou retrocesso. “Com relação aos povos indígenas nos últimos anos com ampliação da proteção legal aos direitos desses povos e o aumento do número de terras demarcadas. Por outro lado, conflitos ainda existem, principalmente associados a ruralistas e outros setores econômicos que têm interesse nas áreas ocupadas por esses povos”, respondeu.

Êxodo rural, falta de amparo a pessoas que saem de suas terras e vem para a cidade tentando lugar no trabalho de mercado e o esgotamento de recursos naturais básicos também são uma preocupação ilustrada no livro. Para Angela Pellin, a solução é uma política de longo prazo de valorização dos ambientes rurais, fornecimento de serviços e oportunidades para que os moradores do campo tenham interesse e condições de permanecer nessas áreas. O livro aponta que hoje em dia metade da população mundial vive em centros urbanos, e a perspectiva é de que até o ano de 2030 esse número duplique.

Quando questionadas sobre hidrelétricas e se elas afetam as áreas naturais do Brasil, a resposta foi sim. “Certamente as hidrelétricas podem constituir grandes ameaças às nossas áreas protegidas, mas também temos que considerar que precisamos de energia e por isso seria muito importante que a política de expansão hidrelétrica caminhasse de forma articulada às políticas de conservação da biodiversidade”, disse uma das autoras.

Angela dá um conselho: em caso de desmatamento e qualquer outro crime ambiental, deve-se identificar e trata-se de uma área gerida pelo ICMbio, pelos Estados ou municípios. Muitos órgãos possuem ouvidorias onde é possível fazer denúncias. Também é possível entrar em contato com a Polícia Militar Ambiental ou até mesmo o Ministério Público para fazer a denúncia.

O livro custa de R$45,00 à R$50,00 e pode ser adquirido em inúmeras livrarias por todo o Brasil.

Serviço:

Título: BiodiverCidade – Desafios e Oportunidades na Gestão de Áreas Protegidas Urbanas
Autor: Angela Pellin e Érika Guimarães
Editora: Editora Matrix
Páginas: 199
Preço: de R$45,00 à R$50,00


Crédito do texto: Da Redação
Data de publicação: 19/09/2016