Librário dissemina Libras de forma divertida e simples

Librário é um dos recursos educativos no Centro Cultural Banco do Brasil em BH, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo aos fins de semana (Crédito da imagem: Yuri Albuquerque)

“O simples seria a resolução do complexo”. Partindo desse pressuposto, Flávia Neves, professora de Artes Visuais, desenvolveu um projeto na época de sua graduação inicialmente era criar uma luva que traduzisse Língua Brasileira de Sinais (Libras) para o português e contribuiria com a inclusão do surdo na escola básica. Pensando em uma tecnologia mais simples, veio a ideia de criar um jogo de cartas acessível a todos, que usasse fotografias, papel e tesoura. Dessa forma surgiu o Librário, uma tecnologia que pretende contribuir com a universalização da comunicação entre surdos e ouvintes.

Flávia comentou que essa tecnologia foi desenvolvida por diferentes profissionais, como designers gráficos, fotógrafos, professores de Libras e outros que ajudaram nesse processo. Também contaram com a parceria com familiares de surdos e intérprete de Libras. “Foi uma troca coletiva”, afirmou.

Essa tecnologia social consiste em um jogo de cartas em que enfatiza a imagem iconográfica, sinal de Libras e a palavra em português. A ideia é promover a inclusão do surdo na escola e disseminar essa linguagem aos ouvintes também. O primeiro Librário foi feito de forma geral e com palavras que compõem o dia a dia. Já o segundo é do campo semântico das artes e traz elementos da linguagem visual, que são: ponto, linha, forma, cor, pintura, escultura e fotografia. “O Librário dá para trabalhar em qualquer local onde tem câmera fotográfica e uma impressora. Nós queremos que todas as crianças surdas sejam incluídas no sistema de sinais e que todas as escolas possam utilizar. Pelo menos aprender o básico de Libras, para que toda a comunidade seja bem-vinda a todo lugar que for e facilitar o ouvinte a aprender”.

Em 2015, o Librário recebeu prêmio na categoria universidade no Prêmio Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil. No ano passado, ganharam um prêmio no Brasil Criativo e criaram um aplicativo do Librário com patrocínio da Companhia Energética de Minas Gerais S.A (CEMIG). Essa tecnologia está disponível tanto para o computador quanto ao celular. Do dia 03 de março do ano passado até nove de junho deste ano, foram mais de 5 mil downloads do aplicativo pelo Brasil todo, sendo 35 do México.

Librário é um recurso a surdos e ouvintes e todas faixas etárias (Crédito da imagem: Yuri Albuquerque)

“Tudo começou lá no centro de pesquisa que já trabalha com ideias inovadoras em design e busca soluções a problemas da sociedade. A questão de inovação e tecnologia social já tínhamos como disciplinas na grade da universidade. Aprendemos sobre empreendimentos criativos e negócios sociais. Foi a partir daí que pensamos e desenvolvemos o Librário, uma tecnologia social replicável, simples e acessível”, afirmou. Ela ainda comentou que apresentar essa ferramenta de forma divertida foi importante para as pessoas terem menos preconceito. “Às vezes a pessoa nem sabe que existe Libras. Por outro lado, ela está ali querendo ser inserida e acaba sendo segregada pela língua mesmo”, refletiu.
Entre os principais desafios, a idealizadora do projeto levantou: aprendizagem das Libras e captação de recursos. O Librário está presente no Centro Cultural do Banco do Brasil no programa Educativo das unidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. Essa iniciativa utiliza como ferramenta pedagógica para a inclusão das Libras no próprio museu. “Sempre fazem rodas com os visitantes”, compartilhou Flávia.

Flávia revelou ainda que ela está enviando o projeto do Librário a editais voltados para inclusão e educação, para continuar com oficinas a multiplicadores e desenvolver outros tipos de Librários. “Fazemos muitas oficinas para as escolas públicas”, afirmou. Ela esclarece ainda que o foco é atingir todos, principalmente professores, pedagogos, psicólogos para disseminarem ainda mais a ferramenta. “Um amigo surdo estudante de engenharia tem interesse em nos ajudar a desenvolver Librário voltado para ensinar matemática”, contou. Também será publicado um projeto numa plataforma de crowdfunding para conseguirem recursos para produção de Librários de artes em geral e o seu manual. Provalmente será lançada em setembro.

Danilo Filho, coordenador de ações educativas no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (MG), explicou que esse jogo é uma das atividades do programa Educativo aos finais de semana. “Apresentamos como funciona e convidamos o público para participar. Em geral, são de 20 a 30 pessoas que têm contato com essa plataforma de todas as faixas etárias.

Ele percebe que há dois pontos positivos. Um que as pessoas aprendem brincando: “didática do prazer”. A outra questão é ter alguém entendendo Libras. “Você olha um ponto e já compreende o final tridimensional nas cartas. Não trabalhamos apenas com pessoas com deficiência, mas para aqueles que não tem também. É importante mostrar que é outra linguagem, outro idioma”.

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Crédito do texto: Susana Sarmiento
Crédito das imagens: Yuri Albuquerque