Investimentos sociais ainda priorizam educação

Pesquisa BISC mostra crescimento de 41% de 2016 para 2017, mesmo com recesso econômico.

Crédito da imagem: divulgação

Com trajetória de 10 anos, a pesquisa Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC) acompanha os valores investidos por empresas em projetos de responsabilidade social e constatou que em 2016 foram destinaram R$ 2,4 bilhões a projetos sociais no Brasil. Esse valor representa um crescimento de 41% comparando com o ano de 2017.

O BISC é uma ferramenta criada pela Comunitas  para acompanhamento anual dos investimentos sociais privados no país. Possui uma parceria com o Committee Encouraging Corporate Philanthropy (CECP) e com a Exchange, que possibilita comparar essas aplicações com os padrões internacionais e aferir a evolução dos compromissos sociais das empresas participantes, extrair a percepção dos gerentes sobre a qualidade das aplicações, buscar novos temas para auxiliar na formulação de estratégias e melhorar o desenvolvimento.

A pesquisa ainda mostra que os recursos investidos nesse segmento, em geral, 19% deles são originados de incentivos fiscais.

A pesquisa foi feita com 268 empresas, 18 institutos, fundações e traça uma mudança no perfil dos projetos realizados ou apoiados por empresas e institutos relacionados com elas nos últimos 10 anos. Também foi observado que ações isoladas, pontuais e assistencialistas estão sendo substituídas por projetos mais estruturados ligados a causas sociais e alinhados ao negócio.

Em 88% das empresas, a agenda de atuação social está direcionada para alinhar os investimentos sociais na área de atuação e 40% delas já destinam mais de 80% de seus investimentos a projetos alinhados ao negócio.

Houve ainda uma mudança da distribuição do capital. Em 2009, a região Sudeste foi beneficiada por 47% dos investimentos, enquanto Norte e Nordeste receberam somente 19%. No ano passado, o cenário inverteu, porque a distribuição para os Estados Norte e Nordeste representou 42%, enquanto o Sudeste recebeu 28%.

Outro dado importante é que a educação continua como prioridade: 41% do total dos recursos. Nos últimos anos, também foi constatado que a condução desses projetos ficou mais a cargo de institutos e fundações. Em 2009, as empresas respondiam diretamente por 35% dos investimentos em educação. Em 2016, esse percentual caiu para 16%.

Quase todas as empresas do grupo BISC envolveram organizações sem fins lucrativos em seus projetos e o volume total desses recursos destinados para as entidades parceiras atingiu R$ 512 milhões em 2016. Esse valor representa um crescimento de 41% em relação a 2011. O número de entidades apoiadas foi reduzido: de 1.756 em 2011 para 810 em 2016.

Essas organizações receberam aportes mais altos. Em 2016 49% das organizações sociais receberam recursos superiores a R$ 140 mil, enquanto em 2011 somente um terço delas receberam esse montante, ou seja, há menos organizações recebendo quantidade maiores.

66% das empresas pesquisadas em 2016 houve maior alinhamento e diálogo com as políticas públicas. Em 2011, somente 9% dos respondentes tinham essa proporção.

Acesse aqui a publicação: http://www.comunitas.org/portal/download/bisc-2017-10-anos-destaques/