Integrante do Artigo 19 explica o guia para montar um provedor comunitário

16195854_769059233253195_7614293877162797976_n“A nossa ideia é que isso possa ser uma alternativa para a inclusão digital, afirmou Laura Tresca, jornalista e cientista social e atua no Programa de Liberdade de Expressão da Artigo19. A comunicadora participa das oficinas de formações sobre como criar um provedor de internet comunitário em João Pessoa (PB) e opina sobre a publicação Como Montar e Regularizar um Provador Comunitário, lançado na metade de janeiro deste ano.

A publicação possui uma linguagem simples e é um passo a passo detalhado sobre como montar e regularizar um provador comunitário de internet. Com sete capítulos, o guia explica o que é provedor comunitário, onde é recomendável, como regularizá-lo e como deve ser montado, um passo a passo para a prática de instalação, até padrões internacionais de direitos humanos. Laura conversou com a equipe do Portal para explicar como e por que foi criada.

Portal Setor3- Qual foi a origem do livro?

Laura Tresca- Quando o Facebook lançou a ideia do Internet.org, a comunidade internacional que debate governança na internet começou a discutir quais seriam os modelos. Se eu tenho um modelo que não é considerado bom, quais seriam os modelos que poderiam promover e seriam uma boa ideia? Levar conexão para quem não está conectado. No Brasil, se a gente pegar os últimos estudos do Cetic. Houve uma estagnada da quantidade de pessoas e casas conectadas. De um ano para cá, esse índice praticamente não mudou, o que parece demonstrar que chegou num limite do mercado, aonde o mercado vai atender. Essa reflexão internacional e nossa necessidade local chegamos nesse conceito, a ideia de criar aonde esse serviço não chega e não há interesse das grandes empresas conectadas. Para as comunidades poderem se organizar e fazer seu projeto de conectividade, dessa forma as organizações que atuam nesse segmento se uniram para escrever essa publicação. O Instituto Bem Estar trabalha com redes livres e atua muito na zona leste de São Paulo e cidades digitais. Eles têm uma larga experiência de promover soluções em comunidades rurais. Promovem atividades de inclusão digital, inclusive no Nordeste. Adotaram o trabalho de provedor comunitário como prática também.

Portal Setor3- Essa publicação é destinada para que tipo de público-alvo?

LT- Seria para lideranças comunitárias de populações que não tem acesso à internet. Há dois perfis. Um é de lideranças, em que fazemos parceria com associações locais. Aqui, em João Pessoa, fizemos com Olho do Tempo, uma escola de redes. Outro tipo de público é um pessoal jovem que gosta muito de tecnologia. Nós não abordamos apenas a questão da gestão do provedor comunitário, mas também a parte técnica.

Portal Setor3 – Antes de fazer o guia, vocês fizeram o levantamento quantas comunidades não têm acesso à internet? Ou se basearam em outros estudos?

LT- Nós nos baseamos em um estudo do Cetic. Há dados das regiões menos e mais conectadas, perfil da população desconectada. Foram nesses dados que nos baseamos, porém não temos essa demanda organizada. A ANID está fazendo uma plataforma justamente para que essas comunidades que queiram implementar seu provedor comunitário para que elas possam escrever um projeto e até captar seu capital para implementarem. A ANID está desenvolvendo plataforma para organizar tudo isso. É interessante que eles têm engajamento com vários grupos de lideranças comunitárias. Acredito que será bem interessante para sabermos quantas comunidades estão querendo.

Acredito que essas ideias de incubadoras da ANID devem ser lançada após o carnaval daqui um mês. A ANID já tem experiência de outros projetos de conectar locais públicos. Eles possuem mais de 480 pontos de acesso em praças, rodoviárias e prédios públicos. Já possuem experiência dessas ações públicas.
Tudo isso ocorre em três etapas. Primeiro tem o contato, segundo a sensibilização, e terceiro a implementação de provedor. Você precisa levar a estrutura para essas comunidades, comprar equipamentos e ajudar a organizar a gestão.

Portal Setor3- De que forma que você acredita que esse guia contribua para o debate do Plano Nacional de Inclusão Digital?

LT- Acredito que até agora tem 50% da população desconectada. Temos que ter modelos que até então foram colocados incentivos para as empresas não funcionarem. Acredito que podemos testar esse novo modelos como uma alternativa para essas práticas que não deram certo.

Portal Setor3- vocês colocaram o caso de Goytacazes. Qual outro caso que você conhece ter provedor comunitário bacana?

LT- Há casos bem isolados. Um é em Visconde de Mauá no Rio de Janeiro. É uma comunidade chamada Cacheira da Fumaça. Lá eles têm provedor de internet comunitária e ganharam agora um concurso/premiação internacional do Mozilla. A ideia é criar uma cooperativa de conexão de internet. Há um caso bem interessante no Jardim São Luís na zona sul de São Paulo. Trata-se da Casa dos Meninos. Eles optaram por não conectar as pessoas na internet e criaram uma estrutura para as pessoas falarem no celular de condutos locais e circularem vídeos e outros materiais produzidos pela própria comunidade. Agora eles pensam em conectar na internet, porque já tem a estrutura de rede montada no bairro.

Portal Setor3- O que você mais observa que uma comunidade ganha sendo conectada e fácil acesso à internet?

RT- Acredito que o grande fundamento de tudo isso é a possibilidade do movimento social. A internet acaba sendo um meio dessas comunidades obterem informações de como fazer uma plantação e melhorar seus processos e expor suas necessidades para o mundo. Então, de repente fazer uma mobilização ou um e-commerce de uma comunidade de pescadores, ou de uma comunidade rural, por exemplo.

Serviço:

Acesse aqui a publicação: https://goo.gl/m2oTFS


Data de publicação: 06/02/2017