Institutos de empresas e empreendedores comunitários falam sobre negócios de impacto

Diferentes atores apontam estratégias, dilemas e potencialidades desses formatos na área social.

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Diferentes atores mostram casos de negócios de impacto e seus desafios. (crédito da imagem: Gabriela Cais Burdmann)

Com auditório lotado, uma das palestras da tarde do segundo dia da 10ª edição Congresso GIFE em uma das salas da Fecomercio, localizado no centro de São Paulo, abordou Negócios de impacto e investimento social: estratégias, dilemas e potencialidades. Nessa conversa, houve o lançamento da publicação feita pela equipe do Instituto GIFE intitulado Olhares sobre a Atuação do Investimento Social Privado no Campo de Negócios de Impacto.

Fábio Deboni, engenheiro agrônomo e mestre em recursos florestais, mediou a conversa e contextualizou o aumento de negócios de impacto e envolve desafios institucionais, de ordem técnica e com habilidade para lidar com novo campo. Ele ainda observou que do último Congresso Gife para hoje foram muitos os avanços e chama atenção para o lançamento da rede temática de negócio social dentro do GIFE. Ela ainda comentou sobre uma criada há dois anos e formada por 22 organizações chamada Fundações e Institutos de Impacto (FIIMP), que se reuniram para cada uma depositar 10 mil dólares para criar um fundo a negócios de impacto. “Essa área é múltipla e complexa. Cada um terá que achar diferentes entradas”.

O mediador ainda defende que é preciso colocar a mão na massa para empoderar todos que estão envolvidos e aprender fazendo, testando os empreendedores dessa área. “O instituto empresarial consegue fazer melhor esse meio de campo, porque tem uma agenda de instituto corporativo e ao mesmo tempo compactua com a nova agenda das organizações da sociedade civil. Ele provocou os palestrantes com as seguintes questões: em geral, são negócios tocados por pessoas brancas e bem formadas e como as pessoas na base da pirâmide podem tocar os negócios?

A primeira a responder e falar sua visão sobre o tema foi Carla Duprat, diretora executiva do Instituto InterCement e diretora de sustentabilidade da InterCement, comentou a estrutura do instituto social e como focam nas ações e projetos. Falou sobre o primeiro negócio uma escola de idiomas que inspira modelo de intercâmbios. Para trabalhar, precisa ser fluente em inglês e precisam aceitar passar seis meses de conversação. Alguns resultados impressionaram o investimento de risco em que os jovens de baixa renda começaram a trabalhar nas redes hoteleiras depois de um ano e meio, e o curso custa 60 reais por mês, a fluência é mais rápida e começaram a ganhar o dobro. “É um jeito de oferecer oportunidades. Estamos ainda aprimorando essa visão e estratégica de financiamento não reembolsável junto ao conselho. Sendo bem realista, estamos tentando responder a pergunta para engajar as áreas das empresas”.

Do lado da periferia, Celso Athayde, cofundador da Central Única das Favelas (CUFA), autor de quatro obras e do Favela Holding, em que reúne 22 empresas holding, contou sua infância, adolescência e juventude na periferia na baixada fluminense, de viaduto, passando por abrigo até a Favela do Sapo. De camelô, aprendeu no dia a dia a ser empreendedor e começou a fazer festas embaixo do viaduto. “Lá os pretos dançavam sem brigar. Foi aí que comecei a trabalhar com hip hop. Vendia cerveja e conseguia minha grana. Depois passei a ser empresário. Eu queria fazer mais do que isso. Comecei a criar a CUFA e depois, na Cidade de Deus, as reuniões começaram a crescerem”.

Atualmente a CUFA está presente em 27 Estados. “Nós começamos a receber prêmios nem sabíamos que trabalhávamos com direitos humanos. Que tipos de impactos? Para quem? O que estávamos causando? Eu já pensava em sair da fundação e financiar nossas ações. Começo a entender o que era isso e criar uma série de negócios holding social”. Ele compartilhou com o público iniciou a criar programas a pessoas egressas do sistema carcerário. Houve 66% de efetividade nesse empreendimento. Depois vieram outros negócios. Athayde comentou ainda de uma agência de viagens na periferia para vender passagens para as classes C, D e E. Não comercializa pela internet, apenas in loco. Vende por mês em torno de 200 mil reais. Atualmente mora em São Paulo para aumentar seu plano de expansão.

“Essas empresas precisam viabilizar o processo, seu entendimento. Vamos sair daqui (do evento) com grande plano, só que não conseguem falar com aquelas pessoas. Nós precisamos pegar parte do recurso que se investe e criar com esses empreendedores comunitários. Também necessitamos falar de impacto sim, quando faço naqueles territórios. Aquelas pessoas lá da periferia não querem ser catequizadas. Elas são donas de seus próprios negócios, fazem parte do processo”. Celso respondeu a uma das pessoas do público que uma das saídas para as empresas entenderem as periferias é contratando pessoas dessas regiões.

Para acompanhar todos os conteúdos do evento, pode acessar aqui: https://congressogife.org.br/2018/