Instituto 5 Elementos produz Atlas sobre a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e seus recursos naturais

A ideia central da publicação é oferecer informação clara e objetiva sobre a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.

Instituto 5 Elementos produz Atlas sobre a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e seus recursos naturais
Você sabe o que é uma bacia hidrográfica?

Você sabe o que é uma bacia hidrográfica? Conhece a trajetória da origem da água e o tratamento para torná-la potável? Você tem ideia de quanto a população tem disponível desse recurso para o seu consumo? Essas dúvidas e outras questões podem ser esclarecidas no Atlas para a Sustentabilidade Ambiental da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê – Uma aventura pelos recursos naturais, elaborada pelo Instituto 5 Elementos, que traz um retrato da situação das águas, da vegetação e da gestão dos resíduos sólidos na bacia hidrográfica mais complexa do país.

Em 84 páginas, a publicação é destinada para jovens, professores do ensino médio e universitários, funcionários das Secretarias de Meio Ambiente, lideranças comunitárias e técnicos ambientais. A ideia é oferecer de forma clara e objetiva as informações básicas sobre a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (BHAT).

Para explicar os principais conceitos dessa área e contextualizar essa bacia, a primeira parte mostra conhecimentos básicos para “levar na mochila”. Os temas abordados foram: o que é uma bacia hidrográfica, o ciclo da água no corpo e no planeta, rio Tietê, água e saúde, desafios do saneamento básico, disponibilidade de água doce, qualidade das águas e responsabilidade pública, comitê e subcomitês dessa região, processo de urbanização da região metropolitana de São Paulo e situações que trazem problemas.
Após a apresentação de uma contextualização dessas questões, a publicação enfoca na BHAT, captação e transposição da água dessa bacia e as sub-bacias relacionadas, qualidade dessas águas, trechos de rios e represas.

Com uma linguagem acessível, na parte de conhecimentos básicos, mostrou como é distribuída a porcentagem de água em alguns dos órgãos humanos: cérebro (75%), músculo (75%), rins ( 83%), fígado (86%), pulmões (86%) e sangue (81%). Na mesma página também apresenta o ciclo da água e explica cada uma das etapas: precipitação, infiltração, vapor d’água, evapotranspiração, evaporação e transpiração. Também comenta sobre os impactos para a saúde com a falta e má qualidade das águas, como os casos de diarreia.

Com diversas ilustrações, o leitor pode também entender melhor como se dá o tratamento da água para o consumo humano, da captação nos mananciais até o direcionamento da água tratada para as residências e redirecionamento para as Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs). Também atenta aos desafios da situação do saneamento no Brasil. “Cada real investido em saneamento gera economia de R$ 4 na área de saúde” (dado retirado da Organização Mundial de Saúde, de 2004). Outro dado alarmante: “No Brasil são sete milhões de habitantes ainda não têm acesso ao banheiro” (retirado do site do Trata Brasil do levantamento Situação do Saneamento no Brasil).

Outro dado alarmante foi a quantidade de água no mundo e nas regiões do Brasil. Também fornece o gasto médio diário de água doce por pessoa em diferentes países, como: Estados Unidos (575 litros), Canadá (495 litros), Brasil (162,6), Europa (150 litros), Índia (25 litros), Lago Sul-Brasília (1000 litros). Se observar bem a distribuição de disponibilidade de água no Brasil, a situação é bem desigual: Norte com 68% de disponibilidade de água doce para 8% de concentração populacional, Centro-Oeste – 16% de água e 7% de população, Nordeste – 3% de água e 28% de população, Sudeste – 6% de água e 43% de população e Sul – 7% de água e 15% de população.

Para explicar melhor a importância da BHAT, o Atlas informa que o Estado de São Paulo possui 22 bacias hidrográficas e subdividida em seis sub-bacias hidrográficas. Apresentou ainda a atuação do Comitê da BHAT, criado em 1991, que funciona como um fórum de discussão, com a participação da sociedade civil e população junto com os órgãos dos governos estadual e de 36 municípios, para determinar as ações de recuperação, conservação e proteção desses recursos hídricos. São apresentadas as sub-bacias, regiões que contemplam, o coordenador de cada uma delas e seus contatos.

Segundo Mônica Pilz Borba, gestora e fundadora do Instituto 5 Elementos, esclarece que a publicação tem a proposta de nivelar o conhecimento básico sobre os temas relacionados com essa bacia hidrográfica e gestão hídrica. “É visível um desnivelamento muito grande de informação na população sobre esse tema. Não recebemos esse conhecimento nas escolas de ensino médio, por exemplo. Fala-se ainda muito no geral sobre as bacias. E a do Alto Tietê é bem complexa”.

Antes da explicação de cada sub-bacia do BHAT, o processo de urbanização da região metropolitana de São Paulo e as situações que trazem problemas, como o lançamento de esgoto doméstico e industrial nos rios; excesso de asfalto, casas e prédios nas cidades impermeabilizam o solo, são abordados no Atlas.

A partir da página 21, o leitor irá conferir uma série de mapas sobre onde correm as águas da BHAT, a origem dessas águas, dos sistemas de abastecimento de água para os municípios da BHAT e das sub-bacias, imagem de satélite da captação e transposição da água nessa bacia; mapa com pontos de monitoramento do Índice da Qualidade da Água, mapa do enquadramento dos trechos dos rios e represas, Estação de Tratamento de Águas (ETAS), Estação de Tratamento de Esgostos (ETES) na sub-bacias.

Floresta sinônimo de água

Uma questão bem pontuada é a defesa da conservação de florestas para contribuir com a produção de água nas bacias. O Atlas explica que as áreas de vegetação contribuem na proteção dos mananciais, porque promovem o ciclo hidrológico na produção das chuvas para realimentar as nascentes, os rios, os riachos e os lençóis. Informa que em um ano uma árvore, resfria igual a 10 aparelhos de ar-condicionado, absorve 2900 litros de água de chuva e filtra 28 kg de poluentes de ar freáticos.

Para mostrar como a conservação ambiental impacta na manutenção da bacia, o Atlas explica a Mata Atlântica, os pagamentos por serviços ambientais, além de listar e organizar as unidades de conservação de cada sub-bacia com dados sobre a localização, a dimensão, a população local e os municípios onde estão e contatos.

O lixo foi outro tema debatido na publicação. “Temos muito lixo. Estão jogando muito nos rios. Até hoje é muito coisa mal jogada e quando chove cai tudo no rio. Essa falta de educação em relação a gestão de resíduos afeta nossos rios e cidades”, enfatizou a pedagoga. No Atlas, o tema é apresentado dentro do contexto da bacia, que envolve 36 municípios, totalizando 20 milhões de habitantes que produzem diariamente cerca de 16 mil toneladas de lixo domiciliar destinada em grande parte aos aterros existentes nos municípios. Um mapa ainda ilustra o destino dos resíduos sólidos dos municípios da BHAT.

Crise hídrica

Mônica comentou que a publicação pode contribuir para a população entender melhor o tema de gestão de recursos hídricos, especialmente nessa época de escassez de água. “Foi lançada a campanha #TáFaltandoÁgua, que pretende mobilizar, mapear, noticiar e relatar sobre a crise hídrica em São Paulo. A Promotoria não consegue ter provas documentais dos cidadãos denunciando a Sabesp”, esclarece. Segundo a pedagoga, essa informação não está tão transparente. “Ainda há por parte do governo uma visão muita antiga sobre essa questão, que somente querem priorizar obras para solucioná-la”. Ela ainda pontua que são muitos assuntos que deveriam entrar na publicação, porém foi necessário priorizar alguns. “Queremos mostrar para as pessoas que a questão da falta de água está muito ligada com a falta de plantio de matas ciliares e ausência de serviços ambientais. Ainda falamos sobre a produção de resíduos sólidos e a importância de um tratamento adequado”.

O Atlas finaliza ressaltando o consumo responsável, a pegada ecológica, o gerenciamento adequado dos seus resíduos sólidos, a coleta da água da chuva e as principais soluções para cuidar dos rios e águas, além da Declaração Universal dos Diretos da Água, estabelecido pela ONU em março de 1992.

A publicação está no formato de projeto da Lei Rouanet para conseguirem captar recursos e viabilizar a versão impressa. A ideia é produzir mil exemplares para seis lançamentos, um para cada subcomitê. Eles seriam distribuídos para os participantes dos comitês das sub-baciais hidrográficas, estudantes de universidades e escolas do ensino médio de cada região. “Estamos buscando apoio de empresas para difundir ainda mais esse material”. Os interessados podem enviar e-mail para: comunicacao@5elementos.org.br

Para Mônica, se fosse implementada de fato a Política Nacional de Educação Ambiental, este problema não teria esta dimensão. “A política fala que o tema ambiental deve ser trabalhado de forma transversal na escola. É um grande desafio. Quem está na faculdade não aprende de forma transversal para levar para a escola. Como trabalhar esses temas dessa forma se nunca foi ensinado? Há sim necessidade de implementar essa política nas escolas, porque ainda persiste uma visão temática e pouco interrelacional das coisas”.

Acesse aqui a publicação: http://goo.gl/Z1Tr2t


Data de publicação original: 24/09/2015