Instituições se unem para desenvolver e lançar estudo que traça panorama de negócios sociais no Brasil

Quem faz? Qual área está sendo mais investida? Quais são os investidores? Qual região se destaca? Essas questões foram esclarecidas pela pesquisa feita pelo ANDE Polo Brasil (Aspen Network of Development Entrepreneurs), uma representante de organizações que apoiam pequenas empresas em crescimento, em parceria com a Fundação AVINA e a Potencia Ventures, uma instituição voltada para fortalecer negócios voltados para redução da pobreza. O nome do estudo é Mapeamento do campo de negócios sociais/inclusivos.

Foram realizados dois tipos de estudos dentro desse mapeamento: negócios e desenvolvedores e investidores. Executado pelo Plano CDE, o estudo identificou 40 desenvolvedores, ou seja, instituições que fomentam iniciativas que atuam com temas de impacto estrutural. 75% dos desenvolvedores estão concentrados na região Sudeste, seguida pelas regiões Nordeste (10%) e Sul (8%).

Entre esse segmento, 30% deles apoiaram mais de 50 empresas ou organizações com foco na base pirâmide, outros 45% deram suporte a até 10 iniciativas destinadas ao público de baixa renda e 25% apoiaram de 11 a 55 empreendimentos.

De acordo com Rob Parkinson, coordenador do ANDE Polo Brasil, a pesquisa levou quatro meses, entre as fases de identificação dos perfis estudados e do mapeamento de abrangência. Ele explicou que com a criação do ANDE Polo Brasil, no começo de 2010, várias organizações se aproximaram e viram a necessidade de desenvolver algum estudo que a ajudasse a ter um retrato desse segmento. “Isso aconteceu ao mesmo tempo, quando percebemos um interesse crescente de organizações fora do Brasil interessadas em ter uma visão melhor dos negócios sociais daqui”, afirmou. Ele disse ainda que a ideia reuniu esforços e expertises diferentes para elaborar esse retrato no Brasil, para oferecer mais dados e informações e apoiar mais pessoas a se engajarem e ajudar os investidores a terem mais facilidade em suas escolhas.

Quando questionado sobre a concentração de desenvolvedores na região Sudeste (75%), Rob explicou que reflete a realidade do Brasil. “Reflete a distribuição dos próprios negócios, a distribuição da população brasileira e da concentração de mercado financeiro. Diria que esse resultado não é específico ao campo de negócios sociais”, comentou.

O levantamento também apontou que os negócios sociais atuam mais na área de educação (75%). Depois vêm atividades com artesanato e meio ambiente (63% cada um), cultura (60%) agricultura e tecnologia da informação (50%, os dois quesitos) e saúde (48%).

E como atuam os investidores?

A pesquisa também envolveu o segmento investidores nos negócios sociais. Dos 14 identificados pelo mapeamento, 86% se concentram na região Sudeste. São formados por associações da sociedade civil (36%), empresas privadas (29%), organizações internacional ou multilateral (14%) e fundações, empresas públicas e companhias de investimentos com recursos próprios (7% cada).

Também indicou que 50% dos investidores consideram o impacto social do empreendimento e 43% se baseiam no impacto social e retorno financeiro. O levantamento também demonstra que 14% esperam de 20% a 30% de retorno do investimento após cinco anos, enquanto que 86% dos investidores almejam entre 50% a 60% e 100%.

O que ficou de fora

Rob comentou alguns aspectos compartilhados durante outros estudos e encontros com empreendedores, não incluídos no mapeamento. Quando questionados sobre os principais obstáculos, as respostas mais citadas foram: falta de capital para começar o negócio; falta de capacitação do empreendedor e de sua equipe; e desafio da burocracia com setor público. “Eu gosto dessa informação, porque foram respostas dos próprios desenvolvedores”, contou.

Outro aspecto observado pelo coordenador do ANDE Polo Brasil é o movimento entre diferentes fontes. Para ele, os empreendedores mais tradicionais agora buscam ter um impacto maior na sociedade, quanto os de antigamente que só olhavam para a questão social apenas. Hoje eles buscam formas mais sustentáveis de trabalhar. “Outro ponto interessante é que a gente vê muito interesse com público universitário. A nova geração tem essa ideia de modelo híbrido. Para eles, isso tem mais sentido. Eles não são pessoas apenas do social, nem do business”, sinalizou.

Serviço:

Interessados podem acessar o Mapeamento do campos dos negócios sociais/negócios inclusivos do Brasil. Clique aqui para ver o relatório categoria de negócios. Já o relatório de categoria de desenvolvedores e investidores está disponível aqui.

Plano CDE
www.planocde.com.br

ANDE Polo Brasil
www.andepolobrasil.org

Fundação AVINA
www.avina.net