Iniciativa une cultura sertaneja e formação integral de jovens do interior da Bahia e consegue atingir meta antes do prazo

15055784_934672296664167_9061601863963014103_nViagem, estudo e desenvolvimento. Foram com esses objetivos que voluntários do Lar Santa Maria, localizado em Itiúba, na Bahia, lançaram a campanha Ser-tão Sem Fronteiras. Criado há 40 anos atrás, em São Caetano do Sul, São Paulo, tem como foco atender e amparar crianças e jovens abandonados. Em 2007, inaugurou sua primeira e única filial no Nordeste. Seus projetos contribuem para a formação integral desses adolescentes e criação de geração de oportunidades para o desenvolvimento da população local.

Voluntária da instituição há três anos e uma das idealizadoras da ideia, Paula Castrillo, formada em comunicação social, conta que o Ser-tão Sem Fronteiras surgiu após uma ação de Natal, na qual foram distribuídos kits com roupas e sapatos para a comunidade de Camandaroba. “Nós passamos a enxergar a sacolinha como algo de dependência. Queríamos autonomia e uma forma mais participativa, que ia muito além de entregar algo. Nossa vontade é que entendessem que estávamos lá para ajudá-los e construir sonhos juntos”.

A iniciativa, em 30 dias, arrecadou mais de R$35.000,00 no Benfeitoria, plataforma de financiamento coletivo. Dentro do site, foram estabelecidas três metas. Eram elas:

1- Arrecadar dinheiro suficiente para levar os jovens do lar para visitar os municípios de Paulo Afonso e Canudos (BA), importantes para a história brasileira. “Todos nós gostamos de novas experiências e os jovens do lar não são exceção. Queremos levá-los para conhecer lugares além de suas realidades”, declarou Paula.

2-  Inauguração de uma rádio comunitária e contratação de um técnico para ensinar os jovens como trabalhar nela. De acordo com a voluntária, essa é uma vontade antiga. “É um desejo desde 2009. Encaramos a rádio, que já está autorizada, como uma forma de desenvolver os garotos do lar, além, é claro, de garantir informação a população”.

3- A terceira meta levantou fundos para financiar a formação profissional de seis jovens do Lar durante um ano. “Cada um deles tem seus objetivos pessoais. Alguns querem ser psicólogos, outros engenheiros ou cantores. Nós queremos ajudá-los a tornar isso realidade”.

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Para cada um dos valores doados, é enviado ao contribuinte uma recompensa feita exclusivamente por participantes do projeto. O mínimo, de R$60 reais, dá direito a um postal ilustrado, e, quem doar o valor máximo, ganha sete dias de estadia no Lar para conhecer a rotina da instituição.

A valorização da cultura local também é um dos intuitos do Ser-tão. “Existe um clichê quando falamos em cultura sertaneja. Precisamos parar com preconceito e entender que tanto no Sudeste quanto em outras regiões do país, existe gente boa. Projetos sociais são importantes tanto aqui quanto lá, e é errado diminuir quem utiliza dos mesmos”, pontuou Paula.

Captar recursos, para a voluntária, foi uma das maiores dificuldades. Os principais métodos utilizados foram crowfunding, ou seja, arrecadar dinheiro pela internet, vídeos explicativos e mobilização nas redes sociais. “Pedir doações nunca é um trabalho fácil, independente da forma que isso é feito. Até porque as pessoas se sentem inseguras na hora de doar e ficam se questionando para onde vai o dinheiro. Tentamos ser o mais transparente possível”.
A voluntária finaliza contando que o retorno do público tem sido positivo. “Muita gente veio me procurar para dar os parabéns, elogiar e contribuir. Algumas pessoas até cogitaram a possibilidade de se tornarem voluntárias do Lar. Isso é extremamente gratificante e nos faz querer levar a ideia para outros lugares do país”.

Mesmo com a meta já alcançada, interessados podem colaborar até às 23h59 do dia 6 (amanhã), no site da Benfeitora, pelo link https://goo.gl/7MGhc9
Para mais informações sobre o lar, acesse http://www.larsantamaria.org/


Crédito do texto: Da Redação
Data de publicação: 05/01/2017