Índice de Cidades Empreendedoras mostra em que os municípios brasileiros precisam melhorar

14607Com cada vez mais pessoas buscando começar seus próprios negócios, como avaliar os riscos de correr atrás dessa ideia? Uma das possibilidades é verificando o local onde se deseja atuar. A pesquisa Índice de Cidades Empreendedoras 2015, lançada pela Endeavor Brasil, mostra que esse pode ser um aspecto determinante.

A metodologia é baseada em sete determinantes: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora. Cada um deles contem subdeterminantes que, após avaliados, geram uma nota. Assim, fez-se um ranking com 32 municípios brasileiros que indicam as melhores condições.

O economista e gerente de pesquisa da Endeavor, Pedro Lipkin, de 26 anos, explica que a necessidade do estudo (que está em sua segunda edição) surgiu a partir do momento que perceberam que precisavam coletar dados para incentivar políticas públicas para a área. “O debate sobre o tema é novo, estamos buscando informação. Queremos promover melhores práticas para melhorar o ecossistema empreendedor no país”, diz. Segundo ele, esse cenário configura os fatores externos que podem influenciar os negócios.

Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo ganhou a primeira colocação. De acordo com Pedro, as vantagens da cidade se devem a variáveis como tamanho do mercado e infraestrutura. Já Florianópolis, que ficou em segundo lugar, tem resultados em capital humano e inovação. “Floripa tem se destacado, é um exemplo de planejamento importante para o desenvolvimento econômico e institucional”, citou.

No entanto, ele lembra que esses lugares ainda não são perfeitos: “Essa comparação é interna. A capital paulista tem custo de impostos alto, é muito cara e isso afeta o preço médio do metro quadrado, da conta de energia, essas coisas”. E completou abordando a questão da mão de obra básica, outro desafio a ser superado: “a nota média no Enem fica na 17ª posição. Tem muitas coisas para melhorar”.

Na outra ponta do ranking ficou Maceió, em última colocação. “É uma das cidades mais pobres e violentas entre as principais do Nordeste”, disse Pedro, explicando que, além da infraestrutura, as condições urbanas também entram nos cálculos e, dentro delas, são levadas em consideração a taxa de homicídios. A pior nota em inovação e a dificuldade para o acesso a capital humano (qualificado e básico) são mais desafios que a região enfrenta.

Uma novidade da pesquisa esse ano foi ter expandido a campo de análise para municípios de porte médio. A surpresa se revelou no índice: Campinas e São José dos Campos ficaram, respectivamente, na quinta e sexta posições. “Isso mostra a força do interior, essa é a grande mensagem”, afirma Pedro. Toda essa força vem do fato de possuírem boas universidades, qualidade de vida e custos abaixo da média, entre outros fatores.

O relatório apresenta também os perfis de cada região do país e lista exemplos de políticas que podem servir de referência. O objetivo é oferecer os dados para gestores públicos e esse diálogo tem acontecido. “Porto Alegre viu que eram necessários 260 dias para abrir uma empresa. É muita coisa. Agora estão fazendo um projeto para resolver isso com apoio e participação da Endeavor”, conta Pedro. Ele também citou outras movimentações, como a criação da Secretaria de Desenvolvimento e Empreendedorismo na Prefeitura de Recife, graças ao estudo. “É preciso agir a curto prazo para ter melhorias a longo prazo. Tem muito espaço paras cidades melhorarem, o índice mostra isso”, finaliza.


Serviço:

Veja o Índice de Cidades Empreendedoras 2015: https://goo.gl/yaHqGs


Texto: Natália Freitas

Imagem: Divulgação

Data original da publicação: 19/04/2016