Idosos de cinco asilos do Rio de Janeiro são retratados no livro Esperança

esperanca-capaPoucas histórias, desânimo, falta de estrutura material e abandono. Foram as principais constatações do fotógrafo e advogado Eurivaldo Bezerra observou nos cinco asilos que visitou em junho do ano passado no Rio de Janeiro. Esse trabalho foi retratado no livro de fotografias Esperança, de autoria de Eurivaldo, lançada recentemente e conta com apoio do arquiteto carioca Miguel Pinto Guimarães. São 52 fotos de senhores e senhoras que vivem em asilos e da estrutura desses locais.
A publicação pretende contribuir com o papel do idoso na sociedade, já que se trata de uma parcela da sociedade que cresce cada dia: estatísticas indicam que em 30 anos o Brasil terá mais de 64 milhões de idosos – mais de 30% da população acima dos 60 anos.

Há quatro anos o advogado tem a fotografia como hobby e já fez diversos cursos na área. Sua obra anterior foi Filhos, focando a questão da adoção de crianças, teve contato com a Vara da infância e da Juventude e da Vara do Idoso. Na época, foi questionado por um amigo por que não pensar em fazer um livro voltado para a terceira idade. “Os diretores de abrigos em geral são de asilos. Guardei essa ideia e um dia esse amigo de infância me pediu para tirar foto do asilo em que o pai dele coordenava. Já tinha essa ideia e estruturei melhor o projeto para visitar os outros asilos”, contou.

A publicação Filhos foi autoral. Conseguiu idealizar o projeto e aprovação pela Lei Rouanet, mas não conseguiu captar recursos pela falta de investimento dos empresários na época. Foram elaborados 1000 exemplares. A outra obra foi Multiplicadores Sociais, que Euriovaldo foi convidado para fazer as fotografias e a coordenação dessa iniciativa foi pela empresa ID Cultural. Esse livro é destinado para apresentar o trabalho de algumas organizações de terceiro setor.

O fotógrafo explica que os asilos foram escolhidos do Rio de Janeiro por estarem mais próximos e  um dado relevante: 30% dos idosos do país estão no Rio de Janeiro. Foram escolhidos asilos públicos e privados para mostrar diferentes realidades. O abandono dos idosos ocorre na maioria dos asilos, de acordo com observação de Eurivaldo. “A ONU tem um estudo em que diz que daqui 2030 seríamos 60 milhões de idosos no Brasil, aonde eles vão? Onde vamos colocar esse pessoal? Não vai garantir que a gente possa viver bem, porque não tem lugar. Vi pessoas pagando 8/9 mil reais por mês e é tudo muito parecido. A única diferença do privado para o público é que vivem num quarto com enfermeira”.

Como não tinha ideia de como seria, Euriovaldo ficou surpreso coma quantidade de idosos nesses espaços. A própria escolhe do contraste das imagens foi para caracterizar mais esses ambientes que circulou. “São pessoas com passado que estão esquecendo, presente que não gostariam de ter e futuro nem sabem”.

Também comentou que viu alguns acamados sem energia para levantar da cama e também dopados pelos medicamentos. “Não queria transparecer tanta negatividade aos asilos, mas são locais que não contam com apoio da sociedade nem do governo. Praticamente não recebem recursos públicos. Parte dos idosos recebem salário mínimo da assistência social. Já os funcionários, que eu tive contato, são carinhosos e comprometidos. Diante dessas situações, eu me perguntei: Por que essa terceira idade precisa ser improdutiva? Por que precisa ser vista como depósito de pessoas para morrer? Cadê a dignidade?”, questiona.

O que chamou mais atenção para o fotógrafo foi a questão do abandono. Ele soube de histórias de filhos que exploram financeiramente seus pais e até batem. “Eles fogem de casa e vão aos asilos”.

O custo total da publicação é de R$ 30 mil, somando edição, produção, impressão e realização de exposição de 20 fotografias. Contou com apoio do escritório de arquitetura e da rede de supermercados Ultra, do Rio de Janeiro – cada um contribuiu com R$ 5 mil.

A ideia da publicação é que seja um livro de transformação social e que a sociedade se aproxime dos asilos. “Hoje temos escolas particulares que fazem visitas regulares a esses locais. Essas crianças alegram esses ambientes e valorizam a terceira idade. Já a proposta do livro juridicamente falando é trazer ao debate o currículo escolar a obrigação das visitas dos alunos para os asilos, assim transforma esse abandono ao idoso e resgate para a cidadania para esse público”.

Também haverá exposição de parte das imagens e debates em espaços abertos para atrair um público bem diverso. “Esse projeto surge para divulgar a causa e criar soluções a esses idosos. Estimular que eles consigam ir ao teatro, cinema, fazer fisioterapia e ter uma alimentação saudável. Como o próprio título diz: trazer esperança para a velhice. Se criarmos um grupo de estudos, por exemplo, podem aparecer propostas de transformação e mudar essa realidade atual”, aspirou o autor.

A publicação é um digitalbook de edição limitada a 50 exemplares, segundo assessoria de comunicação do projeto. Essa iniciativa está em fase de captação para a realização de exposições e debates (workshops e palestras com pessoas ligadas ao tema). O preço da doação sugerido é de R$ 300,00. A edição do livro completo é de 250 páginas em formato 27X33 cm.

O crowdfunding não foi aberto para pessoas físicas, mas há ainda seis cotas disponíveis. Os apoiadores contam com exemplares do livro autografados, além da contrapartida de marketing em todo material e exposições.

Os interessados pela publicação podem enviar e-mail para: ebstudio@ebstudiobrasil.com.br


Texto: Susana Sarmiento

Data original da publicação: 02/02/2017