Idealizadores do Rios e Ruas falam da qualidade e a da importância desses recursos e criação de vínculos com o espaço urbano

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“Hoje, nota-se um movimento para fazer a população voltar a olhar e sentir o Rio Tietê como um patrimônio cultural e paisagístico da cidade”. Essa frase foi dita por Aristides Almeida Rocha, professor da USP e ex-superintendente de Impactos Ambientais da Cetesb, durante a mesa-redonda Rios e Ruas – qualidade e importância dos rios da cidade, realizada em 18 de maio no auditório do Senac Jabaquara na zona sul de São Paulo.

Mais de 100 pessoas estiveram presentes para participar dessa conversa sobre rios, ruas, meio ambiente, conscientização, pertencimento e reflexão sobre a relação da sociedade com esses espaços.

“Pesquisas apontam que mais da metade dos paulistanos iriam embora se pudessem. Isso reflete a falta de pertencimento, de acolhimento, de apropriação do local onde vivem”, destaca o arquiteto e urbanista José Bueno, um dos criadores do projeto Rios e Ruas.

Desde 2010, o projeto promove o reconhecimento das principais bacias hidrográficas de São Paulo e a exploração in loco dos rios e riachos da cidade, soterrados ou não, por meio de oficinas e vivências em expedições da nascente à foz de cursos de água. Seu objetivo é contribuir para despertar em jovens e adultos um entendimento da importância do uso do espaço urbano e da criação de vínculos afetivos e de pertencimento com o espaço de vivência.

“Saímos explorando territórios, unindo experiência e conhecimento e integrando pensamentos e ações. A gente fala de rio, mas também fala de cidade e de interação”, relata Bueno.

O geógrafo e educador Luiz de Campos Jr., também criador do projeto Rios e Ruas, complementa: “Andamos em estado de atenção permanente, criando laços e associando exploração, interesse e investigação”.

Quadro com a representação da hidrografia de São Paulo antes das intervenções

Há uma infinidade de cursos de água correndo embaixo das ruas da capital paulista que não têm nome. Luiz apresentou uma representação do professor Aziz Ab’Saber, da década de 1950, da hidrografia de São Paulo antes das intervenções. Grande parte da plateia ficou impressionada com a quantidade de água que viu no mapa.

Segundo os criadores do projeto, os rios da cidade não estão mortos, mas foram enterrados vivos. Portanto, se receberem cuidado e o mínimo de condições, eles responderão. O professor Aristides compartilha da mesma opinião: “Dessa forma, a fauna e a flora vão se restabelecer e a população vai ver o rio com outros olhos”.

Com exemplos de cidades como Madri, na Espanha, José e Luiz mostraram como é possível renaturalizar os rios. O Jardim Botânico de São Paulo também foi citado, onde o Córrego Pirarungáua ganhou vida nova em 2008, após permanecer canalizado por 70 anos.

“Aos poucos, os rios estão voltando a ser notícia fora da época de chuvas. É uma reeducação cultural com relação aos rios”, conta Bueno. Para ele, o intuito maior de todo o projeto é inspirar as pessoas a descobrir, ver e querer os rios limpos e livres.

Aristides Almeida Rocha, professor da USP e ex-superintendente de Impactos Ambientais da Cetesb

De acordo com Silene Bueno De Godoy Purificação, professora da pós-graduação do Senac Jabaquara, a discussão vai ao encontro do que é trabalhado em sala de aula. “Nós queremos mostrar para nossos alunos o aspecto humano que também é preciso resgatar. O Senac trabalha com formação cidadã e valoriza este olhar diferenciado: eu não sou só um técnico, eu sou um ser humano cidadão que faço parte dessa cidade e a construo”.

A professora, que participou da organização do evento, ressalta ainda que a ideia é promover um novo nível de consciência urbana e de cuidado com a qualidade do território onde vivemos. “É um tema relevante e atual em razão da crise hídrica recentemente vivida que despertou maior consciência da população sobre a questão das águas e sua gestão na cidade de São Paulo” finaliza Silene.

Além disso, existem diversos cursos de pós-graduação que abordam o tema em questão, como Planejamento e Gestão de Áreas Especialmente Protegidas, Direito e Gestão do Meio Ambiente, Gestão de Recursos Hídricos e o Gerenciamento de Áreas Contaminadas, que foi reformulado recentemente.


Crédito do texto e das imagens: Da Equipe de comunicação interna do Senac São Paulo