Guerreiros da Floresta valoriza lideranças indígenas da Amazônia

A produção estreia no dia 20 de fevereiro às 22h30 no Canal Futura.

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As lideranças retratadas na série sofrem com perseguições e ameaças no Brasil. (crédito da imagem: divulgação)

“Somos guerreiros da floresta não para brigar, mas para proteger”, esclarece o jovem indígena do povo Ninawa Inu Huni Kuin no debate de lançamento da série documental Guerreiros da Floresta, que está com estreia prevista para 20 de fevereiro às 22h30 no Canal Futura. Produzida durante o ano de 2018, o seriado mostra a trajetória e luta de três principais lideranças indígenas dos Estados de Roraima, Rondônia, Acre e Amazonas abrangendo os povos Yanomami, Huni Kuin e Suruí, que são consequentemente: Davi Kopenawa, Almir Suruí e Ninawa Inu Huni Kuin. Eles falam sobre suas comunidades, a defesa deles pela sustentabilidade da Amazônia e da herança de seus povos.

A série é composta por 13 episódios com duração de 26 minutos cada, em que detalham as culturas de cada um dos povos, abordando suas semelhanças e particularidades de estilo de vida, além da luta por preservação e sobrevivência.

A produção também vai abordar o relato dessas lideranças, os anos de invasão do homem branco e a devastação resultante da mesma e como eles sobreviveram a essa situação. Além do foco ser nessas lideranças e suas lutas pela defesa de seus territórios e herança sociocultural, a série também apresenta peculiaridades culturais, como o grau de envolvimento com a tecnologia, seus rituais e suas crenças, e outras questões.

Essa produção foi uma das selecionadas por edital divulgado pelo Canal Futura. De 400 projetos inscritos, foram selecionados 10, sendo que um deles é Guerreiros da Floresta. Outros abordam temas pertinentes no debate atual, como: construção de moradia de baixa renda, Bela Raízes – onde ela visita e valoriza o trabalho de mulheres detentoras de conhecimentos tradicionais de seus territórios e suas culturas, e nascente de três principais rios do Brasil.

Andrea Pilar Marranquiel, responsável pelo roteiro e direção, contou que a produção iniciou em 2014 e sempre contou com grande comprometimento com a causa indígena. “Foram muitas idas e vindas no mergulho do universo que não era tão natural para equipe num primeiro momento. Uma das coisas fundamentais foi este protagonismo indígena. Eles têm o que contar e sabem como fazê-lo”, afirmou.

Débora Garcia, gerente de conteúdo do Canal Futura, comentou que montar essa série num momento bem emblemático que vive hoje o país é importante. “Atuamos 22 anos e sempre na resistência. Procuramos dar espaço e permitir essa arena para mostrar essas vozes, que precisam ser contadas. A intenção nossa é não deixar ninguém para trás, que as pessoas se sintam tocadas por essas histórias em nossos programas. Além de tentar impactar no currículo oficial nas escolas”, esclareceu.

Almir contou que começou a ser líder em seu povo aos 14 anos de idade. Em sua aldeia em geral o líder assume aos 17 anos. Hoje ele tem 47 anos e pensa como ele pode contribuir com seu povo e já participou em muitas reuniões em outros países para defender a pauta da sustentabilidade. Tem formação em Biologia, conectado 100% do tempo em celulares, Ipads e câmeras. Costuma rodar nas aldeias a bordo de uma um 4×4 no território indígena em Cacoal. Compartilhou que nos últimos anos está focado na implementação de um plano de desenvolvimento de 50 anos de seu povo. “Não quero o índio como vítima. Temos propostas ao Brasil. Também queremos sentar na mesa com outras lideranças para discutir. Hoje minha principal arma é o diálogo, a comunicação e propósitos”.

Esse líder ainda contou da universidade em território do Suruí baseada no conhecimento do seu povo indígena. A iniciativa conta com parceria da Universidade Estadual de Campinas. Ainda depende de alguns processos de aprovação do Ministério da Educação. “Ainda vamos ver quais cursos serão oferecidos lá, bem provável que no fim do ano será lançada uma pós-graduação. A ideia é oferecer para os estudantes essa nossa relação com a natureza, nossa espiritualidade e entender nossos parentes”. O espaço será aberto a indígenas e não indígenas.

Já Ninawa é residente da Fephac, vice-coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Acre, sul do Amazonas e noroeste de Rondônia, guardião dos saberes tradicionais. Cursa Medicina em uma Universidade da Bolívia e integra a Aliança dos Guardiões e Filhos da Mãe Terra, criada em Paris em 2015, durante reunião da COP21. “O movimento indígena está dentro da aldeia, ela que ajuda a organizar nossa causa. Essa série vai nos ajudar a mostrar a realidade que poucas pessoas conhecem”, defendeu e ainda contou que seu povo possui 104 aldeias espalhados em 600 mil hectares e dois clãs divididos no Acre e Peru. “As mulheres nos ajudam muito na manutenção dos rituais. Ter um território é importante para nossa vida espiritual e nos comunicar com as plantas e animais”.

Todas as quartas-feiras, a partir do dia 20/02/2019, às 22h30. O 13º e último episódio será exibido no dia 15/05/2019, às 22h30. Confira aqui: https://goo.gl/ZRwxqH