Fórum Interamericano de Turismo Sustentável

Rodas de diálogo, apresentação de estratégias, cases de turismo comunitário, dados e experiências formaram a programação do FITS no Adventure Fair.

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14º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável foca em projetos de inclusão, preservação de reservas e dicas de negócios nesses locais. (crédito da imagem: divulgação)

Parques, trilhas, ciclovias, montanhas, rios e lagoas. Relatos de viagens, projetos e programas de defesa de Unidades de Conservação (UCs), dicas de preparo para diferentes roteiros de viagens pelo mundo afora. Foram três dias de um dos principais eventos do mercado de esportes e turismo de aventura na América Latina, o Adventure Fair 2018, entre 19 e 21 de outubro, na Expo Imigrantes em São Paulo.

O evento promoveu palestras, oficinas, fóruns, atrações interativas (parede de escalada, circuito de arvorismo, piscina de remada, tanque de mergulho, queda livre e simulador de vpo livre) e feira de produtos e serviços do segmento e destinos turísticos nacionais e internacionais.

Oportunidades de negócios e parcerias relacionados ao turismo nas UCs foi uma das palestras na tarde do segundo dia (20/10) com os seguintes participantes: Larissa Dhiel, do ICMBio para falar de Concessão de serviços e outras modalidades de parceria para os parques nacionais brasileiros; Paulo Schiavo, do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), RJ) para abordar sobre Visitação nas Unidades de Conservação do Rio de Janeiro; Mauro Castext, da Fundação Florestal, sobre Concessão de serviços no Parque Estadual da Cantareira; Juliana Castro, do Núcleo de Planejamento Estratégico de Transportes e Turismo PLANETT (COPPE/UFRJ), foco em Cicloturismo.

Larissa compartilhou um panorama geral da situação de concessão de serviços nos parques nacionais brasileiros e em cada um deles explicou as atividades que o público poderia usufruir nesses espaços. Ressaltou as trilhas com acessibilidade e para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Jericoacoara, por exemplo, ainda está no programa de concessão e um é um dos locais mais visitados do país. O desafio apontado pela palestrante é controlar o acesso a visitantes. Trata-se de uma região de dunas e areias e o fluxo de pessoas impacta a paisagem. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, por exemplo, tem o desafio de cadastramento de condutores e estimular que todos paguem a taxa para melhorar o acesso na região. Nesse local do Maranhão, o Grupo Cataratas contribui no processo de visitação do Parque respeitando as comunidades locais que já desenvolviam seus serviços no local, como aluguel de equipamentos, banheiros, passeios ciclísticos, loja de produtos relacionados à região. “Os parques nacionais podem se transformar em novos negócios na relação público e privado”.

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LarissaDhiel, do ICMBio, fala de concessão de serviços e outras modalidades de parceria para os parques nacionais brasileiros. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Paulo Schiavo, da diretoria da Biodiversidade de Áreas Protegidas e Ecossistemas, falou sobre a política agregadora a comunidades ao redor para introduzir na população em geral: “Para que elas vejam as UCs como boas oportunidades”.

O palestrante mostrou que no Estado do Rio de Janeiro são 38 UCs, envolvendo comunidade geral e observação da fauna. “São poucos os números de casos de violência nessas regiões. Há um controle da Polícia Ambiental e isso é resultado de um trabalho de base comunitária”, atentou. Também falou da estratégia de fomento de visitação da Pedra Selada em Rezende (RJ), em que houve investimento de formação de guias turísticos da própria comunidade.

Paulo ainda comentou do projeto Vem Passarinhar, uma iniciativa em que estimula as pessoas a voltarem a observar pássaros. No ano passado, apareceram 57 espécies. Essa ação ocorre em 12 UCs presente em 15 anos. A organização tem um folder com todos os pássaros da região. E ainda há Projeto Vem Pedalar no Parque Estadual da Serra da Concórdia, região conhecida por grandes centros quilombolas, em que estimula a integração dos visitantes com as UCs a partir da prática desse esporte em meio à natureza para sensibilizar o interesse ao meio ambiente.

Já o Parque Estadual do Desengano possui 200 km de passeio cicloturístico com várias oportunidades e esporte recreativo. O circuito para montain bike também ocorre na Floresta Estadual José Zago. As trilhas de longo percurso também estão na trilha transcarioca. O desafio é interessante. “Quando você entra na trilha e você sabe que se fizer esforço chega lá na frente, a sensação é maravilhosa”. Ele ainda sugere ao público acessar o site Visite Parques Estaduais (http://200.20.53.15/inea/), uma plataforma feita para divulgar as regiões turísticas para potencializar mais o mercado de turismo de observação noturna.

Por meio de várias fotos, o palestrante mostrou várias regiões da Baixada Fluminense que possui alta demanda a caminho da Serra do Mar e até a região turística da Costa do Sul, que ainda tem o trabalho mais predador. “Temos que garantir a vida dos animais e por isso que venham mais Unidades de Conservação”, defendeu.

Mauro, da Fundação Florestal, sinalizou que há 1868 km de estações ecológicas, mostrando por meio de um gráfico um crescimento entre 2006 e 2016. E ainda apresentou que está envolvido um ciclo de oportunidades: conservação da biodiversidade e serviços ambientais; entende que tem inúmeras oportunidades de negócios sustentáveis; experiência do visitante e engajamento; ganhos de conservação; curso de planejamento e gestão de turismo em áreas protegidas.

Ele ainda apresentou um vídeo sobre a formação de parques nos Estados Unidos em que participou. Comentou ainda que os Estados Unidos possuem 575 contratos de concessões e seis mil autorizações de uso comercial que geram US$ 1 bi de receita e 25 mil empregos. Por exemplo: Yellowstone National Park, com visitação de 4 mil/ano e US$ 230 mi de receita proveniente das concessionárias. Na Nova Zelândia, tem o Tongario National Park, com 98 contratos de concessões, desde lojas e restaurantes até serviços especializados de passeios guiados. Já na África do Sul, os parques nacionais totalizam 8,9 milhões de visitantes. 75% das receitas operacionais da SANParks (órgão gestor dos parques) é proveniente de parcerias com o setor privado.

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Paulo defende a preservação das UCs para boas oportunidades de negócios com a comunidade local. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

O palestrante falou da construção das concessões de Campos Jordão e da Serra da Cantareira, mostrando um gráfico de fluxo, contendo: modelagem interna, consulta pública, publicação de edital, licitação e assinatura do contrato. Também envolve elaboração e entrega de MIP, divulgação de PMI e elaboração de estudos de viabilidade. Também envolve indicadores de conhecimento e satisfação da comunidade e de desenvolvimento local.

Em Campos do Jordão, o investimento estimado (20 anos) está em R$ 9,4 milhões, incluindo: hospedagem, alimentação, lojas, centro de aventuras, centro de visitantes, estacionamento e reformas (serraria, alojamento e escritório). A visitação em um ano foi de 168 mil pessoas e daqui há 2020 até 311 mil. Já a da Cantareira o investimento é de R$ 5,6 milhões, envolvendo: alimentação, lojas, centro de aventuras, centro de visitantes, estacionamento e reformas (auditório). A visitação em um ano foi de 135 mil pessoas e até 2020 previsão de 452 mil.

O representante da Fundação Florestal explicou que os objetivos das concessões são: criar soluções inovadoras para as demandas de gestão das áreas naturais protegidas no Estado de São Paulo; fortalecer infraestrutura básica de apoio à gestão do uso público; apoiar na implementação de modelos de gestão inovadores do uso público com apoio da tecnologia de informações; consolidar a cadeia produtiva do turismo sustentável gerando oportunidades de negócios e parcerias com foco nos perfis de visitantes; e atender os diferentes temas do uso público: lazer, ecoturismo, eventos, estudos do meio e de pesquisa ou outros. Ele ainda falou de passaporte para as trilhas de São Paulo. “As pessoas precisam conhecer para preservar”, afirmou Mário que também apresentou Manuais de Monitoramento e de Construção de Trilhas.

O turismo pela bike

Cicloturismo no Brasil: potencialidades e desafios foi o tema da apresentação de Juliana. Primeiro ela falou de três tipos de cicloturismo: de passeios diários (passeios a lugares dora ou no local de residência do ciclista), ciclismo de férias (ciclismo faz parte de um grande conjunto de atividades em uma viagem) e viagem de bicicleta (a bike como a principal motivação e modo de transporte da viagem). Em dados gerais, o Brasil recebeu mais de 6,5 milhões de turistas internacionais em 2017, superando os números de visitas dos Jogos Olímpicos (2016) e Copa do Mundo (2014).

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A pesquisadora Juliana mostra as possibilidades de cicloturismo no Estado de RJ. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

O cenário atual conta com duas políticas: Política Nacional de Turismo e Política Nacional de Mobilidade Urbana. A pesquisadora ainda apresentou que foram investidos R$ 20,2 milhões do Ministério das Cidades em 53 municípios brasileiros para a construção de ciclovias. Já o faturamento de empresas de turismo de aventura e ecoturismo passou de R$ 491,5 milhões em 2008 para R$ 515,9 milhões em 2009. O turismo doméstico corresponde por aproximadamente 90% da receita da indústria do Brasil.

Ela ainda comentou sobre o cicloturismo na Europa: o EuroVelo, em que possui uma rede de 17 rotas de ciclismo de longa distância conectando e unindo todo o continente europeu. Gera por ano 2,3 bilhões de viagens e 44 bilhões de euros em receitas. Ela ainda mostrou os locais do pais que já possuem atividades de cicloturismo. Ela exemplificou com o Circuito do Vale Europeu, que envolve nove municípios, envolvendo 287,1 km e já recebeu 8 mil visitantes por ano, envolvendo 43 hotéis, 10 restaurantes e sete operadores de viagem.

Juliana defendeu que o cicloturismo exige planejamento e gestão. Os benefícios são: promover o cicloturismo agrega valor a cadeia do turismo sustentável, reduz a pegada de carbono do setor, promove a mobilidade ativa e a valorização do meio ambiente, e dinamiza a economia local. Esse tipo de turismo envolve: serviços para ciclistas, infraestrutura bike-friendly, sinalização turística padronizada, análise de desempenho, governança e integração intermodal.

Por fim, a pesquisadora mostrou o potencial do cicloturismo no Rio de Janeiro, como a conexão de Rio de Janeiro com Niterói que é quase toda plana. Ela pediu aos grupos de pedais que traçassem rotas: 12 parques estaduais com o Programa Vem Pedalar, Rota Charles Darwin, Caminhos de Darwin, Programa de Incentivo ao MTB nos Parques Estaduais e outros.

Acesse o site do evento: http://adventurefair.com.br/