Filme esclarece fake news da agenda ambiental

Num formato de conversa, o vídeo responde várias questões que foram divulgadas nas redes sociais sobre ocupação e conservação de terras no Brasil.

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O vídeo propõe desconstruir argumentos, como: “O Brasil é o país do mundo que mais preserva” e “As áreas protegidas e terras indígenas são tantas que não sobra espaço para expandir a agropecuária”, por exemplo. (crédito da imagem: divulgação)

Com o nome Fatos Florestais, o vídeo derruba mitos sobre ocupação e proteção para as florestas e atividade agropecuária. Em 13 minutos, a produção é uma conversa entre o engenheiro florestal Tasso Azevedo e a atriz Camila Pitanga baseado em questões mais comentadas sobre ocupação e conservação de terras no Brasil. A produção é resultado da parceria entre Observatório do Clima, a Produtora Imaginária e o cineasta Fernando Meirelles, da O2 Filmes. Assista aqui: https://bit.ly/2DDI4WM

Após observar o aumento de questões e dados distorcidos da agenda ambiental, Tasso foi convidado para esclarecer pontos importantes numa linguagem acessível e rápida para disseminar nas redes sociais.

“Coordeno dois projetos que produzem dados bem robustos. Um é voltado para estimativas de gases de efeito estufa no Brasil, desde 1970 até os dias atuais, no Observatório do Clima, e outro é o MapBiomas, em que mapeamos cada canto do país e conseguimos contar a história deles nos últimos 35 anos. Queremos mostrar que a conservação ajuda e presta serviço para todos, inclusive para manter a atividade agropecuária e até a produção de energia. Será que a agropecuária não tem como pagar por receber esses serviços naturais? Temos que pesar as duas coisas. Nós usamos os recursos naturais para nossa produção”, reflete o engenheiro.

O vídeo traz dados do uso da terra e da conservação no Brasil a partir do cruzamento de duas grandes bases públicas de informações: do MapBiomas e o Atlas da Agropecuária Brasileira, criado pela Esalq-USP e pelo Imaflora, que mapeou a situação fundiária do país inteiro. Também mostra dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), da Embrapa e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A produção ainda apresenta que Brasil não é o país com maior área de florestas do mundo, a Rússia ocupa essa liderança. Há 20 países com mais florestas que o Brasil proporcionalmente. Ele está na média mundial e ainda tem menos área protegida que a Alemanha e vários países sul-americanos. Se retirar a Amazônia, abriga somente 10% da produção agrícola do país e a fração do território nacional protegida não chega a 5%.

E o Brasil tem pouca terra para produzir? O país tem a terceira maior área de produção do mundo, com 245 milhões de hectares, perdendo somente para a China e Estados Unidos. E mais: possui maior área agrícola por habitante que esses dois países. O agricultor brasileiro é um grande conservador de florestas? Não, os dados mostram que o desmatamento em propriedades agrícolas nos últimos 35 anos foi de 20%, contra 0,5% em áreas protegidas.

Tasso atenta que o setor ambiental recebe poucos recursos do governo e com a atual gestão no Ministério do Meio Ambiente ações inovadoras que contribuem para a pauta de preservação, como a renovação de conversão de multas por conservação e até o Fundo Amazônia, podem ser paralisados e até reduzir suas ações. “Serão tempos bem ruins nos próximos anos. Já vivemos muito na adversidade e nessas situações crescemos. Tem muita gente aguerrida e centrada em denunciar o que precisa ser mostrado e apresentar soluções”, acredita.

O engenheiro florestal ainda analisa o atual cenário político: “É um movimento de várias frentes que estão no sentindo de enfraquecimento da agenda ambiental. Por exemplo, enxugamento do Ibama. Estão destituindo toda a legitimidade de governança ambiental do Brasil, por exemplo a extinção do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Há uma falta de entendimento como funciona as políticas públicas ambientais. Boa parte das políticas públicas brasileiras foram gestadas pela sociedade civil e foram sendo incorporadas na medida em que foi dialogando com o governo. O CAR (Cadastro Ambiental Rural) foi gestado e testado pela sociedade civil. Depois que ele virou uma política pública. Também tem um ataque tudo que tem relação com as áreas protegidas, seja indígenas, seja nas áreas de conservação”.

O filme está disponível no canal do Observatório do Clima no Youtube: http://youtu.be/rM4SktDid2Q