Experiências internacionais em áreas protegidas

Palestra de encerramento do 14º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável inspira com cases de uso público em áreas protegidas.

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Peruana explica os principais pontos do turismo rural comunitário em seu país e os impactos positivos nos povos. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Ações de turismo rural comunitários e dados que comprovam como florestas ajudam na saúde e combate à violência foram alguns dos assuntos debatidos e apresentados na última palestra do 14º Fórum Interamericano de Turismo Sustentável dentro da programação do Adventure Fair 2018, que ocorreu entre os dias 19 e 21 de outubro na Expo Imigrantes em São Paulo.

O evento promoveu palestras, oficinas, fóruns, atrações interativas (parede de escalada, circuito de arvorismo, piscina de remada, tanque de mergulho, queda livre e simulador de voo livre) e feira de produtos e serviços do segmento e destinos turísticos nacionais e internacionais.

Nesse painel, participaram: Milagros Ochoa de Koepke, do escritório comercial do Peru no Brasil; e Arine Janer, consultora da Global Ecotourism Network. Elas falaram em diferentes aspectos o turismo sustentável e como ele contribui na preservação de matas nativas e até culturas tradicionais de países.

A peruana disse que 17% do território nacional são áreas protegidas. Ela explicou o turismo rural comunitário em Cuzco, Puno e Arequipa. Essas ações contribuem diretamente no desenvolvimento econômico dessas famílias. Elas oferecem casa, alimentação e tipo de atividade. Primeiro é feito um mapeamento de locais que possam absorver os turistas e as famílias recebem treinamento de dois anos sobre boas práticas de higiene e manuseio de alimentos. “Esse tipo de turismo ajuda a integrar mais o turista, consequentemente tem a criação de laços de experiências. Eles buscam mais integração dos povos andinos e amazônicos”, afirmou a palestrante peruana que explicou que o lema é: “Viajar para não se perder, mas se encontrar”.

Em um mapa, ela mostrou as sete regiões protegidas e priorizadas para o turismo. Ela defende que esse tipo de turismo contribui para o vínculo baseado no intercâmbio cultural, vivencial e de experiências. Organizado de modo horizontal, que conecta os empreendimentos com os visitantes. Esse tipo de turismo atua diretamente com as seguintes linhas de ações: fortalecimento das competências, articulação comercial e fortalecimento da política institucional.

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Ariane fala os aspectos positivos do turismo para preservação ambiental e chama atenção dos brasileiros com ações mais enfáticas e com números. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Já a palestrante Ariane fala sobre os usuários do turismo e que esse tipo de atividade contribui para combater o crime e violência, corrupção e saúde. Cada caso é um caso. No Paraná, em Salto Morato, recebe oito mil visitantes com valorização de R$ 2,2 milhões. Já na Serra do Tombador (GO) tem poucos visitantes e valoração de R$ 1,7 milhões.

“Nós temos esses espaços para curar das doenças da vida urbana, para nos proteger das mudanças climáticas, inspirar, educar e gerar riqueza. Se a natureza é tão importante, por que não temos parques melhores?”

A especialista responde a própria pergunta afirmando que parte da sociedade age com ganância e ignorância, e consequentemente vem a depredação ambiental. “Grande parte quer visitar parques Temos terrenos férteis para plantar, mas somos tímidos”, afirmou.
Ariane ainda compartilhou alguns benefícios anuais: água consumida calculado em R$ 28 bilhões, água para produção de energia em R$ 24 bilhões, solo com R$ 8 bilhões, carbono com R$ 5 bilhões. E como inspirar e inovar? Os usuários estão em serviços locais e os beneficiários estão à distância e podem ser conectados pela interpretação de práticas de comunicação e de tecnologia. Ela levantou algumas sugestões: dimensionamento do real valor do verde, pesquisa sobre as percepções de atitudes dos usuários, divulgação de dados de visitação, investimento no uso público e desenvolvimento em trilhas e mosaicos. “Temos que ter dados ambientais, números para os analfabetos ambientais”, defendeu.

Acesse o site: http://adventurefair.com.br/