Expedição percorre América Latina para atuar em ações de voluntariado

10335Três viajantes e um objetivo: conectar projetos e organizações. Dentro de um motorhome, dois canadenses e uma brasileira irão percorrer 15 países da América Latina para conhecer iniciativas de voluntariado. Chamada de Expedição Mutare, que do latim significa mudar e movimentar, a jornada deve durar aproximadamente um ano.

“A ideia é trocar as nossas experiências e aprender com as pessoas que iremos trabalhar”, definiu a brasileira Thays Munhoz, idealizadora do projeto. Com 12 anos de atuação em organizações não-governamentais no Brasil, Peru e Equador, a jovem começou a se interessar pelo voluntariado quando participou de um trabalho com crianças internadas no Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas. Chegou a fazer faculdade de turismo, mas deixou o curso por não estar satisfeita com a área. “Eu queria contribuir de uma maneira mais efetiva para o benefício da sociedade”, contou.

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Os viajantes irão percorrer a América Latina dentro de um motorhome

Após passar pela diretoria operacional da Pisco Sin Fronteras, no Peru, e também ser avaliadora de projetos socioambientais da Pedal for Change, no Equador, a brasileira notou que existiam boas iniciativas de voluntariado. No entanto, elas ainda apresentavam problemas comuns, como falta de estrutura, dificuldades de operação e coordenação de voluntários. “Foi aí que surgiu a ideia de visitar vários projetos e conectar a América Latina”, explicou.

Ao embarcar nessa expedição, Thays pensou em convidar pessoas com interesse pela causa voluntária. Para isso, chamou dois amigos canadenses que conheceu durante suas atividades na Pisco Sin Fronteras. Ambos reuniam habilidades relevantes para ajudar as organizações visitadas. Carson Lehman, com experiência em construção civil e métodos alternativos, e Pierre-Luc Ladouceur, desenvolvedor de softwares e conhecedor de tecnologia da informação. “Esses conhecimentos unidos com a minha parte, que seria mais da organização e planejamento, são áreas importantes para qualquer tipo de projeto”, destacou.

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Thays Munhoz, Carson Lehman e Pierre-Luc Ladouceur

O veículo utilizado pela Expedição Mutare também possui um lugar destinado a acompanhantes temporários. A vaga será disponível para voluntários que desejam participar por alguns dias da viagem e colaborar com um ou dois projetos. No apoio externo, eles ainda contam com a colaboração de colegas que irão prestar assistência à distância durante o período em que estiverem nas organizações.

Para assegurar a logística da viagem, os preparativos para a expedição começaram em abril do ano passado. Além de contar com experiências anteriores – os três voluntários já tinham viajado antes como mochileiros-, fizeram um levantamento sobre cada país a ser visitado. Estudaram leis, documentos, custo de vida e principais problemas da região. “Se a gente já conhece um pouco do perfil local, temos condições de nos preparar melhor”. Isso ainda inclui uma vasta pesquisa sobre informações úteis para viajantes de automóveis. “Nós sabemos que o nosso planejamento foi o melhor possível até certa parte. Agora, o resto, provavelmente, vai ter que ser adaptado durante o percurso”.

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As organizações visitadas ainda não estão completamente fechadas. Até agora já foram escolhidos os trabalhos do Peru, Equador, Costa Rica e Guatemala. Para chegar a essas definições, os voluntários seguem alguns critérios, como iniciativas de pequeno e médio porte, fundadas por pessoas do próprio local e que atuem nas áreas identificadas como as maiores necessidades do país. “Claro que não é uma coisa fácil de definir. O importante também era encontrar um projeto que estivesse disposto a trabalhar com a gente”.

Os voluntários pretendem ficar de duas a três semanas em cada ação. Nesse período, irão oferecer consultoria para iniciativas socioambientais, compartilhar conhecimentos e introduzir ferramentas que atuam na facilitação do trabalho diário. Durante o trajeto também serão produzidos pequenos documentários com o apoio das comunidades locais. Todas as organizações visitadas irão fazer parte de uma espécie de rede social, voltada para troca de conhecimentos e conteúdos sobre terceiro setor.

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O veículo é equipado com uma pequena cozinha, banheiro e local para dormir

O orçamento previsto para todo o percurso é de aproximadamente R$100 mil. Por enquanto, a Expedição Mutare conta apenas com o apoio do Instituto Paramitas. A maior parte dos gastos está sendo custeada pelos próprios participantes. “Procuramos economizar ao máximo e tentar levantar recursos”, conta. O financiamento coletivo também foi uma das alternativas encontradas por eles para complementar o orçamento. Eles recebem doações até o dia 17 de Outubro no site Indiegog. Até agora já arrecadaram $605, de um total de $15.000.

A jornada por projetos voluntários da América Latina começa dia 3 de setembro no México e deve terminar no Brasil. Para neutralizar a quantidade de Gases de Efeito Estufa emitido pelo veículo durante a expedição, os voluntários fizeram o cálculo da emissão de CO2 produzido ao longo do trajeto. “Nós sabemos que uma viagem de carro não é necessariamente a melhor forma de viajar. Porém, para nossa expedição era o meio de transporte mais adequado”. No total, serão plantadas 51 árvores nos diferentes países visitados.

“O que me apaixona nessa ideia é a possibilidade de trocar a experiências, informações e histórias inspiradoras”, resumiu Thays. Segundo ela, experiências anteriores com o voluntariado a fizeram conhecer pessoas incríveis que compartilharam ideias de como construir uma sociedade melhor.

Serviço:

Expedição Mutare: http://www.pt.mutare.me/

Página no Facebook: https://www.facebook.com/expedicion.mutare