Evento promove debates sobre negócios sociais e empreendedorismo sustentável

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“Quem aqui acredita que, se trabalharmos em equipe, podemos mudar o mundo? ”, perguntou Izabella Ceccato, mediadora do evento O Poder Da Colaboração, realizado no último dia cinco, em São Paulo. Todos os espectadores que se encontravam sentados no auditório do Campus São Paulo – Google Space levantaram a mão. Em seguida, uma dinâmica de integração fez com que as pessoas saíssem de seus lugares e conversassem quem estivesse por perto.

Ao longo do dia, o encontro trouxe sete palestras que propuseram diálogos sobre iniciativas sociais a partir do tema Cooperação Como Ferramenta de Transformação Entre Pessoas e o Mundo. A primeira mesa recebeu Luiz Serafim, head marketing na agência 3M. “Todos somos especialistas em algo. Eu tenho minha área de formação, mas o importante mesmo é explorar toda a potencialidade que existe em nós”, disse, logo de início, quando apresentou seu livro O Poder da Inovação.

O publicitário graduado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) contou que começou a atuar com o princípio de ajudar o próximo ainda no colégio, quando participou da formação de um grêmio estudantil. “Eu contei aos meus colegas que gostava de escrever. A nossa primeira iniciativa, então, foi criar um jornal com notícias da escola. Isso começou a gerar algumas transformações. Em seguida veio a ideia do grêmio – nós nos juntávamos, debatíamos o que era preciso mudar na escola e, com o passar do tempo, as conquistas foram acontecendo”.

Revelou, também, que foi um dos fundadores da empresa júnior na universidade onde estudou, criada para possibilitar a prática profissional dos alunos, conciliando e expandindo aspectos vistos em sala de aula. “Existia uma escassez de recursos, como em toda estatal. Eu e mais alguns alunos começamos a conversar sobre situação da universidade e pensar em uma solução”. No ano passado, a ECAJúnior completou 25 anos de existência. “A iniciativa fez a diferença, e ver a evolução dela, desde a criação, é muito gratificante”.

Para ele, o segredo de um bom desempenho profissional, e o diferencial da 3M, hoje referência em inovação, é o trabalho em equipe – e isso o surpreendeu quando iniciou sua carreira lá. “A cultura colaborativa faz parte da nossa rotina. Sem dúvida nenhuma, as pessoas que lá colaboram querem ganhar em conjunto, não individualmente. ”. Pontuou, também, que as organizações devem ter uma relação horizontal com seus funcionários. “É muito triste ver uma liderança ditatorial e centralizadora. Montem suas organizações e influenciem para que, dentro delas, as relações sejam igualitárias”. Acrescentou que, para ele, quando direcionamos nossos interesses pessoais ao bem-estar público, os resultados são muito mais eficazes.

Relembrou um evento, também realizado no Campus São Paulo, no qual o palestrante criou a hashtag #GiveFirst, que significa primeiro doe. “Fazer o bem dá uma sensação de prazer muito grande. O universo conspira e te devolve”. Luiz contou sobre o Dia da Inovação, quando funcionários da 3M participam de atividades em escolas com a temática voltada a responsabilidade social e projetos inovadores, com o objetivo de criar conexões entre indivíduos que consigam se ajudar.
Finalizou sua fala com a frase: “Nós, todos os dias, precisamos proporcionar ao planeta um impacto positivo do nosso trabalho”.

O encontro trouxe também, ao final do dia, na penúltima mesa, a presença de Lucas Harada que, assim como Luiz é formado em Publicidade e Propaganda. Coordenador da plataforma Juntos.com.você, uma ONG que tem o propósito de apoiar o trabalho de outras organizações ou pequenos empreendedores sociais pelo financiamento coletivo. Aos 26 anos de idade, já esteve em instituições como Teto, de construção social, onde foi coordenador de comunidades e Guerreiros Sem Armas, uma vivência de 30 dias promovida pelo Instituto Elos com foco em empreendedorismo social. Atualmente é facilitador no movimento Oasis Sampa e no curso de Business Design for Change, com foco em negócios sociais.

Começou sua fala enfatizando que desde criança, apesar da personalidade agitada, tinha o costume de se colocar no lugar dos colegas para tentar entender o que se passava no dia a dia de cada um. “Eu gostava de imaginar como seria a minha vida no lugar daquela pessoa, e como ela ficaria em outra família”.

Na hora de prestar vestibular, acabou optando pela área de marketing. “Foi a melhor opção para compreender o que eu não queria fazer da vida. Porém, no TCC, comecei a estudar sobre uma empresa de soluções sustentáveis. Pensei comigo que fazendo aquilo eu sentia valor na energia que estava gastando”.  Ressaltou que quando entrou para o Teto, pôde ver de perto outras realidades. “Foi a primeira vez que eu vi uma situação extremamente vulnerável. Além disso, era no meu bairro, há 30 minutos da minha casa. Não achei aquela desigualdade justa”. A partir de então, passou a trabalhar em parceria com a ONG em diferentes atividades.

Atenção, troca e conversa: ao promover uma ação social com moradores de rua, Lucas percebeu que essa era a chave da mudança para um mundo melhor. “Eu já pensei em desistir. Era muito frustrante passar pela rua e ver a mesma situação desigual se repetindo todos os dias”. Falou, também, sobre a motivação dada pela mãe nesse momento. “Ela me disse que eu não ia mudar o mundo de um dia para o outro, nem ele inteiro. Você vai fazer o seu melhor para ele e isso é o suficiente”.
Foi em 2016, no começo do ano, depois de já ter passado pelo Guerreiros Sem Armas, que Lucas facilitou o projeto Oasis Na Viela. “Eu senti que, pela primeira vez na vida, eu atravessei a ponte de verdade e iniciei uma relação com as pessoas de um projeto. Não era só mais uma ação”. Criou, em seguida, junto a equipe do Sense-Lab, um curso de negócios sociais para quem quer empreender na prática. Passou, também, pelo programa de talentos da AryMax, uma organização que investe em organizações e jovens.

A Juntos.com.br surgiu em 2015 e já apoiou cerca de 600 projetos. Recebeu prêmios de instituições como o Google, o que trouxe recurso para que o trabalho pudesse continuar a ser realizado.

Lucas terminou ressaltando a ideia de que ainda tem o mesmo pensamento da infância, baseado no exercício de imaginar como é a realidade das pessoas em diversas situações.

O evento O Poder da Colaboração foi transmitido ao vivo e a gravação pode ser encontrada em: https://goo.gl/Tco1WX


Texto: Gabriela Lira Bertolo

Data original da publicação: 12/04/2017