Evento da Rede do Bem lança edital a microprojetos de SP

Diferentes palestrantes falam da importância de projetos alinhados e engajados para implementar metas primordiais na construção de sociedade justa e igualitária.

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Evento reúne três especialistas diferentes para lançamento de edital a microprojetos. (crédito de imagem: Susana Sarmiento)

“Quando você está conversando em um bar com um amigo e ele solta comentário preconceituoso e você não fala nada. Isso é como se você estivesse dando um like do Facebook”, critica o jornalista Leonardo Sakamoto, jornalista e doutor em ciência política e presidente da ONG Repórter Brasil, em sua fala no 1º Fórum da Rede do Bem que ocorreu na tarde de ontem (18/4) no auditório da Pinacoteca em São Paulo. O evento também lançou o 1º Edital de Microprojetos a ONGs paulistanas.

O evento reuniu três palestras com: Haroldo Machado Filho ministrou Objetivos globais em projetos locais – A Sociedade civil nos ODS, João Paulo Vergueiro ministrou a palestra Captando recursos para projetos nas periferias e Leonardo Sakamoto com Direitos Humanos nas periferias: vulnerabilidades e resistências.

O jornalista defendeu que a história se muda no horizonte de longo prazo e que isso vai depender da população para acompanharmos as mudanças e acontecimentos no congresso brasileiro. Ainda ele incentivou ter uma carta de intenção feita pela própria população para garantir mínimo possível de ideias na Declaração de Direitos Humanos. “Infelizmente as coisas não ocorrem na velocidade que deveria ocorrer”, atentou sobre os compromissos de direitos humanos internacionais.

Haroldo Machado, assessor do PNUD para desenvolvimento sustentável, começou sua fala dizendo que a situação atual brasileira estimula na união da população para batalhar por uma sociedade mais justa e igualitária a todos. “Eu acredito que se o mundo não for melhor, não será bom a ninguém. Temos que buscar o que nos une”. Seu primeiro slide foi para contextualizar e explicar o conceito de desenvolvimento sustentável.

O palestrante ainda falou dos objetivos de desenvolvimento do milênio, que vigorou de 2000 até 2015. “Quando a humanidade virava o milênio, existia uma esperança de um futuro melhor. Era uma agenda que pensava mais do que nunca combater a pobreza e a fome”.

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O jornalista Leonardo defende posicionamento dos cidadãos. (crédito da imagem: divulgação)

Haroldo falou da diferença entre Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, que ocorreu em 1992 e Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20. “O espaço mudou consideravelmente nos últimos anos. Poucos países africanos possuem esse desenvolvimento. Os bolsões de pobreza no Brasil ainda estão concentrados no norte e nordeste. Nos anos recentes, a renda caiu, a educação e longevidade aumentam. A configuração é para acreditar”, sinaliza Haroldo mostrando mapas do índice do desenvolvimento humano.

Ele ainda esclareceu como foi acordado a Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável. Nessa parte ele citou os cinco ps: pessoas, prosperidade, planeta, parcerias e paz. Ele difere ainda esse documento para os objetivos de desenvolvimento sustentável, que procura criar instrumentos para quantificar o progresso ou não das ações da sociedade. “Quem é gestor de projetos sabe que não é somente dinheiro, mas o bom desempenho das iniciativas depende de recursos humanos, dados, capacitação e regras claras. Também necessita de acompanhamento e revisão, para compartilhar o que está acontecendo ou não para corrigir o ritmo das coisas”, ressaltou.

Haroldo também se lembrou que houve três eventos importantes em 2015, como a COP do Clima em Paris, a Cúpula das Nações sobre o Desenvolvimento Sustentável e Financiamento para o Desenvolvimento. Todos esses reforçaram que as organizações da sociedade civil terão que se organizar a realinhar seus projetos com os ODSs para conseguir financiamento. “As ODSs têm uma janela de oportunidades para geração de negócios. E é fundamental ter essa visão. Os investimentos necessários para isso variam de três a quatro trilhões de dólares no mundo por ano para que essa agenda seja implementada”. O assessor do PNUD ainda compartilhou que estão trabalhando com a equipe do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, conhecido como MROSC, na criação de uma plataforma para incentivar a sociedade para trabalhar em prol das ODSs e visibilidade em suas ações para implementar a Agenda 2030.

Captar em projetos na periferia

O diretor executivo da Associação Brasileira de Captação de Recursos (ABCR) falou sobre processo de captação de recursos a iniciativas em locais de baixa renda. Primeiro ele questionou o público sobre o motivo de desenvolver projetos sociais e ambientais e respondeu: “Nós fazemos tudo isso, porque queremos gerar impacto na nossa comunidade e fazer a diferença para um mundo melhor”. Para isso, é necessário mobilizar recursos para garantir os projetos. A captação de recursos consegue manter o impacto constante e verdadeiro. “Nós adoramos pensar em projetos, mas também precisamos pensar na capacidade de financiar, de garantir recursos que irá permitir que seja sustentável e permanente”.

O administrador ainda explica a origem de recursos de organizações do terceiro setor. Diferente do Estado, que recebe sua verba via impostos, nem de venda de produtos e serviços como as empresas, as organizações da sociedade civil recebem doações. Ele ressalta ainda que as pessoas e empresas que acreditam a causa da organização irão financiar seu trabalho. “O recurso da doação é de quem acredita no meu trabalho, do impacto que eu gero para a sociedade. Nós ainda não somos habituados a doar a ONGS. Qual modelo ideal? Quando todos perceberem que ser cidadãos também é financiar causas que acreditamos”.

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João Paulo explica a importância de pedir recursos e vender a causa das organizações. (crédito da imagem: divulgação)

Ele ressaltou que os recursos estão nas mãos das pessoas. “Todos nós temos causas, sejam mais tradicionais, como as mais complexas. Temos que conseguir mobilizá-las”. Ele compartilhou com o público que doa a organizações da sociedade civil e defendeu que os gestores precisam pensar nas receitas para conseguir pagar os projetos. Hoje o captador de recursos é um profissional próprio do terceiro setor e estão no mundo. Também chama atenção para o pedido de doação. O público precisa saber que a organização trabalha por financiamentos de doações. Além de pedir dinheiro, o relacionamento é outro tópico importante. “A gente não recebe doação e vira a cara. Cria um vínculo com o doador e construo relacionamento com ele”.

João Paulo citou alguns exemplos para mobilizar doações: evento de captação de recursos, rifas, botão da doação (contou sobre uma organização de Jundiaí e não deixaram breve e não colocaram um sistema), página Facebook, financiamento coletivo, presença on-line ativa, gorjeta solidária – troco; cofrinho do bem, despertador da doação – aplicativo criado na Inglaterra e linca com despertador em que cada sonecada uma doação para ONG. Ele terminou a palestra dele divulgando o Festival ABCR, um dos principais encontros da área de captação de recursos, prevista para 6 a 8 de junho neste ano. Também falou ao público se envolver na campanha Dia de Doar, marcado no dia 27 de novembro, para estimular a cultura da doação. Informações no site: www.diadedoar.org.br

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Edital destinará recursos a cinco microprojetos da capital paulista. (crédito da imagem: divulgação)

Edital

A Agência do Bem lança o I Edital de Microprojetos de São Paulo para apoiar o trabalho social feito por organizações da sociedade civil de várias áreas. Essa iniciativa marca o início da Rede de Organizações do Bem na região metropolitana da cidade. Serão selecionadas cinco microprojetos para receber o apoio financeiro de até R$ 4 mil por microprojeto.

Acesse aqui para conhecer: https://goo.gl/dxfXqr