Estudo mostra situação dos recursos hídricos em diferentes regiões do mundo

Com o tema o Valor da Água, Agências da ONU lançam o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos-2021.

Imagem de pessoas ao redor de gotas de água. Texto lateral direito: A água tem um valor diferente para cada pessoa. Logos da ONU Água e Unesco acima.
Representante da FAO Brasil sinalizou que há uma disputa entre a água para a agricultura e as cidades. (crédito da imagem: divulgação)

O consumo de água doce aumentou em seis vezes no último século e continua a avançar a uma taxa de 1% ao ano, resultado do crescimento populacional, do desenvolvimento econômico e das alterações nos padrões de consumo. A qualidade desse recurso diminuiu exponencialmente e o estresse hídrico, mensurado essencialmente pela disponibilidade em função do suprimento, já afeta mais de dois bilhões de pessoas. Muitas regiões enfrentam a chamada escassez econômica da água: ela está fisicamente disponível, mas não há a infraestrutura necessária para o acesso. E isso em um horizonte cuja previsão de crescimento no consumo é de quase 25% até 2030.

Essas informações são apresentadas no relatório lançado em português na última terça-feira (23 de março) em evento on-line organizado pela UNESCO, FAO e Rede Brasil do Pacto Global da ONU. O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2021 (World Water Development Report – WWDR), desenvolvido com o suporte de mais de 20 agências do Sistema ONU que integram o esforço interagencial denominado ONU-Água (UN-Water), tem como justificativa a necessidade de reconhecermos o valor da água em suas várias dimensões e incorporarmos tais valores intrínsecos e intangíveis em ações políticas e de investimentos no setor.

No Brasil, as fontes de captação de água, majoritariamente os mananciais, não assistiu a avanços em inovações que pudessem evitar de forma significativa o desperdício, um dos principais problemas enfrentados. A má qualidade da água nas regiões de baixa renda, resultado da falta de saneamento básico e higiene, é um vetor que afeta todo o sistema de saúde do país. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que um em cada 10 domicílios brasileiros com acesso à rede de distribuição sofre com a falta de água pelo menos uma vez por semana. Isso corresponde a mais de seis milhões de lares. Em um momento crítico causado pela pandemia da COVID-19, a falta de condições para a higienização multiplica os riscos de contágio.

O evento de lançamento do levantamento contou com as participações da Marlova Noleto, diretora e representante da UNESCO no Brasil; do Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global; e do Rafael Zavala, representante da FAO no Brasil. Este evento foi um oferecimento das empresas Oxiteno e Hypera Pharma e o apoio institucional da Unibes Cultural.

O relatório completo pode ser acessado em: https://bit.ly/3cnLdf7