Estudantes do Senac Franca produzem repelente natural

Grupos de estudantes do curso técnico em Farmácia do Senac Franca desenvolveram como um trabalho integrador repelente natural baseado na citronela e manjericão.

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Os repelentes estão em três formatos: spray, repelente para o corpo com óleo de amêndoa e difusor (da esquerda para direita). (crédito da imagem: Jeane Cristina Costa de Moraes)

Estudantes do curso Técnico em Farmácia no Senac Franca desenvolveram um kit de repelentes naturais como trabalho para a disciplina de Formas Farmacêuticas Líquidas em março deste ano. O produto contribui diretamente para combater a epidemia de dengue na cidade. De acordo com balanço da Secretaria de Saúde do município, atualmente são quase seis mil casos suspeitos com quase 500 confirmações.

O kit feito pelos estudantes é composto de três produtos: repelente para o corpo, outro para ambientes e um difusor. Segundo a docente Jeane Cristina Costa de Moraes, farmacêutica e pós-graduada em Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica, o projeto foi realizado em etapas. A primeira foi de problematização, conhecida pelo período em que os alunos buscaram problemas do cotidiano que gostariam de resolver e com associação ao UC9 – conhecido como o preparo de fórmulas farmacêuticas líquidas. Nessa parte, surgiu a ideia de produzir um produto para contribuir no combate da dengue e os próprios alunos desenvolveram um registro parcial como ponto de partida.

No próximo passo, os estudantes estudaram uma base de dados sobre os princípios ativos que poderiam usar contra o mosquito e descobriram concentrações usuais. Nesse momento, foi realizado uma síntese parcial que deveria ter ativos e concentrações descobertas. Na elaboração do kit, foi avaliado se havia: paramentação e higienização correta da área de preparo, método de extração de plantas, pesagem e medição de ativos da formulação, preparo da fórmula e envase. Os alunos foram avaliados por meio de uma apresentação em plenária dos produtos formulados para os colegas de sala.

“O interessante é que os alunos avaliaram o próprio kit levando para casa onde realizaram um teste empírico para verificar a eficácia dos produtos, e todos relataram uma diminuição da percepção dos mosquitos da dengue no local”, observou Jeane.

Os estudantes concluíram esse produto como uma alternativa complementar para repelir o mosquito, porém não deve ser usada como substituta isolada das substâncias repelentes já testadas e certificadas cientificamente.

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Os alunos optaram pela técnica de extração estudada em sala de aula, ao invés de comprar os óleos de citronela e manjericão prontos. (crédito da imagem: Jeane Cristina Costa de Moraes)

Valéria Filomena Domenes Cassanta, estudante do curso, é uma das integrantes do grupo que desenvolveu os repelentes: “A gente estava na aula e a Jeane pediu para pensar num projeto integrador com solução líquida. Veio a ideia do repelente. Cada vez mais são muitas pessoas com dengue e pensamos na hora nesse tipo de produto. Pesquisamos, entramos em base de dados. Queríamos algo natural e de baixo custo para que todos pudessem fazer. Dessa forma, surgiu a ideia de citronela com manjericão”.

Formada em Contabilidade, Valéria, quando jovem não teve chance de escolher o curso que queria estudar, trabalhou como vendedora por um período e atualmente atua na área de serviços gerais. Há dois anos conseguiu bolsa de estudos no Senac Franca e ingressou no Técnico em Farmácia na busca por estudar algo diferente e seguir seu interesse pela a área da saúde. Ela contou que foram cinco pessoas que trabalharam diretamente na elaboração desse kit. Para chegar nessas três fórmulas, foram feitos três tipos de repelente: um como difusor, outro spray (possibilita jogar em plantas e outros espaços) e um óleo de amêndoa para o corpo. Todos esses produtos elaborados com álcool 70%.

“Esse kit possui 250 ml de álcool 70% e optamos pelo método de extração com as plantas de citronela e manjericão por sete dias e depois coamos para depois adicionarmos mais 250 ml de álcool 70%”, explicou. Também foram usados 100 gramas de citronela e 50 gramas de manjericão. Valéria levou um pouco para casa e usou difusor em ambientes que circula, como sua casa e seu trabalho, para testar. Outros integrantes do grupo fizeram o mesmo durante um mês para observação. ”Lá no meu trabalho tem um córrego e costuma ir muitos pernilongos, mas com difusor notamos que reduziu a quantidade de insetos”.

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Estudantes do curso Técnico em Farmácia no Senac Franca contribuem no combate da dengue na região. (crédito da imagem: Jeane Cristina Costa de Moraes)

A docente ainda chamou atenção pelo grupo ter optado na extração da planta in natura (citronela e manjericão) e usarem a metodologia aprendida em sala de aula:” Eles também já tinham aprendido a forma correta de preparar formulações líquidas e utilizarem o mesmo método”. Além disso, a farmacêutica ressaltou o custo/benefício e acessibilidade do produto, por ser um produto não tóxico – como muitos repelentes disponíveis no mercado. Esses produtos podem usados por crianças, idosos e gestantes.

Uma das principais dificuldades foi encontrar a planta da citronela. O grupo encontrava muito fácil o óleo, mas não a planta. Era necessário buscar pela manhã, cortar a planta para que ela estivesse fresca e verde. Depois triturar, pesar e colocar no processo de extração – método conhecido por deixar de molho e deixar até 15 dias, em que ela pode ficar de sete a 15 dias, depois coloca dentro do álcool e coa para pegar somente a parte do líquido amarelo e todos os dias chacoalha o vidro durante sete dias. “O princípio ativo está na folha da citronela e do manjericão e apertamos para sair o sumo”.

Atualmente o projeto está com novas propostas de formulações com a mesma finalidade. Os alunos estão vivenciando a UC10, conhecido como o preparo de formulações semi-sólidas, em que estão propondo a formulação de um creme corporal com citronela e alfazema com a mesma finalidade de afastar o mosquito da dengue.