Estudante lança campanha de crowdfunding para ser voluntária na África

Nas comunidades rurais do norte de Gana, país da África Ocidental, o dialeto falado é o dagbani. É também dessa linguagem que vem o nome Saha, usado por uma ONG estadunidense, que significa “oportunidade”. Foi graças a uma colega de trabalho que Júlia Catani, de 22 anos, conheceu a organização. Agora, ela está prestes a passar por uma experiência que vai fazê-la ver o mundo com outros olhos.

gana1Estudante de relações internacionais, sempre quis fazer trabalhos humanitários e atuar no terceiro setor. “Surgiu uma oportunidade de trabalhar com filantropia e já faço isso há um ano. Sei que de alguma maneira vou influenciar algo, mas ainda é uma coisa muito longe de mim”, conta. Para ir além, ela se candidatou para ser representante de campo da Saha Global e, depois de enviar cartas de motivação, documentos e realizar entrevistas, foi aprovada para ser voluntária.

Júlia será a primeira brasileira a atuar no projeto Por Uma África Mais Potável, que ensina mulheres das comunidades locais a fazerem tratamento de água, que depois é vendida por preços simbólicos. Ela embarca no dia 31 de maio, mas antes tem que cumprir uma missão ainda no Brasil: arrecadar o valor equivalente a U$ 2900, a ser usado para comprar os materiais durante a capacitação (custos por fora do programa, como passagem aérea, serão por conta dela). Para conseguir a quantia, lançou uma campanha de financiamento coletivo que ficará aberta até o próximo dia 10. Para ajudá-la, acesse: https://goo.gl/Jc8i1A.

Nos primeiros cinco dias, os voluntários vão aprender as técnicas. Depois serão divididos em grupos e cada um deles será encaminhando para uma vila. A estudante explica que são usados materiais que sejam de fácil acesso em cidades vizinhas, como pastilha de cloro e pedra alúmen. “Tem todo um processo de
educar as pessoas da importância da água, principalmente crianças. As meninas mais novas acabam vendo as mães fazendo isso, é uma coisa que vai ficar naquele lugar”, diz.
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O objetivo é gerar autonomia e empoderamento para as mulheres. Depois da capacitação, a ONG ajuda a manter as iniciativas locais por um ano – tempo para que se tornem rentáveis – e passa mais quatro realizando acompanhamento. “Até hoje, 100% dos negócios criados continuam funcionando”. Além dos benefícios sociais e econômicos, a ideia diminui os riscos de a população (especialmente a infantil) contrair doenças por água contaminada.