Especialistas falam do uso da ciência a favor de políticas educacionais

Levantamentos, análises e até tipos de pesquisas foram o foco central da palestra Produção e uso de evidências para aprimorar políticas educacionais na manhã da última quinta-feira no primeiro dia do Seminário Internacional Caminhos para a qualidade da educação pública: impactos e evidências, promovida pelo Instituto Unibanco  e Folha de S. Paulo com apoio do Insper, nos dias 15 e 16 de setembro, no Teatro CETIP no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Neste debate participaram: Greg Welch, professor associado do Centro de Nebraska de Pesquisa sobre Crianças, Jovens, Famílias e Escolas da Universidade de Nebraska-Lincoln; Ricardo Madeira, professor de economia da Universidade de São Paulo e pesquisador associado da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe); e Roberto Lent, coordenador da Rede Nacional da Ciência para Educação e membro titular da Academia Brasileira de Ciências e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

14322637_10154757003781412_8420201422634814567_nRoberto Lent falou e contextualizou a importância da ciência para estudos sobre educação. Ele falou do princípio de um pesquisador chamado Donald Stokes em que dividiu a pesquisa científica em quadrantes, separados em: pesquisa básica pura (Niels), pesquisa inspirada pelo uso (Louis Pasteur), pesquisa básica aplicada (Carl Linnaus) e pesquisa aplicada pura (Thomas Edison). Ele comentou que essa prática de pesquisa é bem usada na área da saúde no ambiente acadêmico e até nas grandes empresas como hospitais.

Após esse slide, ele sugeriu pensar a educação num sistema de sala de aula em que os atores são bem semelhantes e ainda questionou como os governos e as empresas, como o Google, influenciam na vida informal e no sistema educacional.

O professor titular da UFRJ citou e explicou a experiência desenvolvida por um grupo de jovens de Israel que criaram um programa para melhorar o desempenho dos disléxicos. A tecnologia deles contribui para aumentar suas atividades e conexões cerebrais dessas pessoas, impactando diretamente algumas regiões do cérebro relacionadas à leitura. A ferramenta digital ajudava no reforço da leitura, aumentando o tempo de aparecimento do texto e logo após um questionário para ver se a pessoa conseguiu fixar em sua mente as informações centrais de cada trecho do texto. Foi constatado que o tempo de leitura pelos disléxicos usando essa tecnologia reduziu e aumentou a compreensão dos textos.
“Essa invenção contribui ainda para crianças não disléxicas, pode ser uma sugestão a educadores e gestores escolares, estimular ainda pesquisas sobre isso em escala”, afirmou o palestrante.

Roberto ainda comentou que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) irá lançar um livro sobre as práticas de três países que estão adotando a ciência a favor da educação: Austrália, Hong Kong e Brasil.

Para contribuir para melhoria do ensino, o coordenador da Rede Nacional da Ciência para Educação ajudou na criação da plataforma Censo Nacional CpE – Rede Nacional de Ciência para Educação, um espaço desenvolvido a partir de um levantamento de todos os pesquisadores doutores atuantes no Brasil de qualquer área da ciência em que as linhas de pesquisa tenham aplicação ou alguma interface com a educação. Propõe mapear os grupos de pesquisa com potencial em ciência para educação. Com previsão para lançamento em outubro deste ano, a plataforma vai possibilitar buscar pelo nome do pesquisador, com suas pesquisas e principais constatações.

Greg Welch focou sua fala nas evidências confiáveis em pesquisa aplicada na avaliação. Sobre as práticas, o pesquisador também comentou que elas precisam ser viáveis e é importante pensar em mais de uma abordagem com dois avaliadores. “É feita uma pesquisa como uma ação de responsabilidade social com várias teorias. Necessário pensar como elas serão utilizadas e apresentadas de forma útil e com classificações claras”.

Segundo o professor associado da Universidade de Nebraska-Lincoln, as raízes de avaliação estão na utilização, métodos e valorização. E qual o valor das ações em criar mudanças? “Quem vai criar decisões consideram valores. No final das contas, é importante pensar no financiamento, falar dos atores muito utilizados nas classes de metodologia”.

O especialista ainda recomendou que é importante numa avaliação envolver diferentes partes, conversando com diferentes segmentos para entender a questão problemática e criar toda mudança e encaixar no desenho da avaliação, além de compreender o foco da metodologia usada. Outro dado essencial é perguntar aos stakeholders, eles precisam ser comunicados suas constatações e se perceberem como confiáveis e importantes no processo de avaliação.

Greg citou Michael Quim Patton, especialista em avaliação, em que defende que é preciso pensar em uma fonte confiável para entender os métodos de impacto para saber o que tem de ferramentas disponíveis. Também atentou que sempre é bom refletir nos erros de desenhos que muitas pesquisas possuem. “Como a intervenção vai funcionar? Qual vai ser o processo de medição e tenta seguir o modelo usado como conservador? E vai classificar o ranking e tentar modelar? questionou o professor.

O palestrante internacional disse que a ciência precisa ser salva, nem reagir diretamente, mas sim saber usá-la a seu favor. Suas principais conclusões foram os seguintes tópicos: explorar o futuro através do passado; adequação metodológica com rigor; o contexto é importante; e práticas baseadas empiricamente.

O economista Ricardo afirmou que entender o gasto como impacto de faz em um programa é importante numa avaliação. Para ele, atualmente há um cardápio de políticas alternativas e o tempo todo o gestor precisa fazer escolhas e até adotar pequenas políticas. Ele sugeriu a união de políticas novas com as existentes.


Serviço:

Acesse Instituto Unibanco: http://www.institutounibanco.org.br/
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Data original da publicação: 20/09/2016