Especialistas falam da importância de dormir, se alimentar bem, brincar e aprender

15220Aprender, brincar, comer e dormir são essenciais para todos terem uma vivência saudável. Esses foram os temas discutidos na Série Inspirações – reflexão sobre o ABCD Encantado da Infância, organizado pela Aliança pela Infância, no Sesc Santo Amaro na zona sul de São Paulo. Esse encontro teve a proposta de discutir os quatro pilares do ABCD Encantado por meio de rodada de conversas com um mediador. Os especialistas participantes foram: Paula Saretta, Giovana, Barbosa de Souza, Vanessa Acras e Derblai Sebben.

brincar-1A primeira a falar foi Paula sobre o Aprender – Entrelaçamento entre Pensar e Sentir. Ela comentou sobre a importância da diferenciação cognitiva e sensitiva. Por meio de imagens, ela questionou quem está no controle, as necessidades das crianças, quem as responde, o que elas consomem e ainda relacionou afeto com cognição. “É importante dar meios para as crianças se sentirem confiantes, compreendendo suas necessidades e não há um conhecimento que seja fácil nem difícil. A aprendizagem é um processo extremamente complexo. Aprender de fato é quando algo que marca a gente afetivamente”, defendeu a especialista que ainda disse que os pensamentos são afetivos.

Giovana lembrou que a organização possui 15 anos de trajetória e é conhecida por ressaltar a importância do brincar para o desenvolvimento saudável da criança. Ressaltou a simplicidade do tempo e do ambiente para observar o tempo da criança e sua singularidade para contribuir para que ela consiga desbravar o mundo com segurança e confiança. “Repousar e reabastecer sua energia são fundamentais para seu desenvolvimento”, salientou e disse ainda que nos dias de hoje algumas famílias não têm tempo de ficar com seus filhos por estarem voltadas na sustentabilidade financeira.

A relações públicas e conselheira da Aliança pela Infância ainda deixou um questionamento ao público: Como está o comportamento hoje em dia? “Temos muitos iPad e celulares já introduzidos muito cedo na vida da criança e a frase que os pais mais falam é cuidado! Pode quebrar! As crianças já pegam e usam. Os pais perdem a oportunidade de estarem mais presentes e harmonizar essas relações”.

“A alimentação está desde os primórdios. Falamos sempre da importância de mastigar bem os alimentos e engolir, para se desenvolver melhor”, afirmou a nutricionista Vanessa, especialista em nutrição clínica pediátrica pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela comentou que nos dias de hoje não pensamos sobre a alimentação. Deixamos de pensar sobre o comer e como somos responsáveis por isso. “Será que estamos sentando juntos para comer? Há um resgaste do encantamento, do sabor dos alimentos. Traz sinais de fome e da saciedade. Faz com que as crianças percam os sinais de fome e saciedade e equilibra nossa alma”, defendeu.

A nutricionista ainda compartilhou com o público a importância de organizar e planejar a alimentação e falta de pegar essa responsabilidade a nós.

Já o médico Derblai comentou que a maioria das doenças está envolvida com alimentação, o brincar e o dormir. “Precisamos muito de energia para lidar com a vida. Boa alimentação, boa qualidade de sono e atividade física. A aprendizagem é individual e interna e precisamos criar condições para fazer algo. O aprendizado se dá no sono, na vigília, e consolidamos bem o que aprendemos. Cada vez mais a sociedade está estressada e ansiosa e tem muita dificuldade para dormir – não consegue parar de pensar no problema. “Se não dormir bem, minha ansiedade piora e tendemos a dormir mal e vamos ter mais dificuldades para lidar com situações difíceis”, enfatizou e explicou que o sono é fundamental para regenerar o cérebro e a mente. “A criança dorme mal e é normal ela ficar doente, porque reduz sua imunidade”.

Debate

Vanessa comentou que não dá para falar sobre alimentação saudável sem comentar sobre alimentos industrializados. “Isso é um passo para trás sobre o que estamos comendo. São embalagens lindas e coloridas. O que isso faz na cabeça das crianças?”, questionou a nutricionista que ainda ressaltou a presença de personagens nas embalagens. Ainda ressaltou o aumento de casos de câncer e como isso tem relação com a alimentação. “Precisamos lutar para termos as informações nos rótulos e alimentos mais naturais”.

Dessa forma, o sono está bem vinculado com as relações sociais. Com boa noite de sono, consequentemente vai ter um bom estado de consciência. O comportamento também vai depender da qualidade desse sono. Caso contrário, a pessoa fica mais nervosa, ansiosa e estressada para realizar as mínimas tarefas.
Vanessa ainda pontuou que muitas crianças não suportam frustrações e precisam ter um bom estado de consciência para aceitar.

Giovana comentou que é importante estar desperta aos direitos. Ela ainda ressaltou que as crianças estão gostando de ganhar roupas, na qualidade de avó e não percebe quem é aquela criança – não tem essa percepção real – para ser explorado e desenvolvida – ela pode estimular outros estímulos.

Paula comentou que ainda são poucas empresas que pensam em ações para as profissionais mães e vê com preocupação o aumento de consumo das crianças. Também comentou que são poucas políticas públicas para o resgate das relações humanas disponíveis para as crianças, tentar ouvir a comunicação, não somente por iniciativa de escuta. O desenvolvimento pessoal também se dá por marcas afetivas com que elas estão aprendendo, se permite ou não, além daquelas situações que são baseadas na troca – o que está ensinando de fato para essa criança encontrar esse equilíbrio para adultos e jovens – dentro de casa, necessidade do adulto e não olha para a criança.


Data original da publicação: 03/11/2016

Texto original: Susana Sarmiento

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