Especialistas debatem os desafios do lazer no mundo

Congresso Mundial do Lazer ofereceu programação com diferentes atividades e profissionais de várias partes do mundo, de 28 de agosto a 01 de setembro, em São Paulo.

plateia-congresso-mundial-lazer-2018-Reduzida
Público na conferência de encerramento do Congresso Mundial de Lazer 2018, no Sesc Pinheiros. (crédito da imagem: Rodrigo Zaim)

“Não vamos mais ao cinema. Conectamos as pessoas do mundo todo pela internet. Eu corro com meu relógio e compartilho meus hobbies com os aplicativos. O lazer está diferente e hoje em dia existem novas formas de desenvolvê-lo”, afirma um dos especialistas presentes na mesa sobre Debates Globais sobre as Questões Internacionais de Lazer na tarde do terceiro dia (30 de agosto) do Congresso Mundial de Lazer 2018 no auditório do Sesc Pinheiros na zona oeste de São Paulo.

Com o tema Lazer Sem Restrições, essa 15ª edição do evento pretendeu abordar a temática das principais barreiras ao acesso de todas pessoas para esse movimento: físicas, socioeconômicas e simbólicas. Com atividades, workshops, palestras, estudo de campo, apresentação de trabalho e colóquios, o evento também trouxe o direito desse tema em diferentes perspectivas para ampliar o entendimento do lazer, ressignificação pessoal e de desenvolvimento social e comunitário.

Nesse painel, o enfoque foi organizado pela Organização Mundial de Lazer (WLO), que pretende se tornar um espaço para discutir sobre o futuro do lazer e de seus estudos. Um grupo de especialistas de várias partes do mundo refletiram nas seguintes questões: Quais serão as principais oportunidades e desafios para o lazer no futuro próximo? Como evoluirá o estudo do lazer? Que aptidões e competências serão exigidas dos futuros pesquisadores e profissionais de lazer? Quais são as principais tendências globais de lazer?

Participaram: Carlos Alberto Rico Alvarez, administrador público e de empresas, especialista em gestão social, palestrante nacional e internacional no campo do lazer e políticas públicas; Jack Agrios, bacharel em Artes e em Direito pela University of Alberta e já presidiu o comitê organizador do Campeonato Mundial de Atletismo de 2001; John Tower, pesquisador honorário na Victoria University’s Institute of Sport, Exercise and Active Living Australia, e diretor de pesquisa no Bon Leisure; Lenia Marques Ling Ping, pesquisadora no Centro de Estudos sobre Migrações e Relações Interculturais (CEMRI), na Universidade Aberta em Portugal, e seu trabalho atual centra-se nas indústrias criativas e inovação e criatividade em eventos, lazer e turismo; Mirleide Chaar Bahia; Ricardo Uvinha, professor livre-docente do Bacharelado em Lazer e Turismo e da Pós-Graduação em Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP) e foi diretor vice-presidente da World Leisure Organization (WLO) de 2006-2016 e atua como membro fundador da World Leisure Academy; Roger Coles, presidente da WLO, professor aposentado e vice-reitor interino da Community Engagement na Central Michigan University/EUA e foi fundador dos Jogos de Inverno do Special Olympics; Stephen Anderson, graduado em Recreação e Administração de Parques, com especialização em Recreação Terapêutica pela Indiana State University e pela University of Maryland (EUA) e presidente da National Therapeutic Recreation Society; Su-hsin Lee, phD em Gestão de Parques e Recreação pela Pennsylvania State University/EUA, mestre em Horticultura/Divisão de Arquitetura e Paisagismo pela National Taiwan University, uma das professoras mais influentes na liderança do planejamento ambiental de turismo e desenvolvimento de recreação de lazer em Taiwan; Toni Veal, bacharel em Economia pela University of Bristol (UK), professor adjunto na School of Leisure, Sport and Tourism in the University of Technology Sydney (UTS), na Austrália; Trudie Walters, phD em Turismo pela University of Otago (Nova Zelândia) e professora no Departamento de Turismo, na mesma universidade, editora associada e revisora dos Annals of Leisure Research; e Cristina Ortega Nuere, mediadora e chefe acadêmica e operacional da WLO, desde janeiro de 2016, e doutora em Lazer e Desenvolvimento Humano, mestre em Gestão de Lazer, especialista em Gestão Cultural, atualmente está desenvolvendo projeto de pesquisa sobre Patrimônio Cultural Imaterial na UNESCO.

palestra-congresso-mundial-de-lazer-1-Reduzida
Debate Global sobre os estudos do lazer. (crédito da imagem: Rodrigo Zaim)

Um dos participantes comentou a questão de lazer saudável como um mecanismo para as pessoas darem uma pausa no dia a dia, como passeios em parques e contato com a natureza. Outro falou sobre a combinação da tecnologia com dimensão geográfica e o alto desenvolvimento de igames. Outro indicou a importância de observar esse movimento e como está impactando no comportamento das pessoas.

Um dos participantes estadunidense não acredita que haverá uma mudança de atitudes na população local de lá, até mesmo porque as pessoas estão ficando cada vez mais em seus trabalhos. “Agora os cidadãos estão fazendo pequenas mini-férias. Ao invés de uma ou duas semanas, estão tirando de três a quatro dias. Não há nenhuma lei defendendo que eles precisam de férias como na Suécia”, citou.

Já outro especialista ressalta a importância de discutir temas relacionados com a inclusão de refugiados como capital de cultura até para países da Europa para ter espaços como tipo de benefício.

Outro participante ainda compartilhou que um estudo de Michigan mostra razões das pessoas em comprarem suas residências, considerando parques e áreas verdes próximas. “As pessoas valorizam os parques, mas elas também precisam muito trabalhar. Se não trabalham, não recebem. 75% estão optando por trabalhar mais para consumir mais, do que o ato de apreciar o valor do lazer.

Já o participante brasileiro ressaltou para o conhecimento dos professores universitários nos sistemas criados pela academia, que sobrecarrega esses profissionais, especialmente com a estrutura do Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que exigem uma quantidade de pontuação nos programas de pós-graduação.

Outra questão foi as habilidades necessárias aos profissionais desse segmento no futuro. O pesquisador brasileiro fala que as pessoas envolvidas nesse mercado profissional não devem ser separadas de sua produtividade na pesquisa no ensino da graduação e da pós-graduação, valorizando sua cultura.

Já outro professor brasileiro chamou também atenção para valorização da cultura e citou o caso da USP Leste que tem uma relação forte com a cultural local, envolvendo os alunos para diminuir o enorme muro da universidade com a comunidade.

Já um participante japonês ressaltou três pontos importantes em seu país: 1º) ter conhecimento básico da área de esporte e lazer; 2º) aprofundamento na gestão de esportes; e 3) habilidades profissionais, como mergulho esportivo que pode ajudar a alguns a encontrar empregos. “Em geral, nós temos pouco tempo de lazer e da capacidade de gerenciar nosso próprio tempo em lazer”.

palestra-congresso-mundial-de-lazer-2Reduzida
O painel contou com questões para interagir com opinião público junto com a visão de especialistas internacionais. (crédito da imagem: Rodrigo Zaim)

Melhorias na educação superior, profissionais dessa área participar de ações de planejamento das cidades, valor das remunerações foram outros temas discutidos.

O representante da China confirmou que o primeiro ministro de seu país está ajudando com várias ideias em programas nacionais, se pautando em: 1º) o lazer muda a vida, 2º) a exportação de lazer e 3º) lazer aumenta a qualidade de vida. Recentemente está sendo reformulada uma política nacional do lazer e no próximo ano será em Beijing o Congresso Mundial do Lazer. “A população está tentando ter uma vida melhor”, afirmou.

“Democratização de lazer requer política pública”, defendeu participante brasileiro que também comentou que com mais pessoas críticas contribuem para garantir essa democratização para um âmbito mais geral. Também falaram de ações culturais em países da América Latina e África, que não possuem muitos recursos como países mais desenvolvidos, porém contribuem para diversidade sociocultural de seus povos.

Os especialistas também chamam atenção para o fenômeno do consumo como mais importante do que o consumidor. O participante chinês comentou ainda que se as pessoas receberem mais dinheiro em seus trabalhos vão optar por trabalhar cerca de seis horas por dia, por exemplo. Por isso ele disse: “Quem ganha mais pode gastar mais dinheiro. Se aumentar mais o seu salário, a receita de consumo aumentará mais ainda”, analisou.

Site do evento: https://2018wlcongress.sescsp.org.br/