Especialistas debatem mobilizações para pauta de mudanças climáticas

ultnot-topo-socialgoodbrasil“Se continuarmos produzindo e consumindo gado e combustível fóssil de forma descontrolada. Como fazemos para reduzir o desmatamento e gerar de fato energia?”, questionou Nicole Figueiredo Oliveira, da diretora da 350.org Brasil na abertura da palestra O poder do coletivo para mudar a trajetória do clima na tarde do segundo dia do Seminário Social Good Brasil 2015, que ocorreu entre os dias 12 e 13 de novembro, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis (SC).

Para aproveitar a proximidade com a 21ª Conferência do Clima, conhecido como aOP 21, promovido pela Organização das Nações Unidas, que irá ocorrer em Paris a partir do dia 30 de novembro, o painel pretendeu abordar a pauta urgente de mudanças climáticas no dia a dia, mobilizações necessárias para atingir a inteligência coletiva.

Nicole coordena uma plataforma que está construindo um movimento global do clima por meio de suas campanhas on-line, organização das bases, públicas e ações de massa, coordenadas por uma rede global ativa em mais de 188 países. Esse vídeo explica bem a atuação do canal: https://www.youtube.com/watch?v=s5kg1oOq9tY

A coordenadora da 350.org comentou ainda sobre campanha que critica a produção do gás metano, de grupos indígenas e agricultores familiares que tentam defender sua forma de produção e suas terras. “350 não é o herói da história. Acho que aí está o sucesso”, observou.

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João Alexandre de Freitas Neto, coordenador executivo da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA/SE), falou que na região do Nordeste as pessoas convivem há muito tempo com a falta de água. “Ela muda a vida das pessoas, mais cedo ou mais tarde veriam essas mudanças e teríamos que criar alternativas de mobilização social”, afirmou. Ele ainda contou que em contato direto com as comunidades conseguem encontrar capacidades para captar água de chuva. Para isso, há um trabalho de formação.

O moderador Renato Guimarães, da Together e Greenpeace, questiono: “O planeta não precisa da gente para existir”. Sua afirmação foi para chamar atenção para causa de mobilização das pessoas em prol das agendas ambientais. Com o tema de crise hídrica, ele se lembrou que certa vez no interior do Nordeste ouviu de uma moradora que a cisterna havia dado liberdade da escravidão de andar de duas a seis horas para buscar água ruim e também eles eram reféns de políticas que prometiam coisas.

Sobre os compromissos que podem ser estabelecidos na COP 21, Nicole comentou que não há sinalizações que terá acordos. “Não tem política nacional para Protocolo de Kyoto. Há muitos grupos sociais para irem em uma articulação paralela”, disse.

O representante da ASA/SE compartilhou que a organização está sofrendo por ter apoio apenas do governo federal. A organização busca outros parceiros. “Os recursos existem, boas ações também. A questão está em sair do papel. Quem está na base precisa desses recursos. O processo de desertificação está grande demais para rever as ações. Defendo e falo para que todos possamos trabalhar com o combate de desmatamento”. A organização é uma rede formada por mais de 3 mil organizações da sociedade civil que atuam em todo semiárido e já desenvolveu o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido, que hoje abriga todas as ações executadas pela rede como os programas Um Milhão de Cisternas (P1MC), Uma Terra e Duas Águas (P1+2), Cisternas nas Escolas e Sementes do Semiárido.

Serviço:

Confira aqui os conteúdos dos debates no blog do Seminário Social Good Brasil 2015: http://socialgoodbrasil.org.br/postagens/blog

Site da ASA: http://www.asabrasil.org.br/
Site da 350.org: http://350.org/


Data original de publicação: 23/11/2015