Especialistas contextualizam papel da educação a distância e ensino remoto

No quarto debate, os profissionais também falam da atuação diferenciada do docente no dia a dia na pandemia.

Mulher sentada em frente seu notebook em sua casa em momento de pausa reflexiva.
As duas especialistas defendem necessidade de espaço apropriado e tempo de estudo para estudantes nesses formatos de ensino. (crédito da imagem: fizkes/ADobeStock)

O que é ensino remoto? Quais as diferenças entre educação a distância e ensino remoto? Qual a importância de políticas públicas da metamorfose da escola? Essas e outras questões nortearam o debate intitulado Compreendendo o Papel da Educação a Distância X Ensino Remoto – a metamorfose do trabalho docente, na quinta passada (6/8), no Fórum Internacional de Educadores, promovido pelo Senac São Paulo, para pontuar como se configuram e como se apresentam novos cenários nesse segmento, quais as divergências e semelhantes nesses dois formatos.

As participantes desse encontro foram: Ana Luiza Marino Kuller, mestre em Educação pela USP, especialista em Economia e Gestão das Relações do Trabalho e em Tecnologias na Aprendizagem e psicóloga pela PUC-SP e coordenadora de educação do Senac São Paulo; e Tânia B. Martins, graduada em História pela Universidade Federal de Ouro Preto e mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), doutora em Educação pela UFSCar e professora no programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Metodista de Piracicaba. A mediação ficou com Márcia Cristina Fragelli, pedagoga, especialista em Gestão Escolar e Recursos Humanos, Psicopedagogia e Educação Especial, mestre e doutoranda em educação e coordenadora educacional no Senac São Paulo, pesquisadora e autora de livros na área educacional.

Ana explicou que a instituição precisou rever várias estratégias para sua atuação a distância. Algumas ações ficaram paralisadas e outros continuaram. O Senac São Paulo optou pela continuidade da sua ação educacional e manter o vínculo com seus alunos. Com a impossibilidade de ocupar as escolas, muitos cursos precisam de espaço físico e foi necessário um rearranjo para avaliar o que daria para fazer remotamente. “Adotamos uma visão flexível para esse planejamento para a escola, professores e equipes”, pontua e ainda esclarece que também foi necessário pontuar ao aluno que não é educação a distância (EAD), explicando que não houve planejamento de curso de EAD, mas a instituição assumia uma continuidade com ajustes e transposição de modelo remoto mediado com tecnologia e disponibilização de materiais e docente.

A coordenadora de educação do Senac São Paulo falou que o momento exigiu replanejamento e adoção de diferentes plataformas com os alunos. Como cada um estava em condição home office, cada um também tinha uma realidade de conexão de internet e estrutura tecnológica. “Não tivemos EAD, porque demanda planejamento de seis meses com uma verba específica em títulos de áreas determinadas. Tivemos uma ação remota, algo bem específico em nosso país. O ensino remoto possibilita a continuidade da ação educacional em momento de crise, em modelos de ajustes. Todos foram pegos de surpreso em março. Tivemos quatro meses de aprendizado e mobilização de conectar escolas com equipes técnicas e especialistas da área profissional, porque assumimos um entendimento que aprende em parceria e na troca e compartilhamento das ações se constrói um modo de atuar”. Dessa forma, a instituição fortaleceu sua conexão com os alunos e eles percebem a escola como ponto de apoio, suporte emocional e até visão de futuro com projetos, um elemento de segurança diante de um cenário instável.

A mediadora contextualizou que o Senac São Paulo irá continuar com ensino remoto e possui currículos flexíveis, que contribuírem nesse momento de reajustes. Ela ainda disse que o período ressaltou os 3Rs: Recuperação, Reposicionamento e Relacionamento.

A pesquisadora Tânia fez um panorama sobre ensino remoto para democratização da aprendizagem. Ela ressaltou a política em exceção e a intensificação do trabalho do professor. Do ponto de vista de qualidade de ensino, não se relaciona somente a recursos tecnológicos e multiplicidade de fatores conscientes com modalidade de educação a distância e contribuirá ainda mais o trabalho EAD. Dessa forma, a atuação do professor foi bem marcante e inovadora. Outro ponto mencionado foi a mediação. Em geral, o professor atua como mediador entre aluno e conhecimento. “Agora no EAD temos plataformas do professor atuar junto com o aluno não se pode restringir nem na transmissão da teoria nem de problemas de práticas. O verdadeiro professor mediador é aquele que junto com o aluno constrói o conhecimento escolar”, explicou.

A palestrante também comentou sobre a grande heterogeneidade e disparidade nos planos de carreiras, faixas salarias, precariedade de trabalho com alto índices. Por isso ela pontua a importância da regularização profissional dos professores na educação a distância. “A legislação educacional não está permitindo a formalização dos profissionais atuantes da educação a distância. Precisamos apontar a intensificação do trabalho. A quantidade de alunos por professor é bem alta”, disse u e ainda valorizou o trabalho desses profissionais fundamentais para criar políticas sérias de valorização na educação.

Tânia ainda esclareceu questionamentos sobre formas de avaliação nesse contexto: “A educação a distância tende um processo pedagógico didático mais padronizado. Então, o EAD tem momentos presenciais e ao longo dos cursos tem atividades consideradas do processo avaliativo, exercícios de interpretação de textos e ensino remoto. Não basta colocar o computador na frente da criança e adolescente, envolve outras questões de cuidado”, atentou.

Acesse aqui o debate na íuntegra: https://www.youtube.com/watch?v=D6Tf8fkXBbo