Especialista traz conteúdo do ComNet Insights 2017

Sócia diretora da Cause compartilha com público os principais pontos abordados para defesa de causa.

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Hoje em dia a comunicação está cada vez mais autêntica, mas não necessariamente verdadeira e isso causa confusão e gera instabilidade”, disse Francine. (Crédito da imagem: Divulgação)

Simplificação da mensagem nas campanhas de causas de organizações do terceiro setor. Essa foi a mensagem central da palestra As últimas tendências em comunicação de causas e advocacy, organizado pela consultoria Cause, em que compartilhou conteúdo do ComNet 2017, um evento com tendências em comunicação de causas.

A primeira parte foi para apresentar os principais pontos abordados no evento que ocorreu em Miami (EUA). Francine Lemos, sócia da Cause, explicou que o evento foi dividido em três blocos. Primeiro começou com a apresentação dos speakers, a fala dos especialistas. “A ConNect é uma comunidade de líderes que trabalha com causas e que utiliza a comunicação estratégica para gerar mudanças e transformações. Muitas pessoas são dos Estados Unidos, Europa e cada vez mais brasileiros. São dois dias de evento para mais de 800 pessoas. Neste ano, como foi em Miami, tiveram líderes que ajudaram sua cidade naquele momento para preparar a população para a fuga e como permanecer lá de forma segura. Houve painel sobre mudanças climáticas foi bem interessante”.

Após apresentar os principais palestrantes, Francine comentou que em todas as falas reforçavam muito no que se vive hoje em conviver numa lógica de rede e ao mesmo tempo com uma descrença generalizada nas instituições. “A gente vê emergir muitos extremismos e superficialidades e nos traz um cenário de medo e desconfiança”, afirmou a administradora com pós-graduação em marketing estratégico e branding que ainda lembrou que está aumentando cada vez mais discursos de ódio e de extremismo da pós-verdade.

Com esse atual cenário, ela comentou que os palestrantes reforçaram a ideia da comunicação corajosa, em que inclua pessoas, usando as palavras de um jeito simples para explicar um conceito difícil, para que as pessoas entendam sua causa e se sintam mobilizadas para a ação. “As organizações precisam falar com seu público para gerar essa proximidade, essa intimidade. Para isso, foi falado muito sobre metáfora. É importante ainda ter imagens diversas focada no propósito. Não dá para falar de comunicação de causa sem propósito. Você precisa falar com convicção sobre aquilo que te mobiliza. Então, interage com as pessoas hoje e quem tem um propósito muito claro precisa ter opinião”.

A palestrante ainda reforçou que quando a organização se posicionar a partir de um propósito num momento adequado, sua comunicação ganha pertinência e visibilidade. A organização precisa falar a verdade e sempre usar fontes confiáveis. Abrir sempre ao debate também foi outra sugestão.

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Além do contexto do evento, Francine resumiu os principais pontos do encontro. (Crédito da imagem: Divulgação)

Já nas oficinas temáticas do evento, Francine ressaltou que os principais temas foram: comunicação, mensagem, advocacy e ferramentas. Em todas as palestras sobre advocacy focou que: lidar com os problemas atuais e com o mundo hoje não é simples e requer medidas sistêmicas, que existe esforço conjunto, coletivo e estruturado. “Essa última parte nos apareceu como grande insight do advocacy moderno”, atentou.

Outra tendência é a formação de gestão de coalizações, que implica em vários desafios, porque não é fácil trabalhar em conjunto. O primeiro caminho é dificuldade de manter o foco estratégico para criar mensagens que de fato vão gerar audiência, empoderar em cada canto do trabalho em rede. Manutenção do foco é outro ponto fundamental saber aonde quer chegar e ter essas metas intermediárias. Entender ainda quem são os disseminadores da campanha.

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Ela ressaltou ainda que é fundamental mostrar o impacto nas campanhas.(Crédito da imagem: Divulgação)

Mostrar os impactos sistêmicos e a prevalência da contribuição de cada ator na transformação foram outras questões bem ressaltadas, facilitando o entendimento de sua responsabilidade. É importante deixar claro o que precisa ser feito com seus objetivos bem alinhados. Uma vez que tenho minha rede formada, ela precisa ser nutrida, como criar espaços de discussão, disseminar e divulgar conteúdos de interesse e garantir que as pessoas estejam alimentadas. E por fim disponibilizar as ferramentas que irão ajudá-la.

Mensagem uníssona também foi bem ressaltada. Para isso, não precisa usar as mesmas palavras, mas na mesma direção. As organizações têm como articular isso e traz visibilidade. “Cada um tem seu jeito, sua personalidade para se comunicar e isso pode aumentar sua rede. Isso é uma coisa que os americanos são muito bons por admitirem que a elaboração de mensagens é tratada como ciência. Não é só inspiração. Precisa ser baseada em público e testá-la”. Para exemplificar, ela citou o caso da Fundação Ford em que fizeram um teste on-line com as palavras que geram engajamento e as que afastam as pessoas. Eles conseguirem identificar quais eram as palavras-chaves que deveriam usar em suas mensagens para as pessoas acreditarem naquela causa. As palestras temáticas reforçaram para sempre testar suas mensagens e até consultar especialistas. A partir daí gera engajamento e, por fim, precisa garantir a criação de uma história. A comunicação de advocacy é estratégia que gera mudanças a longo prazo. Já a campanha é imediata. Dessa forma, a comunicação de causa prevê várias campanhas.

Além da mensagem e gerar sistema, Francine ressaltou o impacto. Nem sempre contar histórias pessoais faz o público em geral entender a causa. Criar engajamento é mais importante do que interagir e entender o passo a passo aonde quero checar é imprescindível. Por isso, precisa entender o sistema, ir apontando a solução, escalonando o problema e a solução. “O segredo é como eu trago um balanço do que é eficiente, tem solução concreta e gerar um engajamento maior. E mais uma vez: simplifique”.

Cause – http://www.cause.net.br/